Ministério Público obrigada universidade mineira a contratar intérpretes
de Libras
O Ministério Público Federal (MPF) de Uberaba, no Triângulo Mineiro,
vai insistir judicialmente para que a Universidade de Uberaba (Uniube)
providencie intérpretes para todos os acadêmicos deficientes auditivos,
em todas as atividades universitárias, inclusive, dentro sala de
aula e mesmo sem ser solicitado pelo estudante.
No início do mês, a 6ª turma do Tribunal Regional Federal (TRF)
estipulou prazo de 45 dias para que a Uniube contratasse intérpretes
da Língua Brasileira dos Sinais (Libras), mantendo liminar julgada
em primeira instância. Embora a medida favoreça os surdos, o procurador
da República, Ângelo Geardini de Oliveira, autor da ação civil pública
ajuizada contra a instituição, em julho do ano passado, não ficou
satisfeito.
"Na verdade, houve redução do TRF, pois pedíamos que o intérprete
fosse colocado à disposição, independentemente da solicitação do
aluno", afirmou o procurador. No julgamento do recurso apresentado
por advogados da universidade, o tribunal não considerou necessário
o acompanhamento integral do tradutor de Libras ao estudante surdo.
A nova determinação, que não agradou aos surdos, foi baseada na
Portaria nº 3.284/03 do Ministério da Educação (MEC), segundo a
qual, "as instituições de ensino superiores, em caso de terem alunos
com deficiência auditiva, terão o compromisso formal, se lhes for
solicitado, de propiciar intérpretes de língua de sinais/língua
portuguesa, especialmente quando forem feitas provas ou sua revisão",
informou o TRF.
O procurador Geardini disse que a reivindicação para que os intérpretes
fiquem à disposição dos deficientes, independentemente de serem
requisitados, será reiterada no transcorrer do processo. Ainda de
acordo com ele, o pedido formal de tradutor de Libras poderá gerar
constrangimento aos surdos que usufruem de bolsas de estudo.
Constrangimento
A presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos das Pessoas
com Deficiência de Uberaba (Condefu), Claricinda Regina Massa Borges,
também faz restrições ao julgamento do TRF. "Aprovei a decisão de
contratação do intérprete, mas o lado ruim da sentença é que o surdo
pode ficar constrangido por ter que solicitá-lo."
Claricinda também alega que o número de deficientes auditivos que
chegam a uma faculdade é reduzido. "O custo não é tão alto", argumenta.
Segundo ela, Uberaba tem aproximadamente 3 mil surdos e menos de
dez estudam na Uniube. "A sociedade deve aos deficientes, que historicamente
foram excluídos. Queremos ou não a inclusão?", questiona.
O diretor da assessoria jurídica da Uniube, João Damico, disse que,
desde o julgamento da primeira ação, a universidade mantém um departamento
próprio, com profissionais de diversas áreas para auxiliar não só
as pessoas com problemas auditivos, mas também portadores de outras
deficiências. "A universidade tem feito o acompanhamento dos alunos
deficientes para tentar sanar as dificuldades que eles enfrentam."
O diretor esclareceu ainda que a Uniube recebeu aparelhos telefônicos
especiais para deficientes auditivos. Para Damico, a última decisão
do TRF é satisfatória, uma vez que está de acordo com a portaria
do MEC. "Não temos como manter um tradutor em cada sala de aula",
alega.
Fonte: O Estado de Minas- Sentidos: www.sentidos.com.br
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