Ibirapuera (SP) pode ter escola de cão-guia
Projeto é abrir, em 2006, local para treinar
animais aptos a acompanhar deficientes visuais
A Prefeitura de São Paulo planeja instalar no parque
Ibirapuera em 2006 um centro de treinamento de cães-guia
-utilizados para acompanhar deficientes visuais.
O projeto prevê um espaço onde os animais serão
preparados e que abrigará cursos sobre mobilidade e cadastramento
de famílias interessadas em ter os cães dentro
de casa durante uma fase de adaptação, antes de
serem levados às pessoas beneficiadas. Os animais serão
cedidos gratuitamente aos portadores de deficiência.
O local do parque Ibirapuera escolhido pela gestão José
Serra (PSDB) para receber a escola de cães-guia fica
perto do viveiro Manequinho Lopes. A idéia é que
seja fechado com vidro e funcione como área de visitação
pública, diz a secretária Mara Gabrilli (da pasta
da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida).
Gabrilli afirma ter combinado a utilização do
espaço com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente,
faltando somente a formalização pelo conselho
do parque.
O centro, diz, deve ficar pronto no segundo semestre do ano
que vem, erguido com recursos de uma parceria já fechada
com a iniciativa privada e uma entidade do terceiro setor -Iris
(Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social), que
cadastra atualmente pessoas interessadas nos animais em seu
site (www.iris.org.br).
O Iris, que dispõe de um instrutor treinado na Nova Zelândia,
diz não haver hoje em dia nem 30 cães-guia no
Brasil inteiro.
O projeto prevê levar cinco deficientes visuais ainda
em 2005 aos EUA, onde ficarão duas semanas em uma escola
especializada e trarão cinco animais já treinados.
A proposta paulistana deve ser a primeira na região Sudeste.
Segundo Thays Martinez, presidente do Iris e que trabalha na
secretaria com Gabrilli, há outras duas escolas, em Florianópolis
e no Distrito Federal.
No Brasil, existem 160 mil cegos e mais de 2 milhões
pessoas com grande dificuldade para enxergar, de acordo com
dados do IBGE.
A maioria dos cães-guia do país é importada.
Thays Martinez, 31, deficiente visual desde os 4 anos, conseguiu
um há cinco anos, por meio de uma associação
internacional. "A mudança na qualidade de vida,
a independência, a liberdade, a segurança, é
tudo indescritível. Caminhar por São Paulo é
muito complexo. Somente com uma bengala não se consegue
detectar todos os obstáculos", diz.
Ela chegou a ser barrada no Metrô de São Paulo
anos atrás por causa de seu cão-guia, mas conseguiu
decisão favorável na Justiça. Em junho
deste ano, uma lei federal garantiu esse direito no transporte
coletivo a todos os portadores de deficiência visual.
A secretária Gabrilli diz que, além do treinamento,
ainda negocia uma parceria com universidades para fazer a criação
desse tipo de animal. A intenção é usar
as raças labrador e golden retriever.
O treinamento de um cão-guia leva de três a cinco
meses, mas é precedido de um ano de adaptação
na casa de uma família, que não precisa ter deficientes.
O animal não pode aprender só a ser obediente,
mas a parar nos desníveis e a conduzir seu dono em torno
dos obstáculos, ainda que em desacordo com as orientações
verbais que receber.
Gabrilli fala em treinar mais de 50 cães por ano com
a implantação do centro, mas Martinez afirma que
16 é um número mais realista. A secretária
fará um cadastramento dos primeiros deficientes beneficiados,
gratuitamente. O critério de seleção não
será a ordem de chegada. "É preciso analisar
as condições de adaptação."
ALENCAR IZIDORO - DA REPORTAGEM LOCAL
Fonte: Folha
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