AME capacita empregados da Sky

A SKY Brasil, operadora de serviços de TV digital por assinatura, foi lançada em 1996 pelos grupos: Organizações Globo, News Corporation e Liberty Media International. Com cerca de 900 mil assinantes conta com mais de 1.000 colaboradores. Passados dez anos desde sua fundação, a empresa agora inova em uma frente que promete gerar muitos frutos. Com a assessoria da AME, está capacitando um grupo de funcionários com deficiência.
Segundo o gerente de Recursos Humanos da Sky, José Mário Roncari, a empresa estava com dificuldades de cumprir a reserva de cotas, estipulada em 5% do número de empregados, para empresas de grande porte. “Encontrávamos restrição de profissionais, porque exigimos pessoas qualificadas. A demanda de contratação cresce, e os profissionais qualificados desaparecem do mercado. Não conseguíamos contratar”. Rocari, decidiu, então, mudar o foco de sua busca. Ao invés de buscar profissionais já qualificados, decidiu por capacitá-los. “Mudamos o foco e apresentamos projeto de parceria para que a AME assumisse a qualificação. Contratamos, capacitamos e encaminhamos para a área “, resume o gerente.
No momento, é treinado um grupo com dez funcionários. É o primeiro de uma série e representa uma iniciativa inovadora, a ser seguida por outras empresas que apresentam a mesma dificuldade: falta de qualificação profissional de candidatos com deficiência. Recebem treinamento em informática, noções de emprega­bilidade e de administração.
A expectativa do gerente é que se adaptem, cresçam e trabalhem, se tornem pessoas produtivas, como quaisquer outros colaboradores.

ENCONTRANDO SAÍDAS
Roncari encontrou uma maneira de viabilizar que pessoas com deficiência, sem qualificação profissional, pudessem atenuar a defasagem de conhecimento, com capacitação oferecida pela empresa. Sobre a reserva de vagas, ele avalia como tendo dois aspectos: um positivo e outro negativo. “O ruim é que é imposição e isso ninguém gosta, é obrigatoriedade. Nem sempre há ferramentas para trabalhar, oferecidas pelo poder público. Só vejo o Terceiro Setor atuando nessa área, viabilizando algo que o Primeiro Setor (governo) impõe para o Segundo Setor (empresas). Por outro lado, se não fosse obrigado, talvez não despertasse para essa necessidade de inclusão social”, afirma.
O gerente de RH destaca que, antes da imposição da lei de cotas, não pensava em selecionar funcionários com deficiência. “Não tinha essa preocupação, seria uma hipocrisia dizer o contrário. Nem pensava nisso. Estamos acostumados a selecionar o melhor, sem deficiência, o ideal. Quando aparece alguém sem um membro ou sem visão, a tendência é eliminar todas as potencia­lidades da pessoa e focar apenas no que está faltando e não no que ela tem”, revela.
E acrescenta: “Hoje somos obrigados pela lei de cotas. O Ministério Público não quer saber, a gente tem que encontrar a solução e não só apresentar o problema. Tenho 25 anos de experiência profissional, pós-graduação, mestrado. Não há justificativa para não encontrar uma solução para o desafio da falta de qualificação das pessoas com deficiência. A solução foi nós mesmos as capacitarmos”, observa.
Considerando que nem todas as empresas possuem instalações plenamente adequadas para receber empregados com deficiência, o gerente da Sky afirma que está pronto para fazer as adaptações que sejam necessárias para tornar a empresa acessível. “A falta de acessibilidade é um obstáculo contor­nável, é o que menos preocupa, pois um pedreiro resolve. A maior dificuldade é o que está dentro das pessoas. Nós é que criamos as barreiras”, destaca. Um aspecto a ser considerado, segundo Roncari, é a adaptação do novo funcionário ao posto de trabalho. “Havendo resultados, o restante é tranqüilo”, afirma.
Para ele, o papel de intermediação de uma instituição para a colocação profissional de pessoas com deficiência é de fundamental importância. “Se não for assim não se consegue. Temos que contar com quem só trabalha com isso, já atuou em projetos semelhantes. Sem parceria não se consegue nada. Em se tratando da contratação de pessoas com deficiência penso que seria mais que difícil, seria impossível. Essa intermediação é muito importante”, declara.
Quem tiver deficiência e quiser participar do processo de seleção para trabalhar na Sky ou em outras empresas atendidas pela AME, basta acessar o site www.ame-sp.org.br e cadastrar o currículo.