Inspeção técnica verifica condições de acesso a deficientes no aeroporto
Pessoas
com deficiência observaram limitações nas condições de acessibilidade
Integrante
voluntária do Centro de Vida Independente (CVI-BA), uma das 12 entidades
que compõem a Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador (Cocas),
a deficiente física Rosana Lago não esquece da viagem que fez de
Salvador para Maringá (Paraná), em 2003. Na ocasião, ela enfrentou
dificuldades no embarque, na hora de entrar no avião. O corredor
da aeronave era muito estreito, impedindo o livre acesso de sua
cadeira de rodas, mesmo com os assentos preferenciais para portadores
de deficiência localizados na frente. "Além disso, a minha cadeira
de rodas é motorizada e a empresa de transporte aéreo não permitiu
o embarque da bateria, alegando que o líquido era corrosivo e, se
derramasse, poderia provocar estragos".
Dois anos depois, mais exatamente na manhã de ontem, Rosana Lago
foi uma das participantes de uma visita técnica ao Aeroporto Internacional
Luiz Eduardo Magalhães, com o objetivo de analisar as condições
de acessibilidade do local, avaliando desde o momento em que o portador
de necessidades especiais adentra os saguões ou embarca numa aeronave.
A visita foi promovida pela Infraero em parceria com a Secretaria
Especial dos Direitos Humanos e a Coordenadoria Nacional para a
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde). O levantamento
das condições de acessibilidade está sendo feito em todos os 66
aeroportos administrados pela Infraero no país.
Participaram da visita representantes de diversas entidades ligadas
à causa em Salvador. Os principais problemas apontados foram a falta
de sinalização referente à prioridade concedida aos portadores de
deficiência nas filas dos guichês e às poucas vagas reservadas a
esse público no estacionamento do aeroporto - apenas duas, de um
total de mil existentes. O corrimão de acesso ao finger também foi
considerado muito largo, tornando difícil a sua utilização como
um dispositivo de segurança. Constatou-se também não há uma área
específica para pessoas com deficiência nas salas de embarque.
A visita mostrou que os portadores de deficiência auditiva são os
que sofrem maiores dificuldades para se comunicar no aeroporto,
até mesmo porque a maioria dos funcionários que atendem nos guichês
das companhias aéreas ou servem os clientes nos bares, lanchonetes
e restaurantes não possui o mínimo conhecimento da linguagem brasileira
de sinais (libras). Para o surdo, portanto, a alternativa que resta
é andar acompanhado por um intérprete, e não são todos que têm condições
para isso. Por outro lado, aspectos positivos também foram ressaltados,
como as rampas de acesso existentes no aeroporto, além dos banheiros
adaptados e das cabines telefônicas rebaixadas.
São essas adaptações, inclusive, que fazem o técnico em informática
Vander Santos, 42 anos, também membro do CVI, considerar o aeroporto
de Salvador bastante acessível em comparação a aeroportos de outras
capitais brasileiras, principalmente depois da recente reforma.
Deficiente físico desde 2001, após ser atingido por um disparo de
arma de fogo, ele teve que ser carregado no colo porque sua cadeira
de rodas não passava pelas salas de embarque e desembarque do aeroporto
de Cuiabá (Mato Grosso), há dois anos. "Um episódio desse quebra
a nossa autonomia", define. A visita técnica de ontem avaliou ainda
o terminal de ônibus coletivo e seletivo, pontos de táxis e lojas
de passagens aéreas. Salvador já é a nona capital brasileira a passar
pela visita, já realizada em Fortaleza, Recife, Goiânia, Galeão
(RJ), Guarulhos (SP), Uberlândia, Belém e Porto Alegre, além de
Brasília. Antes das avaliações, o assessor da Presidência da Infraero,
Geraldo Accioly, salientou que as normas que especificam as condições
de acessibilidade já existem, mas estão em constante processo de
aperfeiçoamento nos aeroportos do país. Daniel Freitas
O Correio da Bahia - Site Saci - www.saci.org.br
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