Com o objetivo de promover a
discussão sobre como fazer e pensar
moda para pessoas com deficiência,
a Secretaria de Estado dos
Direitos da Pessoa com Deficiência
lançou, em 2008, o Concurso
Moda Inclusiva, primeiro realizado
nessa área, no Brasil, aberto a
estudantes universitários de todo
o estado. Culminou no desfile de
20 peças finalistas e apresentação
das três primeiras colocadas,
no dia 9 de junho, na sede da
Secretaria de Estado dos Direitos
da Pessoa com Deficiência de São
Paulo.
O principal critério de seleção
para os finalistas dos 340 trabalhos
inscritos foi a melhor combinação
entre adequação e funcionalidade
da peça, além da estética.
O objetivo, segundo o idealizador
do concurso e um dos jurados das
peças finalistas, Cid Torquato, foi
“buscar estimular a criação de
modelos de vestuário adaptados
às necessidades das pessoas com
deficiência”.
Para o desfile foram convidados
para mestres de cerimônia a
atriz e modelo Isabel Fillardis, da
ONG Força do Bem e cujo filho tem
Síndrome de West, e o ator Júlio
Rocha. Segundo o governador José
Serra, presente no dia do desfile,
um evento desses “tem significado
econômico para o mercado e
para os profissionais envolvidos,
mas sobretudo tem um significado
para as pessoas com deficiência.
A sociedade está olhando para
elas”. A Secretária dos Direitos da
Pessoa com Deficiência, Dra. Linamara
Rizzo Battsitella, também
durante o desfile afirmou que “devemos
trazer para cá esse exemplo
de se tratar a todos, independentemente
das diferenças, de maneira
igualitária”.
A PEÇA VENCEDORA
A vencedora do Concurso Moda
Inclusiva foi Brunna Novo do Val,
estudante de moda da Escola de
Artes, Ciência e Humanidades
(EACH / USP), que criou um vestido
com faixas ajustáveis, com velcro
e faixas no lugar de botões e
zíperes, a fim de atender a pessoas
com restrição de movimentos.
A modelo que desfilou o modelo,
Carolina Custódia, que não possui
os braços, disse se sentir “elegante,
sexy, bonita e muito confortável”
com a roupa.
Para Brunna, “foi um desafio
criar um figurino bonito e fácil de
vestir”. A peça criada para participar
do Concurso foi a primeira que
ela desenhou para produção e demorou
um mês para ser desenvolvida,
desde o anúncio das finalistas
até a data do desfile. Brunna
ainda declara que já pensou “em
muita coisa que poderia ser usada
em diversas deficiências, mas são
apenas projetos ainda e, se aparecer
alguma oportunidade, com
certeza a abraçarei”.
A vencedora ainda afirmou que
escolheu trabalhar com a amputação
de membros superiores, pois
“chamou atenção a dificuldade
que a pessoa tem para vestir uma
roupa e a quantidade de adaptações
possíveis para facilitar o
uso”. Para desenhar as duas peças
com as quais participou do concurso,
Brunna realizou pesquisa com
pessoas com deficiência e matérias
sobre o assunto, “começando
a fazer croquis colocando velcro e
elásticos. Após alguns rascunhos,
consegui combinar a elegância
exótica que procurava com as necessidades
que descobri”.
Em segundo lugar ficou Renata
Fambelio Mariano, aluna da Faculdade
Belas Artes, que se baseou
na obra Ensaio sobre a Cegueira,
de José Saramago. A terceira colocada,
Júlia Harumi Sato, aluna
também da EACH, também desenvolveu
uma peça voltada a pessoas
com deficiência visual, com a
inscrição “O essencial é invisível
aos olhos”, em braile.
SEGMENTO POUCO EXPLORADO
O mercado de vestuário para
pessoas com deficiência ainda é
pouco explorado no Brasil, embora
tenha potencial para se tornar
um novo e expressivo segmento.
No Brasil, existem, hoje, 24,6 milhões
de pessoas com deficiência.
Somente no Estado de São Paulo,
são cerca de 4,2 milhões, ou 17%
do total do país. “Trata-se de um
mercado consumidor bastante representativo,
que qualquer segmento
gostaria de ter”, ressaltou
a Secretária Linamara.
Nos últimos anos, esse nicho
vem crescendo na Europa e nos Estados
Unidos. O tema ganha ainda
maior relevância em função da Lei
de Cotas (Lei 8.213/91), que estabelece
reserva de percentual de
vagas em empresas a trabalhadores
com deficiência. O ingresso de
maior volume de pessoas com deficiência
no mercado de trabalho
gera conseqüente aumento de seu
poder aquisitivo e também de sua
demanda por peças de vestuário.
Brunna Novo declarou que decidiu
participar do concurso, porque
“achou uma iniciativa ótima que
luta por uma causa que precisa de
atenção. Não é fácil encontrar no
mercado roupas adaptadas para as
pessoas com deficiência e, quando
elas são encontradas, são muito
caras e feitas sob encomenda”.
As premiações às vencedoras
incluem estágio remunerado na
empresa Vicunha, publicação do
croqui finalista na revista Manequim,
livre acesso ao evento Pense
Moda e credenciais para a São
Paulo Fashion Week.
Voltar
- Topo