ABN/AMRO/REAL
promove a inclusão no ambiente de trabalho
Aceitar
as diferenças na sociedade e no ambiente de trabalho
e estimular a inclusão de minorias e grupos historicamente
desfavorecidos são tarefas complexas (e estratégicas),
que têm exigido determinação e bom senso
Deficiente
visual, Thays Martinez, analista da Diretoria do Setor Público,
deixa claro como gostaria de ser tratada em seu trabalho: "Não
quero ser café-com-leite", brinca. "Entendo
que a empresa deve acreditar nas minhas competências e
por isso deve me atribuir responsabilidades e cobrar resultados.
Mas, muitas vezes, é preciso fazer mais do que os outros
para obter reconhecimento menor". Essa posição
encontra eco nas palavras de Sidnei Justino, analista da Diretoria
de Estratégia da Marca e Comunicação Corporativa
e coordenador do grupo de funcionários que discute propostas
para a inclusão de afrodescendentes: "Não
quero ser um negro ‘bonzinho’ ou ‘esforçado’.
Quero competir em pé de igualdade com qualquer um".
A paixão com que Thays e Sidnei defendem a inclusão
revela o quanto temos discutido e trabalhado internamente para
ampliar a diversidade em nosso quadro de funcionários.
Apesar da mobilização em torno do tema desde 2001,
uma ação civil movida pelo Ministério Público
do Trabalho determinou, em 2003, multa de R$ 500 mil em favor
do Fundo de Amparo ao Trabalhador, além de R$ 10 mil
por dia, por não atingirmos a reserva legal de postos
de trabalho para pessoas portadoras de deficiência, conforme
a Lei 8.213/91.
A multa mostra o desafio de se promover a inclusão de
minorias no mundo do trabalho, sobretudo quando o assunto constitui
um problema cultural da sociedade, não apenas do Banco.
"Não dá para incutir diversidade por decreto",
diz Ismênia Pires, consultora da Diretoria de Recursos
Humanos. "Não é apenas o viés de inclusão
social, a diversidade é um valor de mercado", completa.
Acabamos por firmar um acordo, no qual nos comprometemos a preencher,
até 2007, 5% dos cargos com pessoas portadoras de deficiência
em todo o território nacional, como determina a lei,
o que hoje representa 1.354 vagas. A meta estabelecida para
2004 era de 146 contratações. Após uma
campanha de sensibilização junto aos funcionários
da rede, encerramos o ano com 213 novos funcionários
com deficiência.
Trata-se, portanto, de um esforço duplo. Assim como boa
parte da sociedade, enfrentamos e carregamos influências
que podem dificultar o convívio com as diferenças.
No entanto, ao assimilar essa capacidade - que abrange aspectos
como gênero, etnia, idade, religiosidade e orientação
sexual, entre outros, estaremos mais preparados para enfrentar
um mercado cada vez mais desafiador. Por isso, a diversidade
é muito mais que uma faceta da gestão dos recursos
humanos, e, sim, uma questão estratégica para
a sustentabilidade dos negócios e para a melhoria da
sociedade.
Há três anos, incluímos o tema no centro
de nossa estratégia. O Programa de Diversidade prevê
também a promoção de ações
entre clientes voltadas para a sociedade em geral. Assim, passamos
a atuar em várias frentes: criamos o CDC Mobilidade,
financiamento especialmente voltado para a aquisição
de carros adaptados e equipamentos para deficientes; disponibilizamos
aos clientes o software Virtual Vision, que permite a utilização
dos recursos do computador por pessoas com deficiência
visual; incentivamos a valorização da maturidade,
seja pelo prêmio Talentos da Maturidade ou pelo Programa
Sênior, que estimula a contratação de pessoas
entre 45 e 58 anos; apoiamos ONGs e eventos voltados para o
engajamento e a mobilização em torno da diversidade,
dentre tantas outras iniciativas.
O processo de seleção de pessoas com deficiência
é um ponto crítico do Programa de Diversidade,
por inúmeras razões. Em primeiro lugar, por causa
da falta de capacitação de muitos candidatos.
O assunto exige sensibilidade. Vetar o ingresso de deficientes
alegando apenas baixa qualificação é uma
desoculpa simplista e não conduz à solução
do problema. "Percebi que as pessoas encaram de maneiras
diferentes suas limitações; muitas vezes, é
preciso que o Banco se adapte a elas, e não o contrário",
constata a analista da Diretoria de Recursos Humanos, Andrea
Silva Souza, que possui paralisia nos movimentos dos membros
inferiores e trabalha na Diretoria de Recursos Humanos, na contratação
de pessoas com deficiência. "O preconceito também
é uma questão de postura. Precisamos nos comportar
como qualquer um."
Há um trabalho permanente de conscientização
para vencer resistências. Foi assim quando contratamos,
em 2004, nossas duas únicas funcionárias com Síndrome
de Down. Essa conquista só foi possível graças
a uma parceria com a ONG Carpe Diem, especializada na educação
e desenvolvimento profissional dessas pessoas. A Carpe Diem
selecionou Mariana Amato e Carolina Golebski e apoiou a adaptação
delas ao ambiente de trabalho da Diretoria de Educação
e Desenvolvimento Sustentável, em São Paulo. Outra
importante conquista foi a extensão, a partir de 2004,
da assistência médica para companheiros(as) de
mesmo sexo.
