Infraero levanta condições de acessibilidade em aeroportos

A Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária - Infraero, responsável pela manutenção de grande parte dos aeroportos brasileiros, assinou, recentemente, um protocolo de intenções, junto a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, do Governo Federal para avaliação e melhoria das instalações dos principais aeroportos do país. A Infraero está presente em 65 Aeroportos e 82 instalações de apoio a navegação aérea, em todo o Brasil. Para tanto, a infraero promoveu em meados de junho passado uma visita ao Terminal de Passageiros do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos - Governador André Franco Montoro, para a qual foram convidadas várias instituições que atuam na área da cidadania das pessoas com deficiência, entre as quais a AME. Também participou a Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, representada por Helcio Rizzi, entre outros, além de representantes do Aeroporto Internacional de Viracopos/Campinas.
O objetivo da visita foi de registrar as observações e apontamentos realizados pelos participantes, para avaliação das instalações de embarque e desembarque daquele aeroporto, incluindo áreas externas, saguões, lojas e serviços, áreas restritas, e simulação de embarque a uma aeronave.
Segundo o superintendente regional da Infraero, Miguel Choueri, além de São Paulo, foram realizadas visitas aos aeroportos de Fortaleza, Brasília, Belém, Goiânia e Recife. O próximo a ser vistoriado é o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão.
Choueri afirma que a Infraero convidou as entidades para conferir as instalações do aeroporto internacional de São Paulo porque está preocupada em buscar um melhor atendimento ao seu público, não apenas em termos técnicos. "Procuramos organizações especializadas e qualificadas para uma visita ao aeroporto para que fossem observadas com detalhes todas as áreas, e levantadas as principais necessidades e expectativas de pessoas representadas pelas entidades, identificando quais seriam os pontos positivos e quais os negativos do aeroporto em relação às necessidades de infra-estrutura para pessoas com dificuldade de locomoção, audição ou visual", destacou, acrescentando que a Infraero "acredita que as entidades, lidando diretamente com as pessoas com deficiência, certamente são as mais sensíveis e preparadas para fornecer tal feedback".
O executivo destaca que o aprendizado decorrente da visita será multiplicado na rede da empresa, por meio de relatório e intercâmbio. Outros aeroportos também realizarão visitas no futuro próximo. "A importância dessa iniciativa é proporcionar mais conforto e satisfação aos nossos clientes que possuem algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida. Mas existem outras vantagens: os nossos empregados ficam mais perceptivos ao seu trabalho e aguçam sua capacidade de colaboração e responsabilidade", explica. Vale lembrar que pelos aeroportos passam milhares de pessoas diariamente e essa iniciativa pode valer como exemplo a outras empresas, além disso, pessoas idosas e gestantes também viajam e podem se beneficiar das melhorias implantadas.

ACESSIBILIDADE

Embora a Infraero esteja preocupada em melhorar a acessibilidade aos usuários do aeroporto internacional de São Paulo, suas instalações já são bastante acessíveis. O aeroporto possui rampas e elevadores; sistema de informação e sinalização acessível à maioria; sanitários espaçosos, incluindo espaço para pessoas em cadeira de rodas, e alguns funcionários são treinados em língua de sinais, a Libras, utilizada pelas pessoas com deficiência auditiva. Possui, ainda, cadeira de rodas; telefone rebaixado para acesso de pessoas de baixa estatura ou sentadas, telefone especial com teclado para pessoas surdas; áreas reservadas para estacionamento de veículos de pessoas com deficiência, nos pisos de embarque e desembarque, entre outros recursos.
Após a visita, Choueri destaca que a próxima etapa é a elaboração de um plano de ação, para implementação das melhorias apontadas no relatório de visita, a partir das sugestões dos representantes das entidades. Esse plano irá abranger desde ações que a Infraero considera simples, como instalação de piso de alerta em obstáculos para uso de pessoas cegas, ou a modificação de alguns detalhes do projeto de reforma dos sanitários; até situações consideradas mais complexas, a serem estudadas, como serviço de atendimento e acompanhamento de pessoas com deficiência, desde a chegada ao aeroporto, ou a elaboração de material informativo em braile.
Entre as necessidades apontadas encontram-se, ainda, semáforo sonoro nas travessias de pedestres, aplicação de pictogramas nas placas de sinalização, alterações em rampas de acesso e mobiliário, acessibilidade nos caixas eletrônicos e comunicação em braile nos elevadores.