Professores de crianças surdas contam com Manual de Orientação

Professores de crianças surdas contam, desde agosto
passado, com o Manual de Orientação para Professores
de Crianças com Deficiência Auditiva – Abordagem Aurioral,
lançado pelo Centro Educacional do Deficiente
Auditivo (Cedau), unidade especializada no acompanhamento
pedagógico a crianças com deficiência auditiva do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniof aciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP).
O material é de autoria das pedagogas Andréa Gandolfi Berro, Kátia Fugiwara de Oliveira, Luciane Aparecida Fiori de Godoy e Maria José Monteiro Benjamin Buffa, além da fonoaudióloga Joseli Soares Brazorotto, todas da equipe do Centrinho.
O livro é resultado do trabalho de mais de 20 anos da equipe que atua com crianças com deficiência auditiva e traz dicas para auxiliar professores em sala de aula, como atitudes que favoreçam a comunicação da criança com deficiência auditiva na sala de aula e condições básicas para seu bom desempenho, já que
para os educadores, uma das maiores dificuldades é saber
como atuar de forma eficaz com esta criança para que ela se desenvolva de maneira plena.

EXPERIÊNCIA NO PAPEL
De acordo com Maria José Monteiro Benjamin Buffa, também coordenadora do Cedau e diretora técnica do Serviço de Educação e Terapia Ocupacional do Centrinho, o livro “nasceu da experiência prática diária, de visita às escolas e dos cursos de capacitação, em escolas públicas e particulares, onde pudemos observar a
inquietação dos professores em relação à inclusão dessas crianças na sala de aula de ensino regular”. A pedagoga diz ainda que “o manual apresenta algumas dicas e informações básicas que contribuem para o processo de inclusão da criança com deficiência
auditiva na escola regular”.
“Foi a partir daí que decidimos organizar um curso de capacitação para esses professores e, como há muita informação, surgiu a idéia de elaborarmos este manual, para que possam consultá-lo nas suas dificuldades”, completa Maria José.
O manual aborda também a interação entre a família e a escola e o papel de cada um, bem como ajudas técnicas para auxiliar a audição - aparelhos de amplificação sonora, implante coclear e sistema de freqüência modulada - e as etapas de desenvolvimento
da leitura e da escrita. “Desta forma, tanto pais quanto professores poderão se informar sobre as necessidades da criança com deficiência auditiva inserida no ensino regular” destaca a pedagoga.

COMO EDUCAR
As informações contidas no manual baseiam-se no incentivo a oralidade das crianças com deficiência auditiva. A publicação tem o objetivo de disseminar pelo Brasil as informações apresentadas aos professores da região de Bauru nos cursos e na convivência diária com as profissionais do Centrinho/USP. “Há casos de professores
que não sabem sequer onde devem sentar as crianças com deficiência auditiva. Já encontramos crianças isoladas no fundo das salas de aula, totalmente excluídas”, alerta Maria José.
Quando se trata de educação de crianças surdas, ainda há muitos pais e familiares que não aceitam o oralismo. Segundo a coordenadora, as informações contidas no manual partem da abordagem aurioral, entretanto o manual não faz citação sobre a melhor forma de habilitar ou educar uma criança com deficiência auditiva. “A resistência
em relação à oralidade, acredito que ocorra principalmente por desconhecimento dos benefícios que os dispositivos eletrônicos como, por exemplo, o implante coclear podem trazer para crianças com deficiência auditiva que vivem numa sociedade ouvinte
ou mesmo pela dificuldade de acesso a esse tipo de recurso”, afirma a pedagoga.

SERVIÇO
Título: Manual de Orientação para Professores de Crianças com Deficiência Auditiva - Abordagem Aurioral - Editora: Santos -       Páginas: 73
Autoras: Andréa Gandolfi Berro - Joseli Soares
Brazorotto - Kátia Fugiwara de Oliveira- Luciane Aparecida Fiori de Godoy – Maria José Monteiro Benjamin Buffa

 

 

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