Acessibilidade nos Aeroportos
Muito se discute a questão da acessibilidade
nas vias urbanas, nos ônibus,
trens e metrô. De fato, um país que pretende
sediar a Copa do Mundo de 2014
e as Olimpíadas de 2016 precisa atentar
para estas questões. Entretanto, por se
tratar de eventos internacionais, fica
evidente a necessidade para a melhoria
nos aeroportos brasileiros.
A acessibilidade nos aeroportos é
garantida por resolução da ANAC que
prevê, entre os principais procedimentos,
o treinamento específico para os
funcionários das empresas aéreas e administrações
aeroportuárias, a alocação
de vagas específicas em estacionamentos,
o embarque prioritário e a disponibilidade
de veículos específicos de apoio
ao embarque, o bloqueio de assentos até
24 horas antes do vôo nas três primeiras
fileiras e o tratamento preferencial para
bagagem.
Esses são aspectos fundamentais
para a o acesso pleno das pessoas com
deficiência aos aeroportos e que devem
ser respeitados. A Infraero, empresa responsável
pela gestão administrativa dos
aeroportos brasileiros anunciou, no fim
do ano passado, a criação de um serviço
denominado Terminal Telefônico para
realizar o atendimento de chamadas das
pessoas com deficiência auditiva, além
disso aplicou “multa moral” em aeroportos
brasileiros que não respeitaram
alguns direitos de pessoas com deficiência,
como por exemplo, a garantia de
vaga preferencial e próxima ao local de
embarque, no estacionamento do aeroporto.
Além disso, promoveu palestras
de conscientização, treinamento de
funcionários e exposição de planos estratégicos
em feiras de acessibilidade. A
Infraero contou com o apoio da AME em
algumas dessas propostas.
O fundamental é que as pessoas com
deficiência tenham garantidos os seus
direitos e tenham tranqüilidade para
fazer suas viagens nos aeroportos brasileiros.
A acessibilidade, nesse caso, vai
além de rampas e um espaço reservado
na aeronave. É preciso ter uma comunicação
completa e capaz de contemplar
pessoas com deficiência visual, com indicações
sonoras e em braile. Além disso,
as pessoas com deficiência auditiva
precisam ser recebidas por profissionais
preparados, que tenham conhecimento
da Língua Brasileira de Sinais (Libras),
os pisos precisam ser táteis e são necessários
também balcões de atendimentos
que tenham a altura adequada para que
uma pessoa em cadeira de rodas possa
enxergar e se comunicar com tranqüilidade.
O embarque as aeronaves precisa
ser pensado também de maneira estratégica
para garantir o acesso de todos
de forma digna e humana. Situações em
que o passageiro com deficiência física
seja carregado junto da sua cadeira de
rodas não podem ocorrer pois, além de
colocar a pessoa em situação de desconforto,
é uma maneira que possibilita acidentes
e danos ao passageiro, algo que
não é incomum de se ver no Brasil.
Um exemplo recente comprova
esse risco. Em dezembro do ano passado,
um caso tomou grande proporção
na mídia de todo o país. Um arquiteto,
cadeirante de 71 anos, ao sair do
avião, no aeroporto de Congonhas em
São Paulo, embarcou em um Ambulift,
um veículo que tem um elevador e
serve para transportar o cadeirante na
saída e no embarque do avião.
O arquiteto, segundo conta a sua
filha, não estava preso ao cinto de segurança.
Por isso, no trajeto, quando
o motorista do veículo brecou o carro
repentinamente, o cadeirante foi
para frente, caiu da cadeira e ficou em
coma.
O fato serviu para chamar a atenção
da sociedade para a problemática
da acessibilidade nos aeroportos
brasileiros. De acordo com o Assessor
Especial da Presidência da SPTuris,
Roberto Belleza, que utiliza cadeira
de rodas como meio de locomoção, a
utilização de veículos para transportar
cadeirantes nos aeroportos precisa
ser melhorada. “Já utilizei o Ambulift
algumas vezes sem problemas. Porém,
alguns deles não possuem mesmo cinto
de segurança ou fixação da cadeira
de rodas, equipamentos obrigatórios
para a segurança do usuário com deficiência
física. Além disso, ainda é
muito pequeno e restrito aos maiores
aeroportos o número disponível desses
Ambulifts”, diz.