Linguagem do emprego para surdos

Estadão Oeste

Um grupo de jovens de Cotia também participa de um projeto pioneiro na cidade, que busca conquistar vagas no mercado de trabalho para pessoas portadoras de necessidades especiais. Desde o início do ano, 17 alunos formam uma classe para surdos no Centro de Ensino Profissionalizante Rotary (Cepro), mantido pela Fundação de Rotarianos de São Paulo.
A entidade atende gratuitamente jovens de baixa renda matriculados na rede pública de ensino. Os alunos surdos já eram acolhidos com o auxílio de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), mas pela primeira vez foi criado um projeto piloto com sala exclusiva. "Um grupo de surdos nos procurou e percebemos que seria mais interessante e produtivo montar uma turma piloto do Programa de Capacitação Básica para o Trabalho (PCBT), em Libras, sem português", explica Susana Penteado, coordenadora técnica do Cepro.
O PCBT tem duração de pouco mais de três meses e o objetivo de desenvolver no aprendiz um conjunto de habilidades compatíveis com as atuais exigências do mercado de trabalho, além de despertar a consciência de cidadania. Após essa etapa, o aluno opta por um dos oito cursos específicos. "O conteúdo é igual ao dos alunos ouvintes. A única diferença está no fato de as aulas serem ministradas por uma educadora fluente em Libras, que já atuava como intérprete", afirma Susana. O grupo de estudantes surdos tem jovens entre 14 e 17 anos, da Escola de Educação Básica Fundação Bradesco - Jardim Conceição, em Osasco. Dos 17 aprendizes, apenas três não concluíram o ensino fundamental na EECS (Escola Especial para Crianças Surdas), também mantida pela FRSP.
"Quando eu estudava na EECS, via sempre os alunos do Cepro e tinha vontade de estudar aqui também. Agora tenho 15 anos e estou me preparando para o futuro. Esta experiência é boa, pois as informações que tenho recebido estão me ajudando a enxergar e descobrir quem sou eu no relacionamento familiar e social", afirma a aluna Bárbara Heines C. Cordeiro.
Guilherme Henrique T. dos Santos, de 16 anos, também destaca a importância da convivência entre alunos e educadores. "Estudar aqui tem sido importante porque ganhei a oportunidade de conviver e ter uma troca com os ouvintes. Para o meu futuro profissional isso é fundamental, pois em qualquer empresa que eu for trabalhar a maioria das pessoas será ouvinte."
Terminado o processo de formação, todos os aprendizes recebem orientação profissional pelo Programa de Inserção Laboral. Os três jovens surdos que se formaram em 2004 já conquistaram seu espaço no mercado de trabalho e atuam em empresas da região. Ardilhes Moreira


Fonte: Rede Saci – www.saci.org.br

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