Parecer sobre Educação gera Polêmica

O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação, cuja atribuição é formular e avaliar a política nacional de educação, entre outras, aprovou, em junho, o Parecer 13/2009, que dispõe sobre as diretrizes operacionais para o atendimento de educação especial no ensino básico.

O Parecer solicita ao Ministério a regulamentação do Decreto 6.571/08, que institui que a União preste apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência (...) matriculados na rede pública de ensino regular. O Parecer destaca, ainda que, a partir de janeiro de 2010, haverá a distribuição de recursos do FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) às escolas públicas do ensino regular que atendem crianças com deficiência, com base nos dados obtidos pelo INEP, no Censo Escolar, em março do ano de 2009 (veja boxe).

“A partir de 2010, os alunos com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades/superdotação serão contabilizados duplamente, ou seja, cada aluno da educação especial matriculado em escolas públicas regulares será computado em dobro, aumentando o valor per capita repassado à instituição, possibilitando o investimento na formação continuada de professores, na implantação de salas de recursos multifuncionais e na reformulação do espaço físico. Para que o recurso seja repassado, é necessário que o aluno esteja obrigatoriamente matriculado no ensino regular. Este é o ponto polêmico.

Enquanto o Parecer do CNE destaca que a educação especial não deve ser vista como substituta da “escolarização realizada em classe comum (...), mas sim como mecanismo que viabiliza a melhoria da qualidade do processo educacional”, pais e instituições ditas “especializadas” contestam a obrigatoriedade da matrícula no ensino regular e da presença de alunos com deficiência nas salas comuns.

POLÊMICA SOBRE O PARECER 13

O Parecer 13 contrariou a opinião de entidades que atendem tradicionalmente ao público com deficiência na área de educação, além de alguns políticos, como os deputados federais Maria do Rosário e Eduardo Barbosa e o senador Flávio Arns, esses dois últimos com envolvimento pessoal direto junto a Apae, entidade privada que presta atendimento especializado.

Enquanto o governo aponta para um caminho de educação inclusiva, no qual as crianças com e sem deficiência devem estudar em classes comuns, pais e instituições que atuam na área de educação de crianças com deficiência defendem que as escolas tradicionais não possuem o aparato e a capacidade de realizar esse atendimento, devido a falta de equipamentos e mão-de-obra qualificada. A publicação do Parecer ainda aguarda homologação por parte do Ministro da Educação, Fernando Haddad.

O PARECER SOB A LUZ DA CONVENÇÃO DA ONU

A procuradora da República Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, destaca o artigo 24 da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que trata de Educação de pessoas com deficiência. “Além de reconhecer que os estados devem considerar os direitos das pessoas com deficiência à educação, afirma que para realizar este direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, os Estados Partes devem assegurar um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, garantindo que as pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência”, frisa.

A procuradora é reconhecida defensora da educação inclusiva e também autora da cartilha O acesso de alunos com deficiência às classes e escolas comuns da rede regular de ensino. Ela destaca que “para o sistema ser inclusivo é preciso que os alunos com deficiência tenham acesso aos ambientes comuns”.

Segundo ela, o motivo das críticas é devido a falta de informação. O Conselho Nacional de Educação acaba de dar a sua maior contribuição nessa matéria da educação inclusiva”, defende.

DISTRIBUIÇÃO DE RECURSOS COM BASE NO CENSO ESCOLAR 2009

Pesquisa sobre Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar foi realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 501 escolas públicas do país, nas quais foram entrevistadas 18.500 pessoas, entre alunos, pais, diretores, professores e funcionários. O estudo teve como objetivo prover informações importantes para a elaboração de políticas e estratégias para promover a diversidade e criar, ao mesmo tempo, um ponto de partida para o aprofundamento dos estudos sobre preconceito e discriminação.

A pesquisa mostra que o preconceito e a discriminação estão presentes no ambiente escolar e podem estar associados a diferenças no ensino e no desempenho dos alunos. Das pessoas ouvidas para o levantamento, 99,3% declararam ter algum tipo de preconceito. O tipo de preconceito mais freqüente na comunidade escolar é contra pessoas com deficiência intelectual ou física (96,5% dos entrevistados).

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