Acidentes de trânsito podem elevar índices de deficiência

O tempo passa e o mundo evolui, novas tecnologias são inventadas, para conforto e deleite da humanidade. No campo dos automóveis e motocicletas, há crescente evolução sobre duas ou quatro rodas. Por outro lado, percebe-se também uma outra evolução, não tão positiva: os acidentes de trânsito. Em se tratando de moto, as mortes ou lesões graves são quase sempre certas, em função da exposição direta do corpo ao impacto. Segundo o médico da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, Alberto Francisco Sabbag, motocicleta é o veículo mais perigoso do mundo, por exigir do condutor equilíbrio e atenção, simultaneamente.
Cresce-se a inventividade humana na sofisticação dos veículos, tornando-os objetos de cobiça e sonho de consumo, por outro lado, cresce também o índice da frota automobilística no Brasil e, por conseguinte o número de acidentes decorrente desse acréscimo. O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) revela, em seu anuário estatístico, que em 2002 a frota brasileira contava com 34.284.967 contra 29.503.503, no ano 2000, registrando crescimento de 7 a 8% ao ano. Em relação ao número de condutores há, hoje, cerca de 35 milhões, dos quais 25,9 milhões são homens e 9,1 milhões, mulheres.
Se os números avançam em relação a presença de automóveis pelas rodovias, avenidas e ruas brasileiras, isso acontece também em relação a acidentes. Anualmente registram-se perto de 340 mil acidentes com vítimas sobreviventes. Não há estatísticas precisas sobre o número de pessoas que ficam com deficiência em relação a esses desastres no trânsito, mas sabe-se que é preocupante. O médico afirma que a principal causa externa da deficiência adquirida é acidente de trânsito. A primeira é a violência interpessoal e em terceiro lugar estão os acidentes de trabalho e domésticos.
Segundo o especialista, cerca de 25% das pessoas feridas em acidentes de trânsito ficam com seqüelas importantes, como perda de movimentos, órgãos ou dificuldade de locomoção. “Dependendo da região atingida, tanto mais grave será a seqüela”, afirma Sabbag. As lesões mais comuns são as que acometem o crânio, a coluna cervical e os membros. Tórax e o abdômen são os menos atingidos por estarem presos pelo cinto de segurança.
Entre as deficiências mais freqüentes, o médico destaca a lesão cerebral, gerada pelo trauma craniano, com perda da fala e condições de controle do restante do organismo. As lesões na coluna geram paraplegia e tetraplegia e quando há forte impacto nos membros, amputação.
Entre as vítimas fatais, registram-se cerca de 250 mil. Os principais motivos são colisão, capotagem, choques em objetos fixos e atropelamentos. Uma vítima do trânsito que poderíamos destacar e que ficou com sérias lesões é o conhecido comentarista esportivo Osmar Santos.

DIREÇÃO PREVENTIVA

Alberto Sabbag, que é também secretário do Comitê Brasileiro de Acessibilidade (CB 40) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ressalta que a direção preventiva ou defensiva é importante medida para atenuar o índice de acidentes de trânsito.
“Direção preventiva é prevenção primária, básica, para a saúde no trânsito. Os traumas decorrentes de acidentes são repentinos. O importante é preveni-los”, destaca.
Segundo o secretário da ABNT, vários fatores compõem o que se chama de “direção preventiva”, entre os quais: o humano (intelectual e comporta­mental), condições do motorista, do veículo e da via (estrada, rua) e a engenharia viária (passarela de pedestre, mureta que divide a pista). No fator humano, o consumo de álcool é o principal vilão. “Um motorista embriagado se expõe a mais riscos do que a pessoa sóbria”, afirma Sabbag. Segundo ele, quando alcooli­zado, o motorista tem seu intelecto entorpecido e conseqüente redução no reflexo.
Evitar o consumo de álcool, ao dirigir, é parte integrante da direção preventiva. Outro fator preponderante é em relação a pessoa idosa. É necessário observar se o consumo de medicamento pode levar a sedação ou mal-súbito (tontura, desmaio). “Há pessoas que podem dormir ao volante, após ingestão de sedativo”, alerta, acrescentando que também na terceira idade, o reflexo é diminuído e há possibilidade de se criar situações perigosas.
Em relação ao comportamento, Sabbag destaca, ainda, a falta de controle no trânsito, geralmente estimulada pelo consumo de álcool ou drogas. “Há pessoas altamente educadas que ficam furiosas no trânsito, e se envolvem em brigas e discussões desnecessárias”, destaca.
A direção preventiva, em resumo, é um auto-exame realizado pelo motorista, uma revisão geral, a exemplo do que se costuma fazer com o veículo. Antes de começar a dirigir a pessoa faz um auto-check-up, verificando, inclusive, se está de ressaca, pois qualquer mal-estar faz com que haja prejuízo em sua capacidade de dirigir, diminuindo seu desempenho. Tem, ainda, que checar as condições climáticas, que podem alterar a capacidade de visão sob chuva, sol, neblina, etc. e de acessórios como cinto de segurança, cadeira de transporte, capacete e roupa especial para ciclista, air bag (balão que infla automaticamente e protege passageiro e motorista de fortes impactos), etc.

Serviço
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