Acompanhamento do desenvolvimento infantil: apoio à família num período muito especial

O nascimento de um bebê, sem dúvida nenhuma, é fator de muita alegria e expectativas entre pais e familiares. Mesmo que outras crianças já estejam na família, a chegada de um recém-nascido suscita uma série de sentimentos, principalmente a quem está diretamente envolvido em sua concepção e nascimento, a mamãe e o papai. Os primeiros anos da infância representam uma fase extremamente importante para o desenvolvimento infantil. Para acompanhar esse período tão especial, a AME oferece o Programa de Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil. Iniciativa da AME em parceria com o Metrus - Instituto de Seguridade Social, há cerca de dez anos, é oferecido aos metroviários, porém restrito ao acompanhamento dos recém-nascidos nas maternidades que concentravam a maioria dos nascimentos. A novidade é que o programa foi ampliado: passa a ser oferecido a todos os metroviários, independente da escolha da maternidade, e o acompanhamento pode se estender até a idade escolar. Saiba, abaixo, como funciona e o que representa essa parceria.


O QUE É

O Programa de Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil propicia a comunidade metroviária apoio e atendimento especializado ao longo do desenvolvimento das crianças, desde o nascimento até a idade escolar. É um beneficio oferecido pelo Metrus, gestor do plano de saúde da Companhia do Metrô, e operacionalizado pela AME. O objetivo é contribuir para a tranqüilidade e bem-estar das famílias assistidas, mediante o acompanhamento atento do desenvolvimento de seus filhos.
Ao nascer, todas as crianças são acompanhadas na maternidade, e os pais recebem orientação quanto a amamen-tação, cuidados com o bebê e informações sobre as principais etapas do desenvolvimento infantil. É realizado levantamento de dados sobre o nascimento, através de uma avaliação das condições gerais do bebê, registros do prontuário médico e outras informações relevantes.
Em função das condições do nascimento, a criança poderá ter o seu desenvolvimento acompanhado até a idade escolar. Muitos fatores podem determinar esse acompanhamento, dentre eles: prematuridade, baixo peso, bebê pequeno ou grande para a idade gestacional, anoxia, etc. Esses fatores não implicam necessariamente em problemas no desenvolvimento, mas são indicadores que inspiram maior atenção. O programa conta com o suporte de uma equipe interdisciplinar com experiência em desenvolvimento e aprendizagem. É um recurso colocado à disposição das famílias para orientação e apoio nas questões relativas ao crescimento de seus filhos.
Em 2002, foram registrados 138 nascimentos nas maternidades até então participantes do programa, dos quais 22, ou seja 16%, permanecem em acompanhamento, sendo que apenas uma criança passou a receber atendimento clínico. Ao todo, hoje, são acompanhadas 52 crianças, das quais seis apresentam atraso no seu desenvolvimento, todas recebendo atendimento compatível com as suas atuais necessidades. A AME utiliza como referência a escala de desenvolvimento Gesell, instrumento que avalia as diversas fases do desenvolvimento infantil.

ACOMPANHAMENTO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Esse acompanhamento se dá ao longo da infância mediante contatos periódicos com a família. A periodicidade dos contatos varia de acordo com a idade da criança, sendo mais freqüente no primeiro ano de vida e se espaçando no decorrer do seu crescimento.
O acompanhamento da criança, baseado na escala de Gesell, permite a compreensão da fase de desenvolvimento em que ela se encontra, tendo como referência as suas aquisições nos aspectos motor, de linguagem e de percepção e interação com o ambiente. Essa análise considera as características e ritmo de cada criança. Por exemplo, aos nove meses, freqüentemente ela engatinha, senta sozinha, apanha objetos pequenos com os dedos polegar e indicador, entende o significado do "não" e brinca de esconder o rosto.
O Programa de Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil conta com a coordenação da psicopedagoga e também coordenadora do Centro de Desenvolvimento Humano, Vera Lúcia Miranda Mattasoglio, e supervisão da médica neuropediatra Dirce Takako Fujiwara.
Segundo a coordenadora, esse atendimento não substitui, mas comple-menta o acompanhamento realizado pelo médico pediatra, que deve ser consultado periodicamente. "O Programa procura orientar a família quando é observado algum atraso no desenvolvimento da criança", afirma. Vera comple-menta que as famílias acompanhadas pelo programa contam com profissionais atentos olhando individualmente para cada criança e preparados para intervir, se necessário.
A supervisora, por sua vez, destaca que o programa visa a intervenção precoce com equipe multidisciplinar. E para tal é importante o diagnóstico precoce. "Isso é possível através de acompanhamento, desde o nascimento, dos bebês considerados de risco. O acompanhamento sendo feito por um profissional com formação em desenvolvimento, como é neste programa, permite a detecção precoce de algum atraso no desenvolvimento e orientação para intervenção, pois os pais, em geral, só percebem alguma alteração quando esta já é muito evidente. E algumas vezes há uma demora para tomar uma atitude diante do problema", afirma, acrescentando que o tempo que se perde entre a detecção e a ação é muito precioso para a estimulação do bebê.
A médica ressalta, ainda, que é nos dois primeiros anos de vida, principalmente no primeiro, que o sistema nervoso está em pleno desenvolvimento e quanto mais estímulos receber, neste período, maior será o desenvolvimento.

