Responsabilidade Social, Sustentabilidade,
Acessibilidade, Atendimento e Inclusão

*Maria Beatriz Barbosa

Os princípios e práticas de Responsabilidade Social Corporativa e de Sustentabilidade a partir da implementação de ações e projetos sociais devem ser parte integrante do Planejamento Estratégico das empresas. Tais ações apóiam-se em três pilares: desenvolvimento social, responsabilidade ambiental e viabilidade econômica. Dessa forma, os programas corporativos de valorização da diversidade entre as pessoas e as ações sociais dos empresários brasileiros têm sido destacados nas diversas organizações.
A garantia de acesso ao mercado trabalho pelas pessoas com deficiência e, conseqüentemente ao mercado consumidor, reflete, em sua essência, o acesso à cidadania e impõe novas formas de relacionamento e convivência. Assim, as mudanças no ambiente de trabalho deverão refletir mudanças na sociedade, através dos funcionários, de suas famílias e também mudanças na comunidade com a qual a empresa se relaciona – fornecedores e consumidores. Acima da obrigatoriedade legal, aspectos relacionados à ética e principalmente à imagem da empresa junto ao mercado consumidor e seu impacto sobre os lucros, reforçam a estratégia competitiva das empresas pela contratação de pessoas com deficiência.
Algumas questões devem ser objeto de atenção por parte das empresas que querem abrir postos de trabalho para pessoas com deficiência:

1) entendimento das oportunidades pelos empregados e empregadores, a partir de um programa estruturado, incluindo os processos de recrutamento, seleção, contratação, treinamento, desenvolvimento e ascensão profissional, bem como da definição de atribuições e responsabilidades em função de suas competências, habilidades e de sua qualificação. Esses novos empregados devem ser tratados com direitos e deveres iguais aos dos seus colegas de trabalho;

2) sensibilização dos funcionários, construindo coletivamente um espírito de equipe baseado no respeito às diferenças, inclusão e responsabilidade social. A sensibilização deve ser de toda a empresa, não somente das pessoas que irão trabalhar com ela diretamente;

3) acessibilidade das instalações e da comunicação interna – a adaptação e adequação dos ambientes internos e externos bem como da sinalização da empresa minimizam obstáculos à circulação e uso dos espaços e beneficia todos os empregados e eventuais visitantes. A acessibilidade deve ser garantida no local de trabalho, incluindo o espaço e o mobiliário das cantinas, auditórios, salas de reunião e de treinamento, dos acessos e áreas de trabalho, além dos sanitários e vestiários. Da mesma forma, os processos de trabalho, a comunicação interna, memorandos ou circulares, assim como a divulgação de produtos e serviços oferecidos pela empresa, para o público interno ou externo, devem ser acessíveis às pessoas com deficiência.
Experiências relatadas por várias empresas demonstram que houve fortalecimento do relacionamento das equipes de trabalho, motivação dos funcionários e sinergia de ações em busca de um objetivo comum. Os ganhos não param aí. As barreiras iniciais - físicas, de comunicação ou atitudinais - uma vez superadas, prepararam as empresas para novas oportunidades de negócio. O processo de inclusão passa pelo estabelecimento de novos parâmetros de relacionamento, onde devem imperar a naturalidade e a transparência.
A prestação de serviços depende muito das pessoas responsáveis pelo relacionamento com o cliente. Em todas as empresas os serviços baseiam-se em pessoas e equipamentos, porém prevalece o comportamento humano. O grande desafio está na impossibilidade da padronização e uniformização do comportamento e do relacionamento capaz de estreitar vínculos, gerar credibilidade e motivação na relação empresa-cliente. Este desafio requer, por parte das empresas, a preparação de seus empregados para que estes tenham habilidades para relacionamento com pessoas com deficiência física, visual, auditiva ou mental, criando um diferencial competitivo em relação aos concorrentes que não estiverem preparados para este segmento do mercado consumidor.
Para satisfazer as necessidades e desejos desse mercado, é importante conhecer as crenças, valores e preferências das pessoas com deficiência, assim como de qualquer outro cliente, criando oportunidades de notícias positivas, com toda sua carga de credibilidade. Estas dicas podem ajudar para que seja estabelecido um bom relacionamento com pessoas com deficiência, estejam elas no ambiente de trabalho ou sejam consumidoras dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas.

ATENDIMENTO PRIORITÁRIO

O atendimento prioritário na forma como descrito no Decreto 5.296/2004 compreende tratamento diferenciado e atendimento imediato às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que tenham, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção, aplicando-se às pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos, gestantes, lactantes e pessoas com criança de colo e inclui:

• a existência de local de atendimento específico para as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
• presença de mobiliário acessível para recepção e atendimento;
• existência de pessoal capacitado para prestar atendimento às pessoas com deficiência visual, mental e múltipla, bem como às pessoas idosas;
• atendimento para pessoas com deficiência auditiva, prestado por intérpretes ou pessoas capacitadas em Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS e no trato com aquelas que não se comuniquem em LIBRAS. Para pessoas surdo-cegas, prestado por guias-intérpretes ou pessoas capacitadas neste tipo de atendimento;
• existência de sinalização para orientação das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nos diversos ambientes;
• divulgação do direito de atendimento prioritário das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida;
• admissão de entrada e permanência de cão-guia ou cão-guia de acompanhamento, mediante apresentação da carteira de vacina atualizada do animal.

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