Educação inclusiva: garantindo a construção do saber

Vera Lúcia Miranda Mattasoglio*

Após vários anos a educação inclusiva, garantida pela legislação, ainda é um dos maiores desafios do sistema educacional.
Enquanto algumas escolas se empenham em acolher e promover a interação social e buscam garantir a aprendizagem de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, outras se alinham ao discurso do não acompanhamento do currículo, convidando veladamente a família, à busca de outra escola. Mas onde está essa escola?
Devemos considerar que, no seu papel social, a escola inclusiva vai além da inclusão de alunos com deficiência, não sendo esses os únicos excluídos do processo educacional. O sistema regular de ensino é estruturado, primordialmente, para atender o aluno com bom desenvolvimento cognitivo, de linguagem. Via de regra, a escola está preparada para receber o aluno “ideal” e não aquele que, por problemas emocionais e aprendizagem, pode tender ao fracasso, caso não seja atendido nas suas peculiaridades.
Assim, em uma sala de aula o professor tem alunos que, tanto seguem o padrão de aprendizagem para o qual foi preparado em sua formação, como outros que podem apresentar um distúrbio ou dificuldade de aprendizagem ou alguma deficiência. Neste caso, quando o professor se depara com um aluno que não alcança resultados esperados no processo de aprendizagem, ele passa a perceber esse aluno como não pertencente ao seu universo de ensino.
No contexto da educação inclusiva o professor precisa ser preparado para lidar com as diferenças e singularidade de todos os alunos e não com um modelo comum a todos. É necessário adaptar o projeto pedagógico, adotar práticas criativas, ajustar as intervenções do processo de aprendizagem dos diferentes alunos de modo que lhes seja garantida a construção do saber, a condição de aprendizagem. Isso é a “igualdade de oportunidades” assegurada pela legislação.
Não estamos falando em desenvolver práticas pedagógicas e técnicas para as pessoas alcançarem um padrão estabelecido, e sim que no processo de inclusão estas crianças e jovens tenham suas singularidades respeitadas, trabalhadas e desenvolvidas. Nesse cenário, professores estão inevitavelmente implicados. Não é possível pensar em uma escola inclusiva, sem pensar na construção de novas competências, sendo a formação e o aperfeiçoamento profissional, um dos aspectos fundamentais nesse processo.
Inclusão implica na construção de uma nova filosofia educativa de formação básica e continuada do profissional da educação.

Coordenadora do Centro de Desenvolvimento Humano da AME

 

 

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