Revisada norma 14021, da ABNT: acessibilidade sobre trilhos

Acaba de ser aprovada a NBR 14021: "Transporte - Acessibilidade em Trens Urbanos e Metropolitanos", da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em revisão desde 2001. Essa novidade soa como suave melodia a quem já experimentou a falta de acessibilidade em estações e plataformas de embarque de transportes sobre trilhos. Quem possui deficiência ou mobilidade reduzida sabe o que significa enfrentar imensas e obsoletas escadarias de ferro ou madeira, ou ter que vencer aquele vão, no mínimo assustador, entre a plataforma e o trem. Essas características remontam a séculos passados, quando o sistema ferroviário brasileiro foi criado. Naquela época, a acessibilidade ganhava o mesmo tratamento que o dispensado às próprias pessoas com deficiência: era relegada a segundo plano ou não era considerada.
Agora os tempos são outros e cada vez mais o Desenho Universal se apresenta como solução para assegurar o acesso em todos os espaços, atendendo a todas as pessoas, em todos os ambientes, em todas as circunstâncias. Em se tratando de transporte sobre trilhos, essa é a proposta da NBR 14021: acessibilidade a todas as pessoas, entre as quais as que possuem deficiência ou mobilidade reduzida.
Em geral, uma norma técnica estabelece parâmetros e critérios para que fornecedores de produtos e serviços possam uniformizar sua produção. Da mesma forma, a NBR 14021 estabelece critérios técnicos a serem observados para acessibilidade no sistema de transporte sobre trilhos, de acordo com os preceitos do Desenho Universal. Visa proporcionar às pessoas, independentemente de idade, estatura e condição física ou sensorial, a utilização, de maneira autônoma e segura, do ambiente, mobiliário, equipamentos e elementos de transporte metroferroviário.

REVISÃO

Participaram do Grupo de Trabalho (GT) de revisão da norma cerca de 40 pessoas, entre os quais engenheiros e arquitetos de órgãos reguladores, empresas públicas operadoras do sistema metroferroviário e ONGs que atuam junto a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, entre elas a AME.
Segundo a arquiteta Angela Costa Werneck de Carvalho, coordenadora da norma, a revisão da NBR 14021 caminhou paralela a revisão da NBR 9050, que trata de acessibilidade a meios e edificações e foi publicada recentemente pela ABNT. Ela avalia que foi um longo período de discussão, em que todos saíram enriquecidos, além da própria norma. "Todos os participantes se sentem gratificados por terem trocado experiência técnica e aprendido muito no período da revisão", afirma.

CRITÉRIOS

Angela Werneck destaca que para o estabelecimento dos critérios e parâmetros técnicos da NBR 14021, foram consideradas as diversas condições de mobilidade e de percepção do ambiente pela população, incluindo crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência, com ou sem a ajuda de aparelhos específicos, como: próteses, cadeiras de rodas, bengalas de rastreamento, sistemas assistivos de audição ou qualquer outro que venha a complementar necessidades individuais. "Os usuários terão à disposição um transporte de alta capacidade, mais humano e inclusivo, com ambientes acessíveis e pessoal operativo mais gabaritado", ressalta.
Angela observa que por ter sido a primeira norma relativa a transportes a ser revista com os princípios mais modernos do Desenho Universal, poderá servir de parâmetro para as outras, que necessitem de revisão e de elaboração. "Assim, todos os modos de transporte poderão efetivamente promover a inclusão para a população", destaca.
Os novos sistemas de trem urbano ou metropolitano que vierem a ser projetados e construídos deverão seguir as orientações estipuladas na NBR 14021. Para os sistemas já existentes, a norma estabelece os princípios e as condições mínimas para adequação de estações e trens.

Confira o que será acessível em trens urbanos e metropolitanos com a implantação da NBR 14021:

Entorno da estação de trens ou Metrô com guias rebaixadas para usuário em cadeira de rodas, carrinhos de bebê ou de feira, etc.

• Sinalização para o encaminhamento da pessoa com deficiência visual, desde o acesso da estação até o local de embarque na plataforma, com diferenciação de cor e textura no piso

• Escadas com corrimãos e rampas

• Plataformas e locais de embarque e desembarque com sinalização para pessoas com deficiência

• Área para acomodação de cadeira de rodas no interior do trem

• Vias entre estações, para as situações de emergência ou anormalidades no sistema

• Pessoal habilitado para atendimento de pessoas com as diferentes deficiências

• Sinalização sonora para pessoas com deficiência visual e sinalização visual (luminosa) para pessoas com deficiência auditiva para indicar o fechamento iminente de portas, estação em que o trem se encontra, estação para a qual o trem se dirige e lado de desembarque

• Disponibilização, nas estações de trem e Metrô, de mapas com impressão em braile e também em fontes ampliadas, para utilização de pessoa com deficiência visual e com baixa visão