Metrô
prepara empregados para atender usuários surdos
Com o objetivo
de aprimorar o atendimento aos usuários surdos do sistema metroviário,
a Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô está oferecendo
aos seus empregados que atuam diretamente na área de atendimento
ao público, um curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Para tanto, o Metrô contratou a AME para treinar seus empregados.
Até o momento, 115 metroviários participaram do curso.
Para o Diretor de Operação do Metrô, Décio Tambelli, a Libras
facilita e melhora a comunicação entre o empregado do Metrô
e o usuário surdo. "Embora o curso não garanta o domínio de
todos os sinais, nossos empregados estão sendo preparados para
atender o usuário surdo em suas diversas necessidades durante
sua viagem de Metrô. Quando prestamos algum tipo de informação
ou orientação ao usuário surdo, usamos da escrita ou pronunciamos
bem as palavras para podermos ser entendidos através da leitura
labial. Agora, com a capacitação dos empregados em Libras, temos
mais uma opção para podemos interagir com os surdos no Metrô",
afirma.
Segundo o diretor, o Metrô sempre se preocupou com a melhoria
constante da qualidade de serviços prestados aos seus usuários.
Ele lembra que, desde 1981, os empregados recebem capacitação
técnica em atendimento, orientação e mobilidade para atender
os usuários cegos, de baixa visão, cadeirantes e com restrição
de mobilidade. "Entre as várias ações implantadas no Metrô para
atendimento ao usuários com deficiência, Libras é mais uma das
implantadas para melhorar o atendimento ao usuário surdo, pois
estamos conscientes de estarmos construindo cada vez mais um
transporte inclusivo", destaca.
Tambelli acrescenta que a satisfação dos empregados em se comunicar
com os surdos, pela língua de sinais, aprimorou o atendimento.
"Há grande interesse dos empregados do Metrô em relação à comunidade
surda, o que os torna mais sensíveis às dificuldades apresentadas
pelos surdos no sistema", declara. Para Geni Aparecida Fávero,
deficiente auditiva e Assistente de Direção de Ensino junto
a Secretaria de Estado da Educação, a Libras é o meio oficial
de comunicação dos surdos. "Alguns escutam com alguma amplitude
sonora, muitos são surdos profundos, significando que eles nem
sempre fazem leitura labial satisfatória, nem decodificam bem
o Português, sofrendo conseqüentes distanciamento e ruptura
do convívio com a sociedade, sem poder exercer a cidadania",
observa.
Geni lembra que a pessoa que nasce surda e não tem acesso a
tratamento adequado não desenvolve a fala. "Todo ser humano
precisa se comunicar e a forma natural, na impossibilidade de
se expressar pela fala, é através dos sinais", destaca, acrescentando
que a Libras é reconhecida por lei como a língua natural dos
surdos. "A complexidade da Libras, e a facilidade e fluência
com que eles se comunicam neste idioma, mostram que os surdos
têm um mundo próprio, ou melhor, uma cultura própria", declara.
Ela observa que os surdos são capazes de ultrapassar a barreira
do som e se comunicar, pensar, criar e recriar o mundo em que
vivem, construindo uma cultura, comunicando-se por imagens,
pelas mãos, pelas expressões faciais e pelo corpo.
ATENDIMENTO
O metroviário
Reginaldo Tenório Cavalcante é um dos empregados que participou
do curso de Libras. Há 16 anos, atua no atendimento a usuários
do sistema. Antes do curso, ele presenciava pessoas surdas que
se aproximavam dos empregados utilizando sinais até então incompreensíveis
para os metroviários. "Outros chegavam com um pedaço de papel
solicitando uma informação, mas a gente não conseguia se comunicar
satisfatoriamente", observa. Reginaldo participou do curso ministrado
pela AME, com mais 20 metroviários de várias áreas, por uma
semana. Os resultados foram percebidos inclusive em âmbito pessoal.
"Particularmente, foi muito bom, devido ao fato de possuir um
sobrinho que é surdo. Por ser um curso compacto, a gente aprende
o básico e, a partir desse aprendizado, passei a me comunicar
com ele, o que não conseguia anteriormente", conta.
Reginaldo acrescenta, ainda, que o aprendizado de Libras é de
suma importância a quem presta atendimento ao usuário. "Há uma
segurança maior do empregado que presta o atendimento. Esse
curso deveria ser oferecido a todas as áreas e empregados da
Companhia que prestam atendimento ao público", opina. Décio
Tambelli ressalta que o Metrô escolheu a AME para ministrar
o curso de Libras porque a Companhia do Metrô buscava uma instituição
que oferecesse bons resultados. "Dada a sua origem, a sua identidade
e sua parceria com o Metrô, além da grande relação com seus
empregados e do conhecimento que tem do modus operandi do sistema
metroviário, a AME foi escolhida por ser capaz de dar a flexibilidade
e a agilidade que o programa do ensino de Libras requer", explica
Tambelli.
Para prestar esse serviço, a AME firmou parceria com o IAPE
- Instituto de Apoio à Pesquisa e Inclusão de Pessoas Portadoras
de Necessidades Especiais. Segundo o diretor do Instituto, Rúbem
Soares, todo indivíduo, para considerar-se cidadão, dentre outros
fatores, é fundamental a comunicação no meio em que vive. "Os
surdos são privados deste direito de comunicação, na medida
em que o conjunto da sociedade não consegue entendê-lo ou fazer-se
entender. Daí a importância da difusão da comunicação em Libras,
a fim de amenizar as relações surdo-ouvinte, estendendo à comunidade
surda o mínimo direito de cidadania", afirma.
O curso de Libras oferecido pela AME é um dos serviços de Consultoria
em Acessibilidade, voltados para a inclusão social de pessoas
com deficiência. Esses serviços são prestados às empresas, órgãos
e instituições que querem tornar acessível o atendimento a seus
clientes. Entre os serviços oferecidos encontram-se:
- Laudo
Técnico para acessibilidade física (avaliação das condições
de acessibilidade de edificações e entorno, incluindo relatório
técnico com diagnóstico ilustrado da situação existente),
- Projetos de Acessibilidade, considerando as adequações físicas
apontadas no laudo técnico,
- Laudo Técnico para acessibilidade digital (avaliação da acessibilidade
de sites na internet, apontando inadequações detectadas nas
páginas e as soluções)
- Capacitação aos profissionais de Tecnologia da Informação
(webmasters, webdesigners e analistas de sistemas).
- Oficinas de Atendimento
- Intérprete de Libras
SERVIÇO
Para mais informações: acessibilidade@ame-sp.org.br
ou (11) 6942.7354 ramal 235