Central de Libras irá oferecer atendimento
aos surdos
Lei municipal cria central de intérpretes de Libras
e guias-intérpretes para surdocegos: facilitando a comunicação
dos cidadãos com deficiência
Visando atender melhor as pessoas com deficiência visual
e surdocegueira, a vereadora Mara Gabrilli, autora da Lei 14.441/2007,
quer garantir a Central de Intérpretes da Língua
Brasileira de Sinais (Libras) e Guias-Intérpretes para
Surdocegos, na Cidade de São Paulo. De acordo com a vereadora,
a previsão para a regulamentação, pelo
executivo, é de 90 dias e mais 180 dias (depois dos 90)
para que as Centrais estejam funcionando. Na Cidade de São
Paulo, existem 250 mil pessoas com deficiência auditiva.
No Brasil existem cerca de 2.600 surdocegos.
Mara Gabrilli afirma que o novo serviço vai permitir
que pessoas com deficiência auditiva e surdocegueira sejam
atendidos com mais dignidade quando buscam informações.
Ela exemplifica: “Como um surdo e um surdocego vão
se comunicar quando chegam a um hospital se não tem alguém
capacitado que entenda a sua linguagem? Eles acabam sendo mal
interpretados porque não conseguem se fazer entender
e há situações nas quais eles nem conseguem
se defender”, diz.
A vereadora quer garantir o direito ao uso e acesso aos equipamentos
públicos municipais pelas pessoas cegas e surdocegas.
A Central irá funcionar da seguinte maneira: haverá
instalação de pequenas câmeras ligadas à
internet (webcams) para transmitir a imagem das pessoas com
deficiência que buscam atendimento público nos
equipamentos municipais. A central irá traduzir, simultaneamente
por telefone, a informação solicitada. “A
idéia é implantar câmeras em pontos públicos
municipais, como as 31 Subprefeituras, 14 hospitais, 17 prontos-socorros
e as 406 unidades básicas de saúde da prefeitura”,
declara a vereadora. Ela espera que o atendimento seja literalmente
online - com tradução instantânea.
Para a população surdocega, a lei garante atendimento
presencial. “Uma pessoa vai até o local fazer o
atendimento”, promete. Considerando que o número
de surdocegos é relativamente reduzido, talvez a lei
possa ser cumprida, mas apenas a prática irá dizer.
QUALIFICAÇÃO
A título de esclarecimento, intérprete de Libras
é o profissional com audição preservada,
que se comunica gestualmente com os surdos, por meio de uma
linguagem com estrutura própria. Guia-intérprete
é aquele que ouve normalmente e repete verbalmente o
que escuta para a pessoa surdocega, que o entende pela vibração
da voz. Nesse caso, o surdocego toca com suas mãos o
queixo ou próximo da boca do guia-intérprete para
“ouvir”, pela vibração, o que ele
diz. Por esta especificidade, a vereadora está atenta
para a capacitação dos profissionais que prestarão
o serviço, devendo ser habilitados por entidade reconhecida.
Ela acredita que não seria possível ter um intérprete
de libras e guia-intérprete para surdocegos em todos
os lugares em todos os momentos. “Alguns, ficariam semanas
sem fazer uma tradução. É mais barato e
eficaz acessar a Central para fazer a tradução
da Língua dos Sinais para o Português”, diz
a vereadora. Esta Central Também fará os treinamentos
de servidores municipais com o objetivo de preparar um número
suficiente de guias-intérpretes e intérpretes.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sancionou o
projeto na cidade de São Paulo. A partir de agora, funcionários
da prefeitura, que trabalham em áreas essenciais, vão
ser treinados com o intuito de facilitar a comunicação
com as pessoas com deficiência.
O programa é vinculado à Secretaria Especial da
Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (Seped).
USUÁRIOS
Para os surdos, a iniciativa é louvável. Segundo
Neivaldo Zovico, diretor regional da Federação
Nacional de Educação e Inclusão dos Surdos
(FENEIS-SP), “este é um direito da comunidade surda
e a central é muito bem-vinda, pois facilitará
a comunicação dos surdos“, destaca. Ele
exemplifica que, antigamente, quando acontecia um acidente ou
era necessário um atendimento público, o surdo
era obrigado a chamar os pais ou parentes para acompanhá-los
a dar informações ou fazer Boletim de Ocorrência,
uma vez que os funcionários não tinham conhecimento
da Libras. “Quando o surdo precisava ir ao hospital e
não podia ir sozinho, precisava da companhia de alguém
que é parente ou amigo para interpretar, e hoje isso
poderá pode ser feito em todos os locais de atendimento
público do município por meio da Central”,
comemora.
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