AME e Metrus: parceria a serviço da saúde e qualidade de vida

O chefe do Departamento de Assis-tência a Saúde, do Metrus, o médico cirurgião José da Costa Filho, é enfático quando se refere à parceria com a AME. "O aspecto preventivo do programa é fundamental. Por isso, o atendimento foi ampliado para todas as maternidades conveniadas com o Metrus", afirma.
Costa acrescenta que os erros inatos do metabolismo são passíveis de prevenção, por exemplo, a fenilceto-núria. "Pode-se detectar precocemente e tratá-la evitando que as seqüelas afetem a criança", destaca. O médico ressalta que são realizados ao mês, em média, 15 partos, totalizando cerca de 200 nascimentos ao ano.
Para o coordenador da área de planejamento e controle do Metrus, Carlos Alberto da Silva, a ampliação desse benefício aos metroviários é de importância indiscutível. "Com a ampliação, o atendimento será em todas as maternidades conveniadas, cerca de 50". Ele lembra que apenas 90% dos nascimentos são acompanhados, em função da distância da maternidade escolhida, acarretando atraso nas informações que chegam ao Metrus. Nesse caso, a AME presta atendimento após a alta hospitalar.
A psicóloga do Metrus, Alice Maria Rosa não economiza elogios quando menciona a parceria. "Temos acompa-nhado o prestígio da AME nesse mercado que atendemos. É com muito orgulho que fazemos essa parceria para que o Metrus ofereça um atendimento diferenciado aos beneficiários do plano. A qualidade do trabalho da AME irá agregar valor aos nossos assistidos. É uma parceria que me encanta", afirma.
Dr. Costa ressalta que a expressão afetiva da psicóloga está respaldada no fato da AME ter surgido a partir do Metrus, onde eram concentrados os atendimentos às pessoas portadoras de deficiência. "Os atendimentos da AME nasceram dentro do Departamento de Assistência à Saúde do Metrus, portanto há um carinho no relacionamento entre o Metrus e a AME, instituição que vem se reciclando ao longo do tempo, atualizando-se, e profissionalizando-se cada vez mais. Se não fosse assim, a relação afetiva somente não permitiria a parceria", declara.

Acompanhando o nascimento de um bebê

Adalberto Luiz Caetano de Sou-za, engenheiro da Gerência de Planejamento Empresarial da Companhia do Metrô, contava com um filho de 8 anos, o Lucas. Quando a família decidiu ter mais um filho, a esposa, Márcia, então com 35 anos, teve uma gravidez tranqüila. Tudo corria normalmente até o sexto mês, quando houve o nascimento inespe-ra-do da pequena Annielly, hoje com um ano. "Parecia um pacotinho, nas-ceu com 1,7 kg, e nossa luta diária era para ela engordar, sobreviver. A mãe saiu do hospital e a nenê ficou. Foi tudo muito difícil", lembra.
Foi nesse momento delicado que a AME passou a acompanhar o desen-volvimento da filha de Adalberto, através do "Programa de Acompanha-mento do Desenvolvimento Infantil".
"Passamos a receber telefonemas periódicos da fonoaudióloga da AME, que ficou quase como uma amiga nossa, já que passávamos informações detalhadas sobre a evolução dos movimentos de nossa filha. Fiquei surpreso ao ligarem na minha casa e se importarem com ela. Achei fabuloso, quase como um médico de família", ressalta.
Adalberto afirma que após a ocor-rência começou a buscar infor-mações sobre desenvolvimento in-fantil, mas sente-se mais seguro quando seu bebê é acompanhado pela especialista.
Para ele, foi muito importante o apoio de todas as pessoas próximas. "Me apoiei em tudo que tinha de precioso naquele momento: minha família, amigos e colegas de trabalho. Foi um período bastante conturbado".
Hoje, a prematuridade de An-niel-ly não é aparente e seu desenvol-vimento tem sido satisfatório, beneficiado também pelo aleita-mento materno que ocorre até agora.

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