Estatística é usada para combater discriminação
no trabalho
As estatísticas do IBGE, que mostram a composição
demográfica do país por gênero e cor, estão
sendo usadas pelo Ministério Público do Trabalho
para combater a discriminação no mercado de trabalho.
A partir do cruzamento de dados do IBGE e de outros organismos
oficiais, o MPT investigou a discriminação no
setor financeiro no Distrito Federal, concluindo que a presença
de trabalhadores negros é três vezes menor do que
sua participação na População Economicamente
Ativa (PEA).
"O que desejamos é que o quadro funcional das empresas
reflita a composição da PEA de cada região
do país", explica o vice-procurador-geral do Trabalho,
Otávio Brito Lopes, que esteve em Teresina (PI) para
uma conferência, durante o Seminário Direito e
Cidadania, promovido pela Faculdade de Direito do Instituto
Camillo Filho.
Lopes falou sobre o "Programa de Promoção
de Igualdade de Oportunidade para Todos" e explicou que
o Ministério Público do Trabalho utiliza a PEA
não para estabelecer quotas de ação afirmativa.
O MPT esclarece, "atua para que se cumpram os preceitos
constitucionais de igualdade e da não discriminação".
Ele lembra que as estatísticas do IBGE comprovam a discriminação
contra mulheres (ganham menos que os homens) e negros (ganham
menos que mulheres e homens brancos, mesmo exercendo a mesma
função), estão servindo de base para o
MPT aplicar às empresas um programa de combate às
práticas discriminatória na admissão, remuneração
e ascensão funcional.
O vice-procurador-geral do Trabalho diz que os juristas tendem
a se abster de considerar o preconceito registrado nas estatísticas
como um problema social que não deva ser enfrentado juridicamente.
Caberia ao Estado, nesta perspectiva, estabelecer políticas
de ação afirmativa. Entretanto, ele afirma que
é papel do Judiciário assegurar o direito à
igualdade e à não discriminação.
Neste sentido, o MPT trabalha para que, no mundo do trabalho,
sejam reduzidas as ações discriminatórias.
Otávio Brito Lopes lembra o Brasil reconhece a discriminação
no mundo do trabalho, proíbe essa prática na sua
Constituição e ratificou a Convenção
111 da Organização Internacional do Trabalho.
Além do dispositivo constitucional, a Convenção
da OIT é um instrumento legal para combater a discriminação
contra trabalhadores, pontifica Lopes
Discriminação
O uso de
estatísticas para comprovar e combater a discriminação
no mercado de trabalho foi iniciado em Brasília. No Distrito
Federal, o Ministério Público do Trabalho investigou
cinco bancos. Constatou que em um dos bancos havia apenas 10%
de empregados negros, esse segmento demográfico representa
46% do DF. Em outro banco o salário dos empregados negros
era 32% menor que o pago a empregados brancos. Em todos os bancos
as mulheres ganhavam menos que os homens.
A partir dos dados obtidos com informações
dos próprios bancos, o MTP cruzou com informações
da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD)
do IBGE e estava constatada a discriminação. Mesmo
com a escolaridade crescente entre mulheres e negros, esses
grupos ganham menos que homens brancos. Também mesmo
sendo mais numerosos, sua participação na composição
dos recursos humanos das instituições financeiras
é menor que sua presença na população.
Por conta disso, o MPT lançou, em abril deste ano, o
"Programa de Promoção da Igualdade e Oportunidade
para Todos". O programa já foi implantado em Brasília
e está sendo estendido aos Estados de São Paulo,
Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul
e Pará. No segundo semestre será levado a todos
os Estados brasileiros.
Por enquanto, o programa se limitará ao setor financeiro.
Em Brasília, por exemplo, já houve reunião
com representantes dos bancos, que concordaram previamente em
analisar uma solução para a discriminação.
O MPT vai buscar compromisso das instituições
financeiras para que se cumpra o direito fundamental das pessoas
de não serem discriminadas.
Otávio Brito Lopes explica que para cada Estado se utilizará
corte estatístico que obedeça a composição
da População Economicamente Ativa. "Assim,
quando chegarmos a Salvador, que tem 70% de sua população
formada por negros, não iremos nos sentir em Santa Catarina
quando entrarmos numa agência bancária".
Depois do setor financeiro, o MPT vai atuar em outros segmentos
da economia para combater a discriminação. "Sabemos
que em todos os setores produtivos vamos encontrar o problema,
em menor ou maior escala", adverte o vice-procurador-geral
do Trabalho.
Fonte: Assessoria de imprensa da Procuradoria Regional do Trabalho
da 22ª Região (PI)
Informações: (11) 5585.4355 – www.gespvirtual.com.br.
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