AME
faz parceria com o Instituto de Controle do Espaço Aéreo
– ICEA
Pessoas com deficiência atuam em simulação
de vôo e dão suporte em curso de capacitação
A AME acaba de fazer parceria com o Instituto de Controle do
Espaço Aéreo (ICEA), ligado a Aeronáutica
e com sede em São José dos Campos (SP). Há
12 pessoas desenvolvendo a atividade de simulação
de vôo no curso de capacitação de controlador
de vôo, oferecido pelo ICEA, contratadas pela AME. Além
dessas, outras dez serão incorporadas ao contrato, a
partir de 1º de julho, para digitação de
dados climatológicos. Antes da AME, o ICEA mantinha parceria
com outra instituição, mas na renovação
do contrato o Instituto escolheu a AME para seguir com a administração
dos serviços. A AME possui sólida atuação
na área de colocação profissional de pessoas
com deficiência e o capitão Renny Apolinário
da Silva, chefe da Subdivisão de Planejamento do Ensino
do ICEA, vê na atuação da AME junto ao ICEA
um importante passo que reflete a profissionalização
do serviço.
O Instituto abriu espaço para pessoas com deficiência
há cerca de cinco anos, quando foi implantado o Projeto
Eficiência. Esse projeto exigiu uma adaptação
na estrutura do ICEA, que providenciou itens de acessibilidade
como rampas e banheiros adaptados.
O ICEA oferece cursos de Controle de Tráfego Aéreo,
com suporte oferecido pelos profissionais da AME. Um controlador
de tráfego aéreo controla as rotas e o tráfego
no espaço aéreo, transmitindo orientações
aos pilotos das aeronaves, que obedecem ao comando com manobras,
aterrissagem ou decolagem, conforme indicação
recebida do controlador. Na parte do curso que conta com o suporte
dos profissionais da AME, o futuro controlador de tráfego
aéreo participa do seguinte treinamento: em uma sala,
diante de equipamento informatizado, passa orientações
para um pseudopiloto, o profissional da AME, que se encontra
em outra sala, diante de um computador com um software específico
que simula o vôo de uma ou mais aeronaves. Essa pessoa
recebe a orientação, via comunicador (headphone),
e executa, em seu computador, o comando recebido, simulando
uma operação de vôo. Na outra sala, o aluno
visualiza a execução da ordem transmitida.
Segundo o capitão Renny, os profissionais têm desempenhado
muito eficientemente essa atividade, que, a princípio,
parece complexa a pessoas que não possuem familiaridade
na área. O trabalho realizado pelos profissionais da
AME é uma atividade que exige treinamento específico.
“Não encontramos no mercado outras pessoas já
preparadas para isso a não ser no próprio comando
da Aeronáutica. No ICEA, precisamos treinar pessoas para
realizar essa atividade”, destaca o capitão. O
tempo necessário para treinamento é de 3 meses.
Há o período de aprendizado do manuseio do software,
fraseologia (terminologia) padrão empregada pelos controladores
e pelos pilotos e conhecimento básico sobre as atividades
do controlador de tráfego aéreo, para que possam
entender e responder as orientações do controlador.
Os simuladores recebem também conhecimentos básicos
de inglês técnico, constante na fraseologia utilizada
no simulado.
Segundo a major Sonia Maria Herrera de Araújo, os profissionais
com deficiência desempenham bem o trabalho, gostam do
que fazem e interagem bem com todas as pessoas, civis ou militares.
“O que eles trazem para a gente é uma experiência
muito boa. Temos crescido com eles, pois estão sempre
motivados”, destaca.
O oficial superior reformado, Anilton Mendes, trabalha no ICEA
há cerca de 30 anos e é um dos responsáveis
pela inserção das pessoas com deficiência
no Instituto. Ele conta que tudo nasceu quando visitou uma entidade
americana, há mais de 20 anos, e viu pessoas com deficiência
trabalhando entre os demais. “Voltamos para o Brasil pensando
em adotar a idéia. No começo, o projeto exigiu
muito trabalho, mas o resultado compensou”, observa, completando
que alguns dos profissionais, inclusive, se destacam.
COMEÇO
Márcia ficou deficiente há um ano e meio, em decorrência
de um acidente de carro, perdeu a mão e um antebraço.
“Até então, não sabia o que era ser
deficiente, nem eu nem minha família, a gente passou
a conviver, bola pra frente, temos que correr atrás dos
direitos e oportunidades. Antes trabalhava como autônoma,
dava curso de artesanato, com o acidente na mão tive
que parar, pois passei a usar prótese. O ICEA foi uma
porta que se abriu completamente diferente, um mundo novo”,
destaca.
José Roberto Oliveira possui deficiência nos membros
inferiores em função da mielomelingocele, desde
a infância. No começo, como a maioria, achou difícil
a função, por ser um ramo completamente diferente.
“Achava que era só para militares mas vi que é
para civis também. O ICEA acreditou e investiu na gente.
O deficiente só tem experiência se alguém
investir nele primeiro”, observa.
O INSTITUTO
O ICEA possui três missões na Aeronáutica:
capacitação técnica profissional aos recursos
humanos do SCAB – Sistema do Controle do Espaço
Aéreo Brasileiro; desenvolvimento de projetos de interesses
do SCAB, de tecnologia da informação, que dão
suporte ao sistema de controle do espaço aéreo
brasileiro; e o embrionamento de órgãos operacionais
que ainda não têm uma atividade totalmente definida
e que precisa ser desenvolvida, passando por processo de maturação
do conceito para o qual são desenvolvidos. O trabalho
das pessoas com deficiência se encaixa no primeiro item.