Esportes
na cidade: incentivo a quem tem deficiência.
Preocupada
em elevar a auto-estima, a qualidade de vida das pessoas com
deficiência, e promover a inclusão social , a Secretaria
da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (Seped),
órgão da Prefeitura de São Paulo, vem implementando
uma série de iniciativas ligadas ao esporte, mais especificamente
o paradesporto, ou seja, esporte praticado por pessoas com deficiência.
Entre as iniciativas em execução está o
Programa de Inclusão ao Paradesporto da Seped, com a
promoção de várias ações,
entre as quais: os “Primeiros Jogos Municipais Inclui
Sampa”, programados para acontecer no período de
7 a 10 de setembro deste ano; o projeto “Abrace o Paradesporto”
e o “V.E.M. - Vila Esportiva Municipal de Inclusão
Social”.
Segundo o técnico da área de esportes da Seped,
Roberto Belleza, os “Primeiros Jogos Municipais Inclui
Sampa”, serão realizados no Ginásio Poliesportivo
do Pacaembu, pela Seped em parceria com a Seme (Secretaria Municipal
de Esportes, Lazer e Recreação). “Queremos
promover a inclusão social e desportiva e despertar o
interesse pelo ideal paraolímpico”, destaca. Instituições,
associações e entidades sediadas no município
de São Paulo já podem inscrever seus representantes
para participar dos jogos “Inclui Sampa” nas modalidades
individuais (atletismo, xadrez) e nas modalidades coletivas
(basquetebol, futsal, goalball, natação, remo
e voleibol sentado). As categorias dos jogos abrangem as deficiências
intelectual, física, visual, auditiva e nanismo, masculino
e feminino, sendo livre a participação dos atletas
em quantas modalidades desejarem. As equipes serão formadas
por mais de um tipo de deficiência.
O projeto “Abrace o Paradesporto” foi apresentado
aos representantes de clubes particulares de São Paulo
e tem o objetivo de implantar as modalidades paraolímpicas
em locais altamente equipados e com atendimento técnico
qualificado. “Vamos proporcionar às pessoas com
deficiência e mobilidade reduzida a possibilidade da prática
supervisionada de atividade física, promovendo a inclusão
social e o combate ao sedentarismo”, explica o técnico.
Com o objetivo de mobilizar a sociedade sobre o potencial da
pessoa com deficiência e promover a utilização
do esporte como recurso para sua reabilitação
e inclusão social, o projeto “V.E.M. - Vila Esportiva
Municipal de Inclusão Social” será implementado
no Centro Esportivo Mané Garrincha, na Vila Mariana,
zona sul da cidade. Será destinado para a prática
esportiva, de lazer e recreação para a população
em geral, incluindo a parcela de pessoas com deficiência
e mobilidade reduzida.
“Neste que podemos chamar de “Centro de Inclusão
ao Paradesporto”, utilizaremos o conhecimento dos profissionais
de Educação Física para promovermos as
relações psico-físico-sociais das pessoas
com deficiência e mobilidade reduzida, com ênfase
na inclusão e na redução das barreiras”,
destaca.
Além dos projetos em andamento , a Seped, em conjunto
com a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação
vêm realizando cursos de capacitação profissional
em práticas de Educação Física para
pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, abertos
a todos os profissionais da área de Educação
Física da cidade.
Segundo Roberto Belleza, já foram realizados os módulos
que abordaram as deficiências visual, mental e física.
Os próximos módulos têm como tema: práticas
de Educação Física para pessoas com deficiência
auditiva e técnicas disciplinares e didáticas
de Educação Física Adaptada.
“A primeira barreira que temos que quebrar, antes mesmo
das arquitetônicas, são as atitudinais. Normalmente,
os parentes e as próprias pessoas com deficiência
se escondem atrás de um preconceito, de vergonha ou baixa
auto-estima, se isolando e se afastando das atividades do mundo
exterior. A partir do momento em que elas se iniciam na prática
esportiva, começam a vivenciar a superação
de limites e, pouco a pouco, os fantasmas vão desaparecendo
e a auto-estima vai sendo reconquistada”, observa o técnico.
