Inserção profissional em Osasco: expressivo aumento na participação de empresas

Osasco, município de São Paulo, registrou o crescimento de 2958% no número de empresas que cumprem a Lei de Cotas, no período entre 2001 e 2004. Muitas na área industrial, com destaque para o setor metalúrgico. O incentivo partiu de um grupo de órganizações locais, liderado pela Subdelegacia do Ministério do Trabalho e Emprego de Osasco e Região. A Associação Comercial e Empresarial de Osasco (Aceo), o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp/Castelo), o Conselho Intersindical de Saúde e Seguridade Social de Osasco e Região (Cissor) e o Espaço da Cidadania estão comemorando os resultados concretos de uma mobilização conjunta.
Segundo Carlos Aparicio Clemente, coordenador do Espaço da Cidadania, em dezembro de 2001, apenas 12 estabelecimentos cumpriam a lei. Já, em setembro de 2004, esse número passou a 355. Nesse período, o número de pessoas com deficiência registradas nessas empresas cresceu 912%, passando de 601 para 6.084. Clemente destaca que esse trabalho foi documentado no livro "Trabalhando com a diferença", lançado no início deste ano pelo Espaço da Cidadania e reeditado pelo Ministério do Trabalho para uma ação nacional visando a inclusão social de pessoas com deficiência. O lançamento do livro, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, ocorreu no último dia 21 de setembro, Dia de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.
Clemente afirma que o crescimento registrado na região de Osasco está ligado a dois fatores principais. Um deles foi a ação da Subdelegacia do Trabalho em fiscalizar o cumprimento da Lei de Cotas. O segundo fator preponderante foi a intensa mobilização da sociedade local. "Diversas entidades e empresas realizaram uma série de eventos sobre o tema, mostrando à sociedade que a contratação de pessoas com deficiência não é nenhum 'bicho de sete cabeças'", afirma.
No caso de Osasco, a mobilização serviu para uma sensibilização não só do empresariado como da sociedade em geral. Prova disso é que empresas desobrigadas a cumprir a lei também estão abrindo suas portas às pessoas com deficiência, conforme Clemente. São empresários que mudaram seu olhar sobre a questão e aprenderam, com essa experiência, que a equiparação de oportunidades independe da deficiência