Acessibilidade em edificações: profissionais têm
que comprovar
Quando um engenheiro civil ou arquiteto executa uma obra ou
projeto precisa comprovar em um documento (ART-Anotação
de Responsabilidade Técnica) que a acessibilidade está
sendo considerada. Essa obrigatoriedade existe desde a publicação
do Decreto nº 5296, em dezembro do ano passado. Cabe ao
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea)
acompanhar seu cumprimento. Para isso, o Crea de São
Paulo conta com o Grupo de Trabalho Acessibilidade, coordenado
por Luiz Carlos Alcântara.
Segundo ele, a Prefeitura também deve fiscalizar a execução
do projeto, pois acessibilidade não é apenas a
instalação de uma ‘rampinha’. “A
via pública deve ser concebida para uso de todas as pessoas”,
observa.
Para facilitar o cumprimento da legislação, os
dirigentes do Crea-SP decidiram criar um curso para orientar
os profissionais da área. O coordenador afirma que o
órgão está preocupado em garantir que os
projetos de obras públicas e edificações
em áreas coletivas contemplem o desenho universal, a
acessibilidade, segundo o estabelecido na norma NBR 9050, da
ABNT.
Alcântara trabalha junto a Companhia do Metropolitano
de São Paulo – Metrô e acompanha de perto
as adequações que o Metrô vem implementando
nas estruturas originais para atender seus usuários.
Lembra que o projeto original do Metrô, elaborado na década
de 70, portanto, sem alguns importantes recursos de acessibilidade,
está resultando em elevado custo para providenciar as
adequações como a instalação de
elevadores, piso tátil, alarmes sonoros, etc. “Nós
transportamos 2,5 milhões de pessoas e estávamos
excluindo no mínimo 250 mil. É uma incoerência
que está sendo revista”, observa, afirmando ainda
que a Linha 5, já foi construída contemplando
esse item.
CAPACITAÇÃO
O Crea, entre outras atribuições, promove ações
junto a órgãos municipais e estaduais, assegurando
que a acessibilidade seja cumprida em edificações,
vias públicas, habitações e transporte.
Vem realizando o Módulo I do Curso de Capacitação
Técnica em Acessibilidade e Mobilidade Urbana, voltado
aos profissionais da área tecnológica registrados
no Crea-SP, com foco principal nas áreas de arquitetura
e engenharia, bem como a técnicos especializados em fiscalização
e acompanhamentos de obras. O curso visa a introduzir os conceitos
de acessibilidade e desenho universal.
Alcântara destaca que 2.000 profissionais participaram
do primeiro módulo e a intenção é
chegar a 4.000 participantes até o final do ano. O segundo
módulo será oferecido, a partir de setembro. “Se
hoje não se projetar mais nada que não seja acessível,
daqui a 30, 40 anos teremos uma cidade mais acessível,
um ambiente mais justo”, declara.
Alcântara lembra que a acessibilidade não é
só para pessoas com deficiência, mas para idosos,
obesos, gestantes e crianças. Se esses forem contemplados
pelos projetos estaremos incluindo 30% da população”,
afirma, acrescentando que esse grupo é formado por cidadãos
que votam, pagam impostos e consomem. “Fala-se muito em
inclusão social, mas temos que aplicar isso na prática.
Esse é o desafio do Crea-SP: levar ao maior número
possível de profissionais esse conceito de desenho universal”,
observa.
Além da qualificação oferecida pela entidade,
o Crea-SP mantém um fórum de ensino com representantes
de universidades que se reúnem para discutir temas como
a inserção de conceitos relativos a acessibilidade,
na formação acadêmica do profissional.
O Crea tem se empenhado em subsidiar os profissionais já
formados há mais tempo com informações
que permitam assimilar a nova realidade apresentada pelo decreto
5296.
O coordenador destaca que o profissional, ao desenvolver um
projeto deve contemplar a acessibilidade. “A prefeitura
também tem a responsabilidade, o dever de dar o ‘habite-se’,
o alvará de funcionamento somente se o projeto for executado
dentro da acessibilidade. A inclusão é para todos.
O Crea faz uma parte, a prefeitura faz outra e a sociedade organizada
também”, ressalta.
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