Lei de Cotas chega aos 18 com resultados

No dia 24 de julho, foram comemorados os 18 anos da implantação da Lei Federal 8.213/91, conhecida como Lei de Cotas. A Lei, em seu artigo 93, estabelece um número mínimo de pessoas com deficiência que as empresas com mais de cem funcionários devem empregar.

De acordo com o texto da Lei, 2% do quadro de colaboradores para empresas com 100 a 200 empregados deve ser composto de pessoas com deficiência, 3%, nas de 201 a 500, 4%, nas de 501 a 1.000 e 5% para companhias com mais de 1.001 funcionários. Nos concursos públicos existe uma reserva garantida de 5% das vagas para candidatos com deficiência.

Em julho de 2009, a multa aplicada às empresas que não cumpriam a Lei de Cotas ficava entre R$ 1.329,18 e R$ 132,916,84, dependendo do porte da empresa e da reincidência no descumprimento da legislação.

Com base em dados de dezembro de 2008, constata-se que as empresas brasileiras ainda não atendem o percentual mínimo de pessoas com deficiência em seus quadros de funcionários. Segundo a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) há cerca de 820 mil vagas que deveriam ser preenchidas por pessoas com deficiência. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, apenas 125 mil delas estão devidamente ocupadas, uma média de 15,4%.

No estado de São Paulo, o índice de cumprimento da Lei é de 39,7%, com aproximadamente 90 mil das 230 mil vagas estimadas preenchidas, o que coloca o estado na primeira colocação no cumprimento da Lei no Brasil. O segundo estado com o maior número de inserções de pessoas com deficiência no Brasil é o Ceará com aproximadamente 28 mil vagas, sendo cerca de 10 mil preenchidas (37,8%).

O menor índice de preenchimento de vagas para pessoas com deficiência no país encontra-se nos estados da Paraíba e de Roraima, ambos com apenas 3% das vagas preenchidas.

PAPEL DO MINISTÉRIO DO TRABALHO

Superintendente Regional do Ministério do Trabalho e Emprego em São Paulo, “o papel do Ministério é, antes de exigir e forçar que a Lei seja cumprida pelas empresas, conscientizar o empresariado que o funcionário com deficiência é como qualquer outro funcionário, que cumpre metas e prazos ao realizar seu trabalho, mas precisa de adaptações para realizar seu papel”.

Ainda de acordo com Melo, “algumas empresas apresentam espe- Marcos Belizário tem 45 anos, é advogado, administrador de empresas e vice-presidente estadual do Partido Verde. Ao ser nomeado como titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo assumiu o compromisso de dar continuidade ao trabalho de seu antecessor, o médico Renato Baena, além de contribuir para o resgate da dignidade das pessoas com deficiência, focando e implantando estratégias em favor da justiça social. O cadastramento e outras informações podem ser obtidos no site da AME: www.ame-sp.org.br ou diretamente no link: www.ame-sp.org.br/colocacao_ profissional/colocacao_profissional.html E-mail para contato: ame@ame-sp.org.br SERVIÇO EMPREGABILIDADE NA AME Desde que foi implementada, a chamada Lei de Cotas vem recebendo a contribuição da AME que viabiliza a contratação de pessoas com deficiência por empresas públicas e privadas. Desde 2005 até o momento, 1.173 pessoas foram contratadas por intermédio da AME, equivalendo a uma média de cerca de 400 novos profissionais com deficiência no mercado de trabalho, a cada ano, considerando-se que estamos na metade de 2009. A Unidade de Trabalho da AME tem o objetivo de ampliar as oportunidades de colocação profissional das pessoas com deficiência. Entre os serviços oferecidos estão: Assessoria a empresas; Análise das funções e postos de trabalho; Avaliação das condições de acessibilidade; Recrutamento e Seleção; Acompanhamento durante o período inicial de contratação; entre outros. A AME possui Banco de Dados especializado e informatizado, dispondo de currículos abrangendo todos os tipos de deficiência. A informatização dá agilidade à triagem, permitindo segmentar a pesquisa em função dos requisitos definidos pela empresa. cificidades e temos a intenção de abrir o debate com essas empresas específicas, mas sempre respeitando o que a lei diz”. O Superintendente pretende ainda trabalhar estabelecendo parcerias para qualificar as pessoas com deficiência para o mercado de trabalho.

BALANÇO DA LEI DE COTAS

No dia do aniversário da Lei, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com o Espaço da Cidadania e a Superintendência Regional do Mistério do Trabalho e Emprego em São Paulo, realizou um evento para apresentar um balanço dos 18 anos da legislação. Os resultados de pesquisa realizada com os inscritos no evento foram apresentados e, segundo Melo, “previsíveis”. As maiores dificuldades que as empresas encontram ao incluir pessoas com deficiência em seu quadro de funcionários são: a falta de capacitação, o preconceito, o desconhecimento do tema e a falta de acessibilidade.

As conquistas nesses 18 anos foram: a conscientização da sociedade, a mobilização de organizações, o avanço no tratamento das pessoas com deficiência, a melhoria na auto-estima e na qualidade de vida, melhoria da acessibilidade e investimento na capacitação.

 

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