Tênis sobre rodas: desafio vencido por uma campeã na modalidade
Natalia Mayara, atual 2ª melhor
tenista junior do mundo, é uma das
apostas para 2016
O tênis não é um esporte popular
no Brasil. Muitos brasileiros, principalmente
os mais jovens, somente
pararam para prestar atenção no esporte
quando Gustavo Kuerten, com
seus saques que ultrapassavam os
200 km/h, desbancou o espanhol
Sergi Bruguera, por 3 sets a 0, e
faturou Roland Garros em junho de
1997, ou então quando o Guga dava
entrevistas, após suas vitórias,
abraçado com a bandeira brasileira.
O fato é que após a fase gloriosa
do maior tenista brasileiro de todos
os tempos, o esporte voltou a ser
esquecido pela grande mídia e pouco
comentado pela população.
Nesse cenário, pensar em praticar
tênis adaptado para pessoas em
cadeira de rodas no Brasil seria um
mero sonho, certo? Não para a pernambucana
radicada em Brasília,
Natalia Mayara, 16 anos.
A jovem atleta do tênis em cadeira
de rodas, que compete na
categoria de Juniors, já tem um
currículo de gente grande. Ganhou
diversas partidas e coleciona títulos
importantes: 4 de simples e 8 de
duplas, válidos pela NEC Whelchair
Tennis Tour (Circuito Mundial de Tênis
em Cadeira de Rodas). Resultados
que garantiram o segundo lugar
no ranking mundial Junior de tênis
e o reconhecimento do Comitê Paraolímpico
Brasileiro que considera
Natália como uma grande aposta
para as Paraolimpíadas de 2016.
O tênis em cadeira de rodas tem
basicamente as mesmas regras e
objetivos do tênis praticado por
pessoas sem deficiência. Pode ser
em dupla ou simples. As necessidades
para se praticar o esporte são
basicamente as mesmas: raquetes,
bolinhas, uma quadra retangular
com 23,77 m de comprimento por
8,23m de largura, uma rede central
com 0,915m de altura, demarcação
de linhas laterais, de fundo e linhas
de serviço que ficam paralelamente
a 6,4m da rede e são divididas ao
meio, formando duas quadras.
O único requisito para que uma
pessoa possa competir no tênis em
cadeira de rodas é ter sido clinicamente
diagnosticado uma deficiência
relacionada com a locomoção.
Dessa forma, se o indivíduo não
pode se deslocar correndo com as
próprias pernas pela quadra ele está
credenciado para participar de torneios
para cadeirantes. No caso, o
esporte é dividido, ainda, em duas
categorias: “quad”, na qual o atleta
deve ter comprometimento funcional
em três ou mais extremidades e
a categoria “open”, em que o atleta
tem comprometimento dos membros
inferiores.
A jovem Natalia Mayara é a
maior esperança para as Paraolimpíadas
de 2016. “Ela é uma menina
de grande talento. Se bem trabalhada
pode ter grandes conquistas na
carreira, como o almejado ouro nos
Jogos de 2016. Essa geração será
responsável, também, por desenvolver
e divulgar o esporte paraolímpico
no Brasil,” avaliou Wanderson
Cavalcante, técnico da Natalia
e da seleção masculina brasileira de
tênis em cadeira de rodas.
E toda essa expectativa não é à
toa. Em 2010, a tenista trouxe para
o país o vice-campeonato do Masters
Cup Juvenil, torneio que reuniu
apenas os quatro melhores tenistas
em cadeira de rodas do mundo. Foi
a primeira vez que o Brasil teve representante
na competição. A garota
repetiu a façanha neste ano, e
novamente sagrou-se vice-campeã.
No torneio de duplas foi campeã, ao
lado da colombiana Maria Angélica,
ao derrotar por duplo 6/0 a dupla
Mankgele Mabel, da África do Sul e
Busra Um, da Turquia.
O amor pelo esporte fica evidenciado
nas palavras da atleta: “Hoje
o tênis significa boa parte da minha
vida, porque foi através dele que eu
tive minhas maiores conquistas e
realizações. Meu sonho é o mesmo
de todo atleta, que é estar no topo,
ser a número um do ranking mundial
adulto feminino e ser reconhecida
por isso”, afirma Natalia.
Principais torneios
»» Brasília Open de Tênis em Cadeira
de Rodas,
»» Marie & Jean de Tênis em Cadeira de Rodas,
»» O Circuito Brasileiro de Tênis em
Cadeira de Rodas,
»» Copa do Mundo de Tênis em Cadeiras
de Rodas e Olimpíadas
Informações: Comitê Paraolímpico Brasileiro -
Fone: (61) 3031-3030
A história do esporte:
| 1976 |
Nos Estados Unidos, por Jeff
Minnenbraker e Brad Parks
foi criado o esporte. Eles
construíram as primeiras cadeiras
adaptadas para o jogo
e difundiram em seu país |
| 1977 |
Ocorreu o primeiro torneio
pioneiro, em Griffith Park, na
Califórnia |
| 1985 |
O primeiro tenista brasileiro
em cadeira de rodas foi José
Carlos Morais quando foi à
Inglaterra para competir
pelo campeonato de basquete
em cadeira de rodas |
| 1988 |
Foi fundada a Federação
Internacional de Tênis em
Cadeira de Rodas (IWTF).
Nesse ano, o esporte estreou
nas Paraolimpíadas de Seul. |
| 1991 |
A entidade foi incorporada à
Federação Internacional de
Tênis, hoje é a responsável
pela administração, regras e
desenvolvimento do esporte
em nível global |
| 1992 |
O esporte passou a valer
medalhas nas Paraolimpíadas
de Barcelona |
| 1996 |
O Brasil estreou nos Jogos
Paraolímpicos, em Atlanta,
com Morais novamente como
pioneiro e Francisco Reis
Junior. |
| 2004 |
Na Paraolimpíadas de
Atenas, Mauricio Pommê
e Carlos Santos, o Jordan,
representaram o país. |
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