Calçadas, o novo alvo da Prefeitura de São Paulo
Do
asfalto para as calçadas. O novo alvo do prefeito José
Serra (PSDB) para deixar marcas concretas de sua gestão
são os passeios públicos, incluindo os que devem
- ou deveriam - ser cuidados pelos proprietários de imóveis.
Para isso, a Prefeitura vai propor mudanças na legislação
e criar um programa para recuperar e padronizar calçadas.
O tucano, porém, não quer esperar a aprovação
da nova lei na Câmara Municipal e promete começar
a mexer nas principais avenidas e locais de grande circulação
de pedestres antes da deliberação dos vereadores.
O projeto de lei que Serra vai mandar ao Legislativo está
em fase final de estudo na Secretaria do Governo Municipal.
´É uma das propostas que vamos trabalhar para aprovar
neste ano´, diz o titular da pasta, Aloysio Nunes Ferreira
Filho. Entre as alterações que a proposta faz
à atual legislação, em vigor desde 1988,
está a criação do Programa de Recuperação
do Passeio Público.
Segundo os tucanos, funcionará de forma análoga
ao Plano de Pavimentação Urbana Comunitária
(PPUC), pelo qual a Prefeitura asfalta uma rua e depois reparte
o custo do serviço entre os moradores. No novo programa,
o Município quer fazer o serviço que, por lei,
é responsabilidade do munícipe, e depois mandar
a conta.
O secretário de Coordenação das Subprefeituras,
Walter Feldman, pondera que a medida não tem viés
arrecadatório.
A lei em vigor já autoriza a Prefeitura a reformar calçadas
com mais de 20% da área em más condições
e, depois, cobrar a conta do proprietário. ´Isso
vai ser feito em vias que têm relevância, com circulação
grande de pedestres, e má conservação do
passeio.´ Em avenidas com poucos moradores, a Prefeitura
pretende usar orçamento próprio. ´Temos
R$ 17 milhões neste ano para as calçadas (ante
R$ 6 milhões em 2005). E vamos buscar no setor privado
parceiros para financiarem o serviço.´ Esse patrocínio
já ocorre, por exemplo, nas obras da Rua Oscar Freire,
dentro de um programa que reforma vias comerciais criado na
gestão Marta Suplicy (PT).
Com o patrocínio, os comerciantes vão ganhar novas
calçadas e aterramento da fiação aérea.
A pioneira nesse projeto, a Rua João Cachoeira, desde
o fim de 2003 conta com piso de blocos intertravados e novo
visual do passeio público. Os comerciantes juntaram recursos,
a Prefeitura executou o serviço e as vendas cresceram
20% depois das obras.
Se a lei for aprovada como propõe a atual gestão,
o problema teria de começar a ser atacado na própria
carne. Dos 30 mil quilômetros de calçadas da capital,
cerca de 10% estão no entorno de equipamentos municipais,
como escolas, postos de saúde e praças públicas.
Todos terão de seguir um padrão já testado
e semelhante ao das ruas comerciais reformadas.
E, seguindo novos padrões, a acessibilidade a pessoas
com mobilidade reduzida, como cadeirantes e deficientes visuais,
também é uma obrigação dos novos
passeios.
Somadas às grandes avenidas, que desde 2004 já
são atribuição da Prefeitura, o Município
vai dobrar seu guarda-chuva de responsabilidade para 6 mil quilômetros
de passeio público. Fazer tudo isso, admitem os tucanos,
não será fácil.
No projeto piloto em que cada subprefeitura padronizou cerca
de 4 mil metros quadrados de passeios entre dezembro e janeiro,
os 450 calçadeiros municipais conseguiram reformar cerca
de 1 quilômetro de calçadas por dia.
Foi esse um dos motivos pelos quais a Prefeitura desistiu da
idéia inicial de assumir a responsabilidade por todas
as calçadas da capital.
Fonte: Estado de São Paulo/Instituto Paradigma
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