Nova
Comissão de estudos da ABNT: Acessibilidade digital
A Comissão
de Estudos sobre Acessibilidade e Inclusão Digital é o mais
novo grupo de estudos do Comitê Brasileiro de Acessibilidade
(CB40), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
É a quarta comissão formada para tratar de assuntos relacionados
a acessibilidade. A primeira foi a de Meios e Edificações; a
segunda tratou sobre "Transportes" e a terceira está voltada
para assuntos relacionados a Comunicação. O resultado final
será uma minuta, que vai para consulta pública, retorna para
a Comissão de Estudos, para consideração das sugestões, e será
encaminhada para votação dos técnicos da ABNT. Depois de aprovada
transforma-se em norma técnica que ganha força de lei quando
é referenciada no corpo de texto de uma legislação. Sua importância
encontra-se no detalhamento técnico que permite sua aplicação
prática por fabricantes e fornecedores de produtos e serviços.
As Comissões de Estudos centralizam as informações de cada tema
discutido, numa linguagem técnica, mas acessível. Diferente
de uma lei que estabelece que se cumpra ou siga uma determinação,
a norma é operacional, permitindo que os interessados consigam
fazer projetos que atendam a certos requisitos. É tão mais útil
se os órgãos públicos a adotarem como referência na legislação.
A NBR 9050, por exemplo, é citada na legislação que impõe que
edificações públicas obedeçam a critérios de acessibilidade
estabelecidos naquela norma.
A nova Comissão de Estudos sobre Acessibilidade e Inclusão Digital
tem como coordenadora a professora da Faculdade de Saúde Pública
da Universidade de São Paulo (USP), Ana Izabel Paraguay.
A Comissão da ABNT centrará a atenção em questões como materiais
pedagógicos, com interface ou tecnologia que os sustentam, além
de biblioteca virtual, CDRom, livros eletrônicos, suporte de
áudio para leitura de livro impresso, etc. A Comissão também
trata de questões relacionadas a internet, no que diz respeito
a tecnologia acessível, ou seja, web sites acessíveis a todas
as pessoas, considerando as que possuem limitações sensoriais,
físicas e mentais. E vai além: os aparelhos de contatos pessoais,
como celulares e assistentes pessoais eletrônicos, também serão
objeto de atenção. "Na Educação, os materiais didáticos disponíveis
em meios digitais devem considerar a interatividade e a diversidade
do usuário. Também a televisão, hoje, permite uma maior interatividade
com o telespectador, a partir de um menu eletrônico que aparece
na tela, mas os comandos de acionamento, que são manuais, e
seu entendimento, devem ser acessíveis para pessoas que não
enxergam ou não têm destreza. Essa parte tecnológica dos meios
eletrônicos e digitais será estudada pela Comissão", explica
a coordenadora. "Estamos voltados para a inclusão, via tecnologia
da informação para usuários com algum tipo de restrição ou limitação
sensorial, mental ou cultural", completa.
A Comissão de Estudos limita-se a apresentar os critérios de
acessibilidade que devem ser seguidos para atender a todos os
usuários, mas não dá a solução do material a ser utilizado.
"Se vai ser amarrado com barbante, soldado ou colado com chiclete,
essa parte fica com os fabricantes, mas especificamos a função
e requisitos mínimos de comunicação e interação, não importando
qual matéria-prima seja utilizada. O que importa é que não altere
a solução apresentada pela norma técnica", destaca.
Embora a acessibilidade digital esteja voltada também para atendimento
de quem tenha restrição física ou motora, a participação das
pessoas com deficiência visual na comissão é mais intensa, havendo
uma representação maior e mais estável desse segmento. Hoje
participam cerca de 30 pessoas, mas segundo a coordenadora esse
número ainda não se estabilizou, uma vez que foram realizadas
somente duas reuniões. "Todos estão convidados. Agora é o tempo
bom de se pegar o bonde, pois os estudos estão no início", avisa
Ana Izabel.
A Comissão de Estudos sobre Acessibilidade e Inclusão Digital
é aberta, sendo possível a participação de toda pessoa que queira
contribuir para a acessibilidade digital. Não é necessário entender
do assunto, mas é necessária dedicação de quem queira estudar
o tema. As reuniões são realizadas a cada dois meses, na qual
são levados os resultados de leituras e estudos realizados no
período que antecede o encontro. A estimativa é que os encontros
se dêem durante dois anos, aproximadamente.
O próximo será em São Paulo, no dia 1º de julho, das 13:00 às
17:00 horas, na Faculdade de Saúde Pública da USP, à avenida
Dr. Arnaldo, 715, perto da estação Clínicas do Metrô. Outra
possibilidade de participação é em seminários semestrais, que
serão realizados para recapitulação do que está sendo tratado,
permitindo o acompanhamento de quem não possa participar das
reuniões bimestrais. Pessoas interessadas também podem participar
pelo fórum na internet no endereço www.fsp.usp.br/forumfsp
. Há a necessidade de inscrição gratuita no link "Comissão de
estudos de acessibilidade".