Acessibilidade
presente na Casa Cor
A
Casa Cor, evento anual que abrange arquitetura e decoração,
comemorou sua 20ª edição em um dos endereços
mais tradicionais e sofisticados da cidade: o Jóquei
Clube de São Paulo. Neste ano, os organizadores demonstraram
especial preocupação com a acessibilidade. Os
banheiros adaptados, rampas de acesso e mobiliário acessível,
por exemplo, evidenciaram a atenção para com as
pessoas com mobilidade reduzida, como as obesas, idosas ou com
deficiência. Nota-se que acessibilidade é um conceito,
cada vez mais, incorporado pelos profissionais da área
da construção, decoração e arquitetura.
Em parceria com a Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência
e Mobilidade Reduzida da cidade de São Paulo - Seped,
os organizadores da Casa Cor apresentaram vários ambientes
acessíveis. Desde o início da preparação
da mostra, a Seped participou de reuniões com arquitetos
e decoradores para difundir os conceitos e normas técnicas
de acessibilidade.
Algumas adaptações no Jóquei Clube foram
necessárias para oferecer conforto e principalmente facilidade
de acesso aos visitantes. Foram providenciados rampas, nivelamento
do piso junto à entrada dos ambientes, telefones públicos
acessíveis, além de banheiros adaptados, em cerca
de 2.000 metros quadrados de área construída.
Para a secretária da Seped, Mara Gabrilli, a preocupação
com a acessibilidade é uma tendência mundial e
a Casa Cor mostrou, na prática, como promover essa transformação
física e cultural.
Mara Gabrilli foi uma das 20 personalidades homenageadas neste
ano pela direção da Casa Cor. Uma exposição
reuniu um objeto de cada uma dessas pessoas com uma frase sobre
o que ele representa. O objeto escolhido pela secretária
foi a boneca Becky, cadeirante amiga da famosa boneca Barbie.
“A Barbie representa conceitos como beleza, sofisticação
e naturalidade. E a Becky nos mostra que ser bonita e sofisticada
independe da condição física. O natural
é saber lidar com essas diferenças”, afirma
a secretária.
JARDIM
E CALÇADA
Logo na entrada da Casa Cor deparava-se com um diferencial:
um jardim sensorial. O “Jardim da Entrada “, proposta
do arquiteto paisagista Alex Hanazaki surpreendeu e estimulou
todos os sentidos. Localizado na entrada do evento, plantas
exalavam perfumes, aguçando o olfato; madeira ecológica
estimulava o tato; um espelho d’água e fontes provocavam
a audição, com sua sonoridade; espécies
frutíferas despertavam o paladar; e todo o conjunto brincava
com formas e volumes, em um autêntico estímulo
visual.
Preocupado com o acesso de pessoas com deficiência, o
arquiteto teve o cuidado de evitar que barreiras ou obstáculos
impedissem ou dificultassem a circulação no espaço.
Mais que contemplativo, o jardim foi utilizado como ponto de
encontro e lugar para descanso.
Outro arquiteto paisagista, Benedito Abbud, apresentou o projeto
“Calçada viva”, com o intuito de devolver
o caráter humano e social das calçadas à
população das cidades, valorizando o pedestre
e o meio ambiente. Sua proposta apresenta sete diferentes modelos
de calçadas: verdes, ecológicas, acessíveis,
inteligentes, culturais, mobiliadas e saudáveis.
A calçada acessível permitiu o acesso à
Casa Cor, desde a rua, e apresentava piso tátil de alerta
e direcional, além de guias rebaixadas. Tanto o piso
tátil de alerta como o direcional são para pessoas
cegas usuárias de bengalas. Ambos contam com diferenciação
na textura e cor do piso. O piso tátil serve para indicar
quando há mudança de direção ou
de plano ou, ainda, algum obstáculo como telefone ou
vaso de plantas. O piso de alerta orienta o deslocamento da
pessoa cega no ambiente, por meio de uma linha contínua
no piso.
O projeto foi concebido para atender as normas técnicas
de acessibilidade. As calçadas uniformes, regulares e
firmes foram desenvolvidas para que sejam uma extensão
segura e agradável das residências ou estabelecimentos.
Os pisos foram construídos com diferentes materiais como
placas de concreto removíveis, ladrilhos hidráulicos
(que não deixam a água empoçar) e comento
liso.
ARQUITETURA
Segundo o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Gilberto
Belleza, a questão da acessibilidade é um ponto
vital hoje nos projetos arquitetônicos. Ele afirma
que, embora nos cursos de formação universitária
os arquitetos não recebam informações sobre
acessibilidade, em disciplinas específicas, o que seria
ideal, são freqüentemente instigados a pesquisar
o assunto.
“Não é possível mais considerarmos
as construções que não possuam esse aspecto
no seu escopo. Os arquitetos estão conscientes dessa
necessidade dentro de seus projetos”, ressalta.
Ele destaca que os arquitetos vêm, há um bom tempo,
se preocupando com isso e têm participado desde o inicio,
dos principais debates e trabalhos que resultaram nas normas
sobre a acessibilidade, atualmente vigentes. Mas não
depende só deles a acessibilidade em todos os cantos
e espaços. “Precisamos ter consciência de
que só os arquitetos não irão construir
espaços mais acessíveis. O custo e a conscientização
da sociedade ou do cliente são fatores fundamentais”,
alerta. Segundo ele, a implementação da acessibilidade
pode gerar um custo maior se for necessária uma intervenção
após a obra executada. E menor, se pensada desde o início.
Ambiente
para todos
Se depender
da gerente de evento, Cristrina Ferraz, a próxima edição
da Casa Cor será totalmente acessível. Ela afirma
que este não foi a primeira vez que a Casa Cor preocupou-se
com a acessibilidade. No ano passado, firmou parceria com o
Instituto Brasil Acessível e, esse ano, com a Seped.
“Cada vez mais, nos empenhamos em atender todas as condições
previstas nas normas de acessibilidade. É muito importante
proporcionar conforto e acesso a todos, independente da sua
condição física”, observa.
Entre os itens presentes no evento, a gerente destaca a bilheteria
de vendas de ingresso à feira com balcão rebaixado
para atendimento confortável ao visitante em cadeira
de rodas. “Todos os desníveis foram corrigidos
com rampas com inclinação máxima de 8,3%
e todos os banheiros funcionais da casa seguiram projeto segundo
a concepção do desenho universal. Não fizemos
distinção. Todos os ambientes eram totalmente
acessíveis, sem discriminação”, afirma.
Segundo ela, os conceitos de acessibilidade ainda não
são claros para quem lida com arquitetura e mobiliário
urbano. “É uma pena, mas o conceito do desenho
universal ainda precisa ser muito pesquisado, ainda não
é automático”.
Ela acrescenta que os profissionais precisam sempre ter em mente
que os proprietários também envelhecerão,
ou até mesmo poderão sofrer algum acidente, ter
deficiência, por isso a necessidade de pensar nos acessos
e tipos de pisos utilizados. Segundo a gerente, todas as construções,
mobiliário e decoração devem ser acessíveis.
“Nos ambientes domésticos devem ser evitados quinas
perigosas, tapetes com fios que podem enroscar, lustres ou arandelas
instaladas em altura baixa, entre outros”.
A gerente avalia a Casa Cor deste ano como tendo sido muito
gratificante. “Por proporcionar um passeio agradável
ao público, independente de qualquer restrição,
uma Casa Cor para todos”, observa.