Liberadas
as pesquisas com células-tronco embrionárias: e agora?
Foi sancionada,
recentemente, pelo presidente da República, a Lei de Biossegurança,
segundo a qual as pesquisas com células-tronco embrionárias serão
permitidas, desde que produzidas por fertilização artificial (in
vitro) e congeladas há mais de três anos. No dia 2 de março, a Câmara
dos Deputados aprovou a lei, por 366 votos a favor e 59 contra,
após um período de muita polêmica. Foi, então, encaminhada para
a Presidência, que a sancionou no dia 25 de março. A pesquisa é
considerada pelos médicos como fundamental para o tratamento de
doenças como o diabetes, o mal de Parkinson e Alzheimer.
Essa liberação aumenta a expectativa entre pessoas com deficiência
ou com doenças genéticas de recuperar órgãos paralisados ou com
movimentos e funcionalidade comprometidos, a partir de terapia com
célula-tronco.
Embora as pesquisas com células-tronco estejam em fase também "embrionária",
uma vez que é novidade em todo o mundo, a expectativa das pessoas
com deficiência é constatada nas inúmeras solicitações de informações
sobre o assunto recebidas pela AME diariamente.
O Ministério da Ciência e Tecnologia calcula que cinco milhões de
brasileiros podem ser beneficiados com as pesquisas, uma vez que
as doenças genéticas atingem 3% da população brasileira.
Segundo a geneticista do setor de Genética Humana do Departamento
de Biociências da USP, Mayana Zatz, há centenas de pessoas tetraplégicas,
portadores de distrofia muscular e de seqüelas de paralisia cerebral
ou lesados medulares que procuram o setor para saber suas chances
de recuperação de movimentos e de melhor qualidade de vida e se
oferecem como cobaia para tratamento com célula-tronco. Ela é enfática
quando afirma que somente daqui há uns cinco anos, será possível
conseguir usar essas células, transformá-las em músculos e neurônios.
As células-tronco são capazes de multiplicar-se e diferenciar-se
nos mais variados tecidos do corpo, como sangue, ossos, nervos,
músculos, etc. As dos embriões com até 14 dias são mais eficazes
que as do cordão umbilical, consideradas adultas, e, por isso, limitadas.
As adultas podem produzir alguns tecidos, mas não todos. Somente
as células-tronco embrionárias têm o potencial de formar todos os
tecidos do corpo humano.
A geneticista considera as células-tronco como "verdadeiros curingas",
os quais quando implantados no órgão a ser restaurado, passam a
funcionar como uma de suas células. Por isso, seu potencial terapêutico
é imenso, podendo ser usadas no tratamento de diversas doenças,
como a distrofia muscular, por exemplo.
Ela vem pesquisando as distrofias musculares, desde 1969, e tem
como objetivo principal futuros tratamentos e prevenção de novos
casos, através de aconselhamento genético. Com sua equipe e a colaboração
de amigos e empresários, fundou a ABDIM, Associação Brasileira de
Distrofia Muscular, o primeiro centro de atendimento e convivência
da América Latina.
Possui uma equipe que atende, em média, 100 crianças e adolescentes
por semana, em grupos de pacientes que previamente passaram por
uma triagem no Centro de Estudo do Genoma Humano, da USP.
O Ministério da Saúde já anunciou liberação de verba de R$ 13 milhões
para estudo com 1.200 pessoas que possuem problemas cardíacos e
que poderão ser beneficiadas com esse tipo de terapia celular. Ainda
em 2005, o Ministério, em parceria com o Fundo Setorial de Biotecnologia(CT-Biotec)
do Ministério da Ciência e Tecnologia, apoiará novos estudos com
células- tronco retiradas de cordão umbilical e também de pacientes
adultos, para serem usadas no tratamento de lesões de medula espinhal,
diabetes, doenças neurodegenerativas, regeneração do tecido ósseo,
dentes e pele. Agora, é esperar e ver os resultados.
Serviço
Centro de Estudos do Genoma Humano-USP
Tel.: (11) 3091. 7966 - ramais 215 e 243