EDIÇÃO Nº 35 SET/OUT - 2002

Especial ............................................................Segurança no Trânsito
Prevenção de deficiência e preservação da vida

O Brasil está tendo acesso, desde o dia 16 de setembro, a campanha "Segurança no transporte", com o tema "Como transportar crianças - cuidados no transporte de gestantes", realizada pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Sociedade Brasileira de Pediatria, Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) e Governo do Estado de São Paulo. O objetivo é prevenir acidentes e conseqüências como deficiência e morte. Foram impressos 400 mil exemplares de uma cartilha ilustrada com regras básicas e dicas muito importantes para o transporte de crianças e mulheres grávidas, principalmente no que tange ao uso de equipamento de segurança. Selecionamos algumas dicas e conceitos, desconhecidos por muitas pessoas e imprescindíveis para preservação da integridade física e da vida.

O QUE DIZ A LEI
O Código de Trânsito Brasileiro impõe ações preventivas para evitar desastres e os traumatismos decorrentes do transporte inadequado. O Código é claro: crianças com idade inferior a dez (10) anos devem ser transportadas no banco traseiro (art. 64) e usar, individualmente, cinto de segurança (Resolução nº 15, art. 1º).

O IMPACTO
Qualquer impacto provoca desaceleração brusca e tudo que estiver solto dentro do veículo continuará com a velocidade anterior, sendo projetado, indo chocar-se contra o que estiver na sua frente (painel, volante, bancos).
O corpo da criança, em relação ao do adulto, possui fragilidade maior, por ter tamanho menor e estruturas mais frágeis, sofrendo as conseqüências de um acidente com mais intensidade e gravidade. As regiões mais vulneráveis na criança são a cabeça e o pescoço. Movimentos bruscos e intensos da cabeça e do pescoço, para frente e para trás, podem provocar graves lesões nestas estruturas, com maior freqüência do que no adulto.

O CINTO DE SEGURANÇA
Utilizar de maneira correta o cinto de segurança e a cadeirinha, dispositivos que mantém o passageiro preso no banco do automóvel, é a melhor maneira de proteção num acidente. O uso do cinto do automóvel é indicado somente quando a criança ou adolescente estiver com altura mínima de 1,45m e conseguir sentar-se corretamente no banco do automóvel, com os pés apoiados em seu piso. O cinto deve apoiar-se sempre nas partes ósseas e sua faixa transversal deve passar no meio do ombro e diagonalmente pelo tórax. A faixa sub-abdominal deve ficar apoiada nas saliências ósseas do quadril. Se a faixa transversal cruzar a região do estômago da criança, esse cinto é considerado inadequado. O de três pontos ou mais são recomendáveis. Mas, mesmo o mais simples, é sempre necessário usar o cinto de segurança, que evita a projeção do corpo contra obstáculos.

A GESTANTE
A distância entre a barriga e o volante deve ter, no mínimo, 15 cm. A gestante deve evitar dirigir por longa distâncias, jejum, calor ou frio excessivo e estradas ruins. A faixa diagonal do cinto de segurança deve cruzar o meio do ombro, passando entre as mamas e nunca sobre o útero. Tonturas, inchaço, inflamação ou dor podem impedi-la temporariamente de dirigir. Deve dirigir enquanto estiver bem e parar quando houver desconforto, mal-estar.

A CADEIRINHA
Enquanto o bebê não conseguir sentar-se e manter o equilíbrio da cabeça deve ser utilizado assento tipo concha no banco traseiro, desde o nascimento até a criança pesar aproximadamente 8 kg. Um acompanhante deve ficar ao seu lado durante o percurso.
Qualquer tipo de cadeirinha deve ser sempre instalada ou afixada no banco traseiro pelo cinto de segurança do veículo. A criança deve ser mantida em segurança com o cinto da cadeirinha. A cadeirinha fica inadequada quando a nuca da criança ultrapassa seu encosto. Quando a cadeirinha torna-se pequena, deve ser substituída por um banquinho auxiliar (booster) especialmente projetado para ajuste no banco traseiro, que possibilita o uso do cinto do próprio veículo.

A SEGURANÇA
O local mais seguro dentro de um veículo é o centro do banco traseiro. O cinto é tanto mais seguro quanto em mais pontos se fixar. A criança deve aprender a se comportar dentro do veículo. Crianças inquietas, que se recusam a ficar sentadas e atreladas ao banco, que insistem em viajar de pé, expondo-se a perigos e atrapalhando o condutor (distraindo-o e obstruindo o retrovisor interno) devem ser educadas sobre os riscos destas atitudes. Manuseio de objetos pontiagudos devem ser evitados para impedir engasgamentos ou perfurações. O embarque e desembarque da criança devem ser feitos sempre pelo lado da calçada.

RECOMENDAÇÕES GERAIS
• Usar travas bloqueando a abertura interna das portas traseiras.
• Manter os vidros fechados, deixando apenas uma pequena fresta para ventilação, nos dias quentes.
• Nunca carregar crianças no colo.
• Nunca transportar crianças no porta-malas.
• Nunca colocar mais de uma criança num mesmo cinto. O cinto de segurança é para uso individual

Uso do cinto de segurança é imprescindível

O secretário geral da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Alberto Francisco Sabbag, destaca que a campanha "Como transportar crianças..." acontece em âmbito nacional e nasceu há 3 anos, quando seus realizadores chegaram a conclusão de que o melhor caminho para a prevenção de acidentes e de deficiências e para melhorar a segurança social é a educação. "A cartilha é um instrumento para esclarecer as pessoas sobre a necessidade do uso do cinto de segurança e as conseqüências na falta de seu uso", alerta. Segundo o secretário, os pais, muitas vezes, cedem aos apelos das crianças de não colocar o cinto, mas em caso de acidente pode haver uma lesão muito grave ou até mesmo levar a morte. "Queremos mostrar que o Código de Trânsito Brasileiro obriga que se transporte a criança com segurança", enfatiza.
Estatísticas revelam que mais de 90% dos acidentes ocorrem por falha humana, principalmente pela desatenção no tráfego, seja ao volante ou ao atravessar vias públicas como pedestre. Segundo Alberto, na maioria das vezes, quando se adquire um veículo não se tem orientação de como proceder dentro dele. "Tem gente que leva dez pessoas dentro do carro. As crianças vão ali 'empaçocadas'. No caso de um desastre, as crianças são as primeiras vítimas", ressalta.
A campanha mostra que a gestante também deve usar o cinto de segurança e, após o nascimento do bebê, na saída da maternidade para casa, o veículo que irá transportar mãe e bebê já deve ter um cestinho apropriado, ou seja, o bebê não deve trafegar no colo da mãe. "Temos que estimular a cultura da segurança e não do transporte para prevenir acidentes e deficiências e preservar a vida", afirma.
A cartilha, instrumento da campanha, tem tiragem inicial de 400 mil exemplares e linguagem acessível a todas as idades. Pode ser obtida junto a Abramet: (11) 5539.3700, e-mail: abramet@abramet.org

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