Conheça os investimentos do Metrô em acessibilidade, em 2005

Uma rubrica específica no orçamento do Governo do Estado para investimentos em acessibilidade no Metrô de São Paulo é a novidade deste ano. Para acessibilidade, em 2005, serão destinados R$ 6,1 milhões. Roque de Lázaro Rosa, Assistente do Diretor de Operação da Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô, indica que tem havido aumento de pessoas idosas e com deficiência circulando pela cidade. "Há toda uma diversidade de pessoas que têm condições diferenciadas de mobilidade, a população idosa está aumentado e os meios de transporte do jeito que estão ainda oferecem muitos obstáculos, dificultando o acesso às pessoas com mobilidade reduzida", destaca.
Roque lembra que há alguns anos participou de uma reunião com representantes de instituições atuantes na área da deficiência, entre as quais a AME, na qual foram apontadas as necessidades de acessibilidade no sistema metroviário. Segundo ele, essa reunião já era representativa e nortearia uma das prioridades da Companhia, que é o acesso e circulação de seus usuários no sistema. "Além disso, sabemos que todos envelhecemos e que estamos sujeitos a algum tipo de limitação de mobilidade. Todas as pessoas devem ter assegurado o acesso ao transporte. O mercado de trabalho passa a contar, cada vez mais, com a presença de pessoas com deficiência. Por isso é natural que haja investimento significativo nessa área", observa.
No Metrô, há um grupo constituído informalmente para tratar de assuntos relacionados a acessibilidade e que nasceu por iniciativa do Diretor de Operação da Companhia do Metrô, o engenheiro Décio Tambelli. Roque destaca que nesse grupo há o envolvimento de representantes de diversas áreas da empresa, tais como o setor Jurídico, Operação, Manutenção, Projetos e Arquitetura, Projeto Civil, Planejamento, Orçamento, Marketing e Imprensa, entre outros. A AME também faz parte desse grupo. "Todos têm contribuições a dar. Temos trabalhado com a comunidade interessada (pessoas com deficiência e instituições), com os usuários, com Poder o Público e com o Ministério Público, todos por uma única causa: a acessibilidade. A rubrica específica no orçamento do Governo, para investimentos em acessibilidade, foi conseguida graças ao trabalho conjunto desses segmentos, mostrando a importância do acesso a todos nos meios de transporte público de passageiros", afirma.
Roque também participa de um grupo que reúne representantes de Metrôs de cerca de 20 países, entre os quais Hong Kong, Paris, Tókio, Moscou, Berlim, Londres, Madrid, Nova York, México e São Paulo. "Estamos entre os mais densos do mundo, aqueles que transportam mais de meio bilhão de passageiros por ano". Ele afirma que no quesito acessibilidade há metrôs que nascem acessíveis, como por exemplo Tókio, onde o respeito pelo idoso é uma questão cultural. Outros ainda não são tão acessíveis,. "O Metrô sempre esteve preocupado com a cidadania, oferecendo serviços de condução aos usuários com dificuldades de locomoção. Desde o início da operação tivemos pessoas com deficiência visual e física circulando pelo sistema, e sempre lhes foi dado um atendimento diferenciado que tem lhes propiciado mobilidade, mas quanto mais autonomia melhor. Essa é a reivindicação desses usuários", observa.
Para Roque, o Metrô de São Paulo vive um novo momento. Sempre se preocupou com seus usuários, mas nunca investiu de maneira destacada em acessibilidade. "Esse é o século da acessibilidade, percebo isso em todos os locais. Há uma preocupação geral sobre esse assunto", declara.
Segundo o Assistente, o Metrô conta, hoje, com um plano de adequação de suas instalações para acessibilidade em processo de execução. Ressalta que a realização dessas adequações tomam tempo, uma vez que muitas requerem projeto que antecede a obra, outras apresentam complexidade em sua implementação e custos consideráveis. Ele destaca a Linha 1-Azul, que, por ser antiga - existe há cerca de 30 anos - foi construída sem considerar as questões de acessibilidade, implementadas atualmente, uma vez que na ocasião ainda não existiam legislação e normas relacionadas. "Fazer adaptações nessa linha requer alterações estruturais". Por outro lado, as construções mais recentes já estão adequadas, considerando-se a acessibilidade.
Roque destaca que, até o final deste ano o Metrô terá todos os projetos que antecedem a implementação das obras de acessibilidade concluídos.

Confira, abaixo, os itens considerados prioritários pela Companhia do Metrô, e que estão sendo realizados neste ano, segundo o Assistente do Diretor de Operação.

ELEVADORES - Deverão ser instalados elevadores nas estações Sé, Luz, Praça da Árvore, Liberdade, Vila Mariana, Tietê, Santana e Itaquera. A Linha 1-Azul conta com elevadores somente na extensão norte - estações Tucuruvi, Jardim São Paulo e Parada Inglesa, além da estação Armênia. As estações Sé e Luz estão com processo de compra (licitação) em andamento. Praça da Árvore, Vila Mariana e Liberdade já contam com projetos prontos e estão em processo de valoração (verificação de valor de elevadores no mercado). Há projetos em fase de conclusão também nas estações Tietê e Santana. "O grande passo é termos Sé e Luz, duas estações de transferência, com elevadores. Até o final do ano, ou mais tardar no início do próximo, essas duas estações terão elevadores", afirma. Na estação Itaquera já existe um elevador e será instalado outro.

PISO TÁTIL - Será instalado piso tátil de alerta nas 52 estações do Metrô. Este piso possui a função de "avisar" as pessoas com deficiência visual sobre obstáculos e mudanças de níveis, pois possui textura e cor diferenciadas, minimizando o risco de acidentes.

COMUNICAÇÃO VISUAL - Em elevadores e plataformas. Todas as estações em que haja elevadores, haverá comunicação visual informando sua existência e localização, indicando a rota para o elevador.

REBAIXAMENTO DE CALÇADAS - Será implantado nos terminais de ônibus interligados com o Metrô, como Praça da Árvore, Santa Cruz, Vila Mariana, Ana Rosa e Armênia. Na linha 3 - Vermelha, todos os terminais já contam com guias rebaixadas.

INTERCOMUNICADOR - Será instalado nos acessos e plataformas com monitoração por câmera, inicialmente na praça da Sé. Uma pessoa com deficiência poderá pedir apoio de funcionários para acessar as instalações do Metrô ou na plataforma, ao desembarcar do trem. Todos os elevadores já contam com esse recurso.

MAPA TÁTIL - Será instalado, a partir de projeto em realização em parceria com a CPTM e instituições que prestam atendimento a pessoas com deficiência visual. Será um mapa da rede para ser manuseado, instalado em um suporte inclinado, com informações em braile e com tipos ampliados que pessoas com problemas de visão possam se localizar dentro da rede metropolitana.

CORRIMÃOS - Serão instalados corrimãos centrais em escadarias largas em todas as estações.

DENTRO DOS TRENS - Na linha 3 haverá sinalização visual de fechamento de portas. Será também implantada sinalização visual indicando o lado de desembarque. Os trens da Linha 5 (Lilás) e 2 (Verde - Paulista) já contam com local para cadeira de rodas nos carros líderes (que ficam nas extremidades da composição de trens) e sinalização de fechamento de portas, principalmente para os surdos, simultânea à campainha. Esses recursos serão instalados em todos os trens.