Uma parcela que ainda sofre com a discriminação,
nesse caso por razões históricas e culturais,
é a formada por afrodescendentes. "Muitas pessoas
não se declaram pretas ou pardas por medo de sofrer preconceitos
ou pressões", diz Sidnei Justino, coordenador do
grupo de Negro-Descendentes. Em certas ocasiões, o preconceito
chega de forma direta. É um exemplo da falta de sintonia
entre os anseios da empresa e o que acontece no dia-a-dia. Quando
trabalhava no caixa de uma agência em Pelotas (RS), o
subgerente Luciano de Jesus Furtado notou que um homem deixava
o próximo da fila passar sempre que percebia que seria
atendido por ele. "Dizia que não queria que um negro
mexesse no dinheiro dele", conta Luciano, que, apesar do
desconforto, não cobrou retratação.
A inclusão no mundo do trabalho não deve também
se limitar a faixas etárias. O primeiro emprego sempre
é uma preocupação para os jovens, principalmente
os de baixa renda. De olho neles, apostamos na formação
de profissionais por meio do projeto Adolescente Aprendiz, parceria
do Governo Federal com a Federação Nacional dos
Bancos (Fenaban) e 150 bancos privados.
Apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito.
O maior desafio é praticar o conceito como valor em todas
as nossas relações. "As pessoas com deficiência
aprendem desde cedo a atingir os mesmos resultados com recursos
diferentes. Mas ainda há aqueles que ou acham que somos
incapazes, ou nos tratam como gênios", diz Thays,
ao lado do fiel cão-guia, o labrador Boris.
Programa de diversidade
O ABN AMRO REAL possui iniciativas nas seguintes frentes:
Acessibilidade - Adaptação de espaços físicos
ou serviços.
Capacitação - Investimento em parcerias para a
educação de grupos em desvantagem social.
Recrutamento e carreira - Preocupação em criar
oportunidades iguais de crescimento.
Sensibilização - Processos de mobilização,
sensibilização e engajamento.
Comunicação - Promoção da diversidade
na comunicação interna e externa.
Inclusão não tem idade
O Projeto Sênior incentiva pessoas entre 45 e 58 anos
a participar de um processo seletivo para vagas de assistente
de atendimento na rede. As únicas exigências são
que o candidato tenha o segundo grau completo e facilidade em
lidar com o público. O treinamento é feito nas
próprias agências, no contato diário com
os demais colaboradores e clientes. Em 2004, o programa admitiu
117 funcionários.
Próximas ações para melhorar
Em 2004, a revista Exame elegeu o ABN AMRO REAL a sexta melhor
empresa para as mulheres trabalharem. O resultado foi muito
comemorado por todos, mas coube um sabor especial para o grupo
que discute o tema "Mulheres & Carreira". O núcleo
é formado por dezenove funcionárias, de cargos
e hierarquias de diferentes níveis, que se reúnem
há mais de dois anos para debater o desenvolvimento profissional
feminino na empresa. O começo de tudo foi a constatação
de que, embora houvesse equilíbrio entre homens e mulheres
no quadro funcional da empresa, apenas 9% das posições
de diretoria eram ocupadas por elas. A conclusão ia contra
a orientação da empresa, que recomenda especial
atenção à representação feminina
em posições de comando e gestão.
Com base em pesquisas qualitativa e quantitativa, realizadas
para dar representatividade às propostas, várias
ações estão em análise e devem ser
incorporadas pelo Banco ainda em 2005.
São elas: acompanhamento da evolução das
promoções femininas nos diversos níveis,
inclusão do tema igualdade entre gêneros nos treinamentos
dos gestores, vagas no estacionamento para funcionárias
lactentes, creche nos prédios administrativos e indicação
de alternativas nas proximidades das agências, entre outros
avanços.
Resumo
O
DESAFIO: Difundir e estimular a prática da diversidade
nos relacionamentos do Banco com funcionários, clientes,
fornecedores e comunidade.
O QUE ESTAMOS FAZENDO: Contratamos pessoas com deficiência,
adolescentes aprendizes e pessoas acima de 45 anos. Orientamos
nossos gestores a tomar decisões com base na questão
da diferença. Com o objetivo de criar políticas
de desenvolvimento profissional, analisamos as necessidades
de mulheres e afrodescendentes.
O PROGRAMA: diversidade
O QUE É: inclusão da diversidade como valor estratégico
nas práticas e processos gerenciais.
QUANDO COMEÇOU: 2001
RESULTADOS: Contratação de 213 pessoas com deficiência
(a meta para 2004 era 146), 72 adolescentes aprendizes e 117
pessoas acima de 45 anos; encaminhamento de propostas das frentes
de trabalho - Mulheres & Carreira e Negro - Descendentes;
extensão da assistência médica a companheiros(as)
de funcionários(as) de mesmo sexo; ações
voltadas para clientes (crédito para a mobilidade de
portadores de deficiência e doação do software
Virtual Vision a deficientes visuais); valorização
da maturidade etc.
Relatório
Sócio-ambiental ABN AMRO REAL – Fonte: Rede Saci:
www.saci.org.br
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