Vítimas da Talidomida ganham direito a
indenização
Após uma batalha de 50 anos, as
pessoas cujas mães tomaram o medicamento
talidomida durante a gravidez
ganharam, em janeiro de 2010,
o direito a uma indenização pelo Estado
brasileiro por danos morais, referente
a deficiência que adquiriram
em função do uso do medicamento.
A Lei 12.190/10 foi sancionada pelo
presidente Lula no dia 13/01. Estimase
que no Brasil, único país do mundo
no qual a Talidomida é vendida, 650 pessoas terão direito à indenização,
número de pessoa que recebem benefício
mensal. Porém, a Organização
Mundial da Saúde estima que 1.000
brasileiros tenham a Síndrome. As últimas
vítimas da Talidomida no Brasil
nasceram em 2006. São cinco crianças
no total, nascidas no Maranhão, Rio
Grande do Sul, Rondônia e São Paulo.
“Na prática, nunca deixou de ser
consumida indiscriminadamente. Por
causa de desinformação, descontrole
da distribuição, omissão do Estado,
automedicação e o poder econômico
dos laboratórios, gestantes com hanseníase
tomaram talidomida e nasceu
assim a segunda geração de vítimas”,
explica a presidente da ABPST.
A Secretaria Especial dos Direitos
Humanos da Presidência da República
(SEDH/PR), por meio da Subsecretária
Nacional de Promoção dos Direitos
da Pessoa com Deficiência (Corde),
atuou desde 2007 em todo o processo
de tramitação do projeto. A indenização
será entre R$ 50 mil e R$ 400
mil, conforme o grau de dependência
resultante da deficiência. Nesse valor
não incidirá cobrança de Imposto de
Renda.
Enquanto em outros países os processos indenizatórios contra os governos
e laboratórios começaram em
1961, no Brasil isso só aconteceu em
1976. A Talidomida, por força da Portaria
nº 354, de 15 de agosto de 1997,
é proibida para mulheres em idade fértil
em todo o território nacional.
Desde 1982, as pessoas vitimadas
pelo medicamento têm direito a uma
pensão mensal no valor que varia de
meio a quatro salários mínimos. “As
limitações, privações e sofrimento
impostos às vítimas não têm preço”,
afirma emocionada Claudia Marques
Maximino, presidente da Associação
Brasileira de Portadores da Síndrome
da Talidomida (ABPST). “Não há dinheiro
que pague pelo que sofremos
na infância, quando não podíamos
freqüentar a escola devido à falta de
acessibilidade; pelas brincadeiras que
não brincamos por falta de pernas ou
braços; ou pelas oportunidades que
não tivemos mais tarde, como o acesso
ao trabalho, aos relacionamentos
e à constituição de nossas próprias
famílias por causa do preconceito”,
explica.
Para Cláudia, este é o segundo
marco conquistado na luta contra a
Talidomida. “O primeiro foi a inserção
de alertas nas bulas de remédios alertando
sobre os riscos de uma série de
remédios para as gestantes”, conta. A
próxima etapa na batalha são as campanhas
para esclarecimento de toda a
população.
TALIDOMIDA
Trata-se de um medicamento desenvolvido
na Alemanha, em 1954,
inicialmente como sedativo. Contudo,
a partir de sua comercialização, em
1957, gerou milhares de casos de Focomelia,
uma síndrome caracterizada
pela aproximação ou encurtamento
dos membros junto ao tronco do feto,
tornando-os semelhantes aos de uma
foca. A ingestão de um único comprimido
nos três primeiros meses de
gestação ocasiona a síndrome, efeito
descoberto em 1961, que provocou
a sua retirada imediata do mercado
mundial. No entanto, em 1965 foi
descoberto o seu efeito benéfico no
tratamento de Hanseníase (antigamente
conhecida como lepra), o que
gerou a sua reintrodução no mercado
brasileiro com essa finalidade específica.
Utilizado durante a gravidez também
pode provocar graves alterações
visuais, auditivos, da coluna vertebral
e, em casos mais raros, do tubo digestivo
e problemas cardíacos.
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