Doenças relacionadas ao trabalho Mitos e verdades
Um problema que incide sobre a saúde de trabalhadores que exercem funções repetitivas tem sido o Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho ou Doenças Relacionadas ao Trabalho (Dort), também conhecido como Lesão por Esforço Repetitivo (LER). Se não for diagnosticado a tempo e efetuado o devido tratamento, pode comprometer a capacidade de trabalho. Acomete principalmente mulheres, numa proporção de 2,5 para cada homem. Conheça aqui suas causas e formas de prevenção.

O que é
Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (Dort), também conhecido por Lesão por Esforço Repetitivo (LER) é um problema que atinge principalmente os membros superiores, acometendo músculos, vasos sangüíneos, tendões, ligamentos, articulações e nervos. Há especialistas que a definem, ainda, como lesões de músculos, tendões ou nervos causadas pela utilização biomecanicamente incorreta dos membros superiores.

Causas
São várias as causas que podem gerar a lesão. Entre elas, encontram-se inadequação do local de trabalho; repetição de movimentos por longo período de tempo; postura incorreta; constantes flexões, extensões e desvios laterais do punho, como na utilização do mouse e de teclados, por longo período; ombros levantados e braços estendidos para cima, como diante de um quadro negro, por horas; e força exagerada no uso de objetos como canetas ou chaves de fendas.

Sintomas
Foco dolorido e persistente em regiões como punhos, mãos, ombros e costas, fadiga e queda da performance no trabalho.

Prevenção
O ideal é evitar desenvolver funções, em casa ou no trabalho, que exijam esforço repetitivo. Exercícios de alongamento, antes de iniciar a tarefa, são recomendados.
Deve-se fazer breves intervalos a cada hora de trabalho, para interromper o processo que geraria a lesão.
Correções ergonômicas, ou seja, mudanças no mobiliário, para abolir ou minimizar ao máximo os esforços excessivos, também são indicadas.

São muitas as patologias associadas
O chefe da Disciplina de Cirurgia da Mão da Escola Paulista de Medicina/Unifesp e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, Flávio Faloppa, destaca que são várias as doenças relacionadas ao trabalho."É um assunto muito complexo, porque há muita confusão em relação às diversas patologias classificadas como Dort. Há algumas que são realmente relacionadas ao trabalho, e outras, não", afirma o especialista.
Faloppa destaca, como exemplo, a tendinite, que significa processo inflamatório do tendão. "Há tendinite relacionada ao trabalho, decorrente de uma sobrecarga ou esforço do membro. Hoje quando fala-se de tendinite pensa-se que é doença relacionada ao trabalho e não é verdade. Quando há uma sobrecarga pode acontecer tendinite, jogando futebol, por exemplo. Artrite, artrose ou gota são patologias que não são relacionadas ao trabalho mas podem confundir o trabalhador", explica.
O médico afirma que a síndrome de Túnel do Carpo, uma compressão do nervo mediano na região do pulso, pode ser relacionada ao trabalho, mas na maioria das vezes não é. Uma inflamação no nervo pode acontecer por fatores hormonais da mulher na menopausa. "Muitas patologias estão sendo relacionadas ao trabalho, mas nem todas são", adverte.
O especialista ressalta, porém, que há trabalhadores em determinada função que podem desenvolver a Dort, como, por exemplo, os digitadores. Também quem trabalha em indústria ou montadora de automóveis, parafusando peças, tem chance maior, assim como quem fica pegando objetos no alto repetidamente ou dá aulas em quadro negro.

Estresse
"A quantidade de trabalho também é um fator importante, todo mundo tem um limite. Um digitador com mesa adequada, apoio para braço pode evitar a dor. O ambiente de trabalho é importante", ensina Faloppa, acrescentando que as pessoas que já têm predisposição a apresentar quadro de tendinite, dores reumáticas e inflamatórias, aliadas a sobrecarga de trabalho, podem desenvolver Dort. "As mulheres de uma forma geral, com jornada dupla, trabalhando fora e em casa, podem apresentar dores", completa.
Fatores emocionais também potencializam a dor. "Faixa de remuneração é fator de estresse, trabalhar descontente pode gerar problema emocional e somatização", explica. Segundo o médico, quem tem tendência a depressão pode desenvolver Dort.
Doutor Faloppa esclarece que condições adequadas para desenvolver a tarefa podem ajudar na prevenção. Uma cadeira com encosto adequado, por exemplo, é fator que melhora a postura, assim como uma bancada de trabalho em altura compatível com o trabalhador.
O médico destaca também que quem pratica atividade física regular tem menos chance de desenvolver o problema. "Se a pessoa usa sempre os mesmos grupos de músculos, com a ginástica, passa a trabalhar todos os grupos, melhorando o condicionamento físico geral", observa.
Por ter várias patologias relacionadas, o médico ortopedista é o profissional indicado para fazer o diagnóstico adequado, segundo Faloppa. Mas a pessoa que sofre de dores relacionadas à função desenvolvida no trabalho, não deve se demorar em procurar ajuda médica. Ele esclarece que se não tratar, a dor pode ficar crônica, cada vez mais intensa. Depois de um tempo, a dor deixa de existir somente quando a atividade é desenvolvida e passa a aparecer em atividades simples como escovar os dentes ou pentear os cabelos. "Se não cuidar pode ter deficiência funcional, podendo, inclusive, romper tendões, levando a incapacidade, dependendo da região atingida", alerta.
Sobre as formas de tratamento ou reabilitação, o médico lembra que são muito individuais e dependem da região atingida. Há o uso de terapia com laser e anestesiante tópico. "Tratando adequadamente pode-se retornar ao trabalho. Procurar um médico é a melhor saída", ensina.


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