Curso forma agentes para atendimento a cegos em espaços culturais
A Fundação Dorina Nowill para
Cegos realizou, no mês de novembro,
em São Paulo o curso “Acessibilidade
para Deficientes Visuais
em Espaços de Educação Cultural
e Patrimonial”. O curso ofereceu
conteúdo para a formação de agentes
culturais para atendimento de
pessoas com deficiência visual e
desenvolver projetos culturais que
incluam esse público.
Reuniu profissionais e estagiários
de museus, centros culturais,
centros de ciências, galerias de
arte, projetos culturais e oficinas
de artes, além de professores e interessados
em geral dos estados da
Bahia, Pernambuco, Espírito Santo,
Rio de Janeiro e São Paulo. Foi
idealizado e coordenado por Viviane
Panelli Sarraf, especialista em
acessibilidade de museus e centros
culturais.
No curso, foi apresentado um
histórico de como a sociedade lida
com a questão da deficiência ao
longo do tempo, além da apresentação
sobre o uso do braile, gráficos
e imagens em relevo, livro falado e
acessível. Também foram oferecidas
oficinas práticas de “Orientação e
Mobilidade” e “Técnica do Guia Vidente”.
O conteúdo de acessibilidade
apresentou exemplos e parâmetros
de um espaço cultural acessível. Há
previsão de que seja realizado um
novo curso em 2010, voltado para o
turismo cultural.
ACESSIBILIDADE EM MUSEUS E
ESPAÇOS CULTURAIS
Segundo o Artigo 10 do Decreto
5.296/04, que dispõe sobre a
prioridade de atendimento às pessoas
com deficiência e estabelece
normas gerais e critérios básicos
para a promoção da acessibilidade,
“a concepção e a implantação dos
projetos arquitetônicos e urbanísticos
devem atender aos princípios
do desenho universal, tendo como
referências básicas as normas técnicas
de acessibilidade da ABNT”. Isso
deveria garantir a acessibilidade de
pessoas com qualquer tipo de deficiência.
Porém, hoje há no Brasil
mais de 2 mil museus e, segundo
Viviane, mais de 20 estão promovendo
acessibilidade gradualmente.
“Temos mais museus em processo
de se tornarem acessíveis do que
há 10 anos, mas ainda é minoria”,
declara.
EXEMPLOS
Viviane cita museus que são
exemplos de acessibilidade no Brasil,
como o MAM-SP (Museu de Arte
Moderna de São Paulo), que, além
da acessibilidade física, oferece
programas educativos inclusivos. “O
Museu da Casa Brasileira conta com
acervo acessível ao toque e uma visita
educativa inclusiva de excelente
qualidade”, afirma Viviane.
A Pinacoteca do Estado de São
Paulo oferece visitas especiais a sua
Galeria Tátil de Esculturas. Inaugurada
em março desse ano a Galeria
Tátil de Esculturas, reúne 12 esculturas
do acervo que podem ser tocadas
com o acompanhamento de
um audioguia, um equipamento que
descreve as obras aos visitantes
com deficiência visual. A seleção
das obras foi realizada considerando
a indicação de pessoas com deficiência
visual, que participaram de
visitas orientadas ao acervo do museu
nos últimos cinco anos. Além
disso, dimensão, forma, textura e
diversidade estética, que facilitam
a compreensão e apreciação artística
dessas obras ao serem tocadas,
foram outros critérios adotados para
a escolha das esculturas. O percurso
de visitação é orientado por piso
tátil, que permite e indica um caminho
para a exploração das obras
que se encontram nesta galeria.
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