Setor de Turismo tem Manual de Recepção e Acessibilidade

No “II Salão de Turismo - Roteiros do Brasil”, evento realizado na primeira semana de junho deste ano, em São Paulo, o Ministério do Turismo distribuiu o “Manual de Recepção e Acessibilidade de Pessoas Portadoras de Deficiência a Empreendimentos e Equipamentos Turísticos”. Produzido pela Embratur, mostra como deve ser uma estrutura oferecida aos usuários do setor turístico, que tenham mobilidade reduzida como idosos, gestantes, obesos ou pessoas com deficiência.
Apresenta informações e ilustrações gerais baseadas nas normas técnicas de acessibilidade, orientando os agentes de Turismo na adequação dos ambientes e serviços. O manual demonstra que a preocupação com acessibilidade deve ser estendida ao atendimento aos hóspedes ou clientes, respeitando-se suas condições físicas, sensoriais e intelectuais.
Mostra empreendimentos turísticos como hospedarias, pousadas e hotéis acessíveis. Seus restaurantes, lanchonetes, bares e boates devem ser estruturados para uso de todas as pessoas. Também o hall de entrada, portaria ou recepção, quarto de dormir, sanitários, salas de reuniões, boutique, cabeleireiro, sauna, salão de ginástica, piscina, lazer e estacionamento devem ser adequados.
Essa adequação refere-se a guias rebaixadas, ausência de degraus, sinalização visível em todos os ambientes, dimensões (altura e largura) de balcões que possibilitam atendimento a pessoas sentadas ou de estatura diferente da convencional, além de portas e corredores em dimensões que permitam acesso de pessoas em cadeira de rodas.
Segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgada pelo Ministério do Turismo, o setor movimenta anualmente R$ 59 milhões. A expectativa é de acentuado crescimento para os próximos meses. De fato, um significativo crescimento pode ser tanto maior quanto mais consistente seja o investimento em acessibilidade, motivando quem possui dificuldade de locomoção ou mobilidade reduzida a desfrutar de viagens e passeios.

VIAGENS ACESSÍVEIS
Antes de completar 19 anos, Luciano de Oliveira Góes tinha um lazer preferido: viajar. Acampava, surfava, andava de skate, conhecia praias, se hospedava nas mais diferentes pousadas com amigos ou a namorada. Hoje está com 26 anos e após o que chama de “divisor de águas “, quando ficou paraplégico em função de um acidente de motocicleta, diminuiu o ritmo e viaja quando alguém da família o acompanha. “Tenho limitação física e muitos lugares que conhecemos não estão preparados para receber cadeira de rodas. Em praticamente todos há escadas e raramente há preocupação com acessibilidade”, observa.
Ao mencionar a existência do manual, seu pai, Alfredo Góes, anima-se e acredita em um futuro promissor, com hotéis adaptados e atendimento adequado. “Vamos esperar que esse manual seja seguido pelos profissionais que atendem os turistas. Onde a gente chega, todos os balcões presentes nas portarias dos hotéis são para atendimento de quem está em pé. Sempre preencho a minha ficha e a do meu filho, e apenas peço para ele assinar, pois não há espaço para atendimento de quem chega sentado na cadeira. É muita desconsideração”, afirma.
Após ficar em um período que chama de “fase de recolhimento”, Luciano
viaja, sempre que pode, e acredita que o manual pode ser mais uma ferramenta de trabalho para quem presta serviços na rede hoteleira, já que não haverá mais desculpa para não oferecer instalações e serviços acessíveis. “Um colega mencionou sobre esse manual e achei muito legal, pois facilita a quem oferece os serviços saber do que precisamos. Cansei de deixar um hotel de lado porque a porta do banheiro não passava minha cadeira, ou porque as mesas do restaurante eram todas muito juntas e impediam minha entrada ou circulação entre elas. Sem dúvida, o manual é útil porque mostra como deve ser”, ressalta.
No momento dessa entrevista, ele aproveitava o final das férias da faculdade e estava de partida, com o pai, para Amsterdã, Holanda, lugar que não conhece e não sabe se encontrará ou não acessibilidade. “A cada lugar desconhecido que vou é uma incógnita. Só sei como é quando chego. Às vezes me decepciono e às vezes me surpreendo. Vamos ver”, destaca.
A edição do “Manual de Recepção e Acessibilidade de Pessoas Portadoras de Deficiência a Empreendimentos e Equipamentos Turísticos”, esgotou-se, mas os organizadores do material prometem nova tiragem para breve. Por enquanto está disponível em versão eletrônica, no endereço http://www.turismo.gov.br/index.html