Quando investe tempo, energia, recursos humanos e financeiros
em projetos esportivos, a Seped nutre como expectativa a criação
de oportunidades viáveis para a prática do paradesporto,
visando a inclusão social, a melhoria da qualidade de
vida e a busca de novos talentos, com vistas ao paradesporto
de alto rendimento, para competições nacionais
e internacionais.
Inclusão
pelo esporte
Para
a secretária da Seped, Mara Gabrilli, o esporte é
um dos principais meios para a real inclusão da pessoa
com deficiência na sociedade. “Isso porque aproxima
as pessoas e mostra que deficiência não é
sinônimo de incapacidade. É uma ferramenta realmente
transformadora, que abre as portas para a superação
das pessoas”, destaca.
Diferente da proposta inicial de ser uma Secretaria que iria
atuar como suporte às demais, na área da deficiência,
a Seped vem surpreendendo com a execução de projetos
e iniciativas na área esportiva. Para Gabrilli, trata-se
de uma iniciativa inédita, e tem a missão de promover
a inclusão nos vários setores da sociedade, como
transporte, educação, trabalho, cultura. “Na
prática, temos percebido que o esporte é uma ferramenta
de inclusão que acaba ajudando em todos os setores. No
momento em que a pessoa começa a praticar um esporte,
as barreiras se transformam, tanto as físicas quanto
as de atitude. É, sem dúvida, uma das melhores
formas de inclusão social dessas pessoas”, explica.
Desde a criação da Seped, em abril de 2005, vários
projetos foram desenvolvidos e pensados para fomentar o esporte.
A secretária dá ênfase aos cursos de capacitação
para profissionais de Educação Física e
coordenadores desta área na Prefeitura de São
Paulo para que eles aprendam a lidar com as pessoas com deficiência.
Até o momento foram capacitados mais de 450 técnicos.
Até o final deste ano, o objetivo é de qualificar
mais de 600 educadores físicos.
A secretária também destaca a realização,
no ano passado, do “Iº Fórum de Inclusão
ao Paradesporto”, com participação de cerca
de 250 profissionais. Neste ano, ela destaca a organização,
em parceria com a Confederação Brasileira de Remo,
do 1º Seminário de Remo Adaptado do país:
Remar é Possível. O seminário motivou o
Comitê Paraolímpico Brasileiro e a Confederação
Brasileira de Remo a assinarem um documento de parceria que
visa garantir, de forma inédita, a participação
de atletas brasileiros desta modalidade nas Paraolimpíadas
de Beijing 2008. A partir deste documento, fica garantida a
participação brasileira nas Paraolimpíadas,
e em todas as competições mundiais da modalidade.
A prática do remo é incentivada pela parceria
que mantém com a Universidade de São Paulo, onde
o esporte é realizado.
Pelo
remo, o contato com a natureza
Para
elevar sua qualidade de vida, bem-estar e auto-estima, pela
prática do esporte e contato com a natureza, Selma Betânia
Rodeguero Gonçalves escolheu o remo. Ela tem 32 anos
e é diretora-presidente da Fundação que
leva seu nome - Selma. Com paraplegia em função
de lesão medular decorrente de acidente automobilístico,
aos 15 anos, ela gosta de praticar todos os esportes, mas o
remo é o que mais tem se identificado, embora o pratique
há pouco tempo: cerca de dois meses.
A prática do remo foi estimulada pela oferta do esporte
pela parceria entre Seped e USP.
“Foi o esporte que mais me identifiquei, por utilizar
a musculatura dos braços e requerer condicionamento físico,
além de dar força muscular e permitir o contato
com a natureza”, ressalta. Entre os benefícios
da prática do remo estão: fortalecimento da musculatura,
condicionamento físico, sensação de bem-estar
pela prática esportiva, realização pessoal
por vencer desafios e aumento da auto-estima.
Com essa prática, Selma busca ser mais feliz e realizada,
com mais equilíbrio e apta a participar de competições.
A quem ainda não se sente motivado a praticar esportes,
Selma tem um recado: “É preciso desenvolver todo
seu potencial, se superar. Todos somos capazes”.
Serviço
Informações sobre as atividades esportivas oferecidas
nos Clubes, ou sobre projetos específicos na área
de esportes adaptados promovidos pela Seped:
www.prefeitura.sp.gov.br/pessoacomdeficiencia.
Telefone: (11) 3113-8776
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