Copa do Mundo: o Brasil se mobiliza para a competição em 2014

No dia 31 de maio de 2009, o Brasil foi anunciado como o paíssede da Copa do Mundo de 2014. Um evento deste porte, bem como as Olimpíadas a serem realizadas na cidade do Rio de Janeiro em 2016, exige melhoria na infraestrutura das cidades anfitriãs, desde modernização de instalações até a garantia de acessibilidade.

Para atender os prazos estabelecidos pela FIFA (Federação Internacional das Associações de Futebol), o Brasil já iniciou algumas obras dos estádios nas 12 cidades-sede e já abre a discussão para o tema.

Acessibilidade

Para a realização de uma Copa do Mundo, o país-sede deve obedecer a uma série de critérios definidos pela FIFA, entre os quais, a acessibilidade nos estádios e no entorno. As construções devem seguir um manual de recomendações disponibilizado pela Federação, bem como a legislação local, como a Norma NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Entre as exigências da FIFA, os estádios devem ter um número mínimo de locais reservados para cadeiras de rodas, bem como condições de acesso para entrada e circulação de pessoas com deficiência nas lanchonetes e banheiros do estádio. A Federação também exige que toda sinalização seja visível e de fácil compreensão.

No Brasil

A Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CORDE), realizou uma Reunião entre os Conselhos Municipais e Estaduais e gestores públicos das Cidades e Estados–Sede da Copa do Mundo de 2014. O encontro deu início ao planejamento e acompanhamento das obras de mobilidade urbana e infra-estrutura – acessibilidade dos estádios, entorno, transportes e rede hoteleira para as competições esportivas do mundo a serem realizadas no Brasil em 2014 e 2016.

O Conade pretende ainda acompanhar o planejamento das licitações e obras, além de contribuir com publicação disseminando conceitos de acessibilidade, como a elaboração de uma Cartilha sobre acessibilidade, produção e distribuição de materiais de divulgação (cartazes, folderes, bonés, camisas, bottons, mochilas, bandeiras), e divulgação em hotéis, bares, restaurantes das cidades-sede da Copa.

Porto Alegre e Cuiabá

Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, foi indicada pelo Conade para servir de modelo para as outras 11 sedes. “Porto Alegre foi a primeira cidade brasileira a concluir o desenvolvimento de um Plano Diretor de Acessibilidade. Queremos fazer da cidade uma referência no tema em termos de preparação para megaeventos como a Copa do Mundo”, afirmou José Fortunati, prefeito de Porto Alegre e secretário extraordinário municipal da Copa.

O estádio de Cuiabá, o Verdão, seguirá o Guide to Safety at Sports Grounds, recomendado pela FIFA, e a NBR 9050. “As intervenções para acessibilidade são ajustes em dimensionamento de corredores, rampas e escadas; sinalização tátil; sinalização e comunicação visual; e nível e qualidade de iluminação”, explica Alessandra Araújo, coordenadora- geral do projeto do novo Verdão.

Ganhos para a sociedade

O especialista em Turismo e cadeirante, Ricardo Shimosakai, explica que o essencial para um estádio atender as pessoas com deficiência são as rampas ou elevadores, dependendo da estrutura física, instalações sanitárias, circulação com rotas acessíveis e sinalização adequada, além do espaço reservado às pessoas em cadeiras de rodas. Para pessoas com deficiência visual, é importante haver mapas táteis do estádio, sinalização em braile e pisos táteis. Por fim, pessoas treinadas para interpretar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é o recurso mais importante para pessoas com deficiência auditiva. “Julgo importante que as informações dos recursos de acessibilidade sejam divulgadas na comunidade de pessoas com deficiência, para estimular a ida aos estádios de quem ainda tem dúvidas”, explica.

Ricardo explica que quando um local investe em acessibilidade para pessoas com deficiência, acaba também atraindo outros públicos. “Pessoas com deficiência geralmente viajam acompanhadas, e se o local não possui acessibilidade, provavelmente está deixando de receber não só pessoas com deficiência mas também seus acompanhantes. Sem contar que a acessibilidade é um item procurado pela terceira idade, segmento que tem ganhado força no turismo nos últimos anos”, conclui.

ÁFRICA DO SUL

Antes do Brasil, a Copa do Mundo acontece este ano na África do Sul. Para receber o evento, o país precisou cumprir as exigências da FIFA para garantir o acesso de todos às partidas. Além das diretrizes, as autoridades locais se basearam em parâmetros britânicos e alemães de acessibilidade em estádios, devido à falta de legislação local referente a esse assunto.

Na Cidade do Cabo, principal cidade do país, os investimentos englobaram as adaptações no estádio, calçadas acessíveis dos pontos de transporte público às arenas e sistema de transporte reformado. “Foram feitos notáveis esforços para assegurar aos visitantes com deficiência chegar não só aos estádios, mas também ao transporte público e a outras instalações”, disse Mariette du Toit-Helmbold, responsável pelo turismo da cidade, citada pelo jornal Cape Argus. Segundo Toit- Helmbold, o Mundial ofereceu à Cidade do Cabo a oportunidade de melhorar não só para o Mundial, mas para deixar um legado às próximas gerações.

A África do Sul possui um total de 2,2 milhões de pessoas com deficiência, segundo o Censo de 2001. Esse número representa 5% da população. Estudiosos avaliam que esse número deve estar abaixo da real população com deficiência no país, devido à maneira como as perguntas foram feitas durante o levantamento. Segundo eles, pessoas com deficiência que trabalham e realizam outras atividades foram excluídas dessa fatia da população.

A deficiência mais frequente no país é a visual (32,1%), seguida de física (29,6%), auditiva (20,1%) e intelectual (12,4%). As principais causas das deficiências na África do Sul são: Violência e Guerra (violência doméstica e minas terrestres), pobreza (condições insalubres de vida), falta de informação (falha na prevenção e tratamento de doenças que podem levar à deficiência), Serviços médicos falhos, estilos de vida não saudáveis, fatores ambientais, acidentes e ambiente social (marginalização e discriminação dificultam tratamento e reabilitação).

A história não registra guerras e minas terrestres na África do Sul, mas a presença de seus habitantes em guerras e conflitos externos, no continente africano, gerou um número expressivo de pessoas com deficiência decorrentes desses fatores.

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