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Emprego na rede - Lei de oferta e
procura ganha estilo digital
Reportagem: Site Sentidos
As ofertas de vagas de emprego que surgem diariamente nos
inúmeros canais de visibilidade pública diminuem cada vez mais, fazendo
engordar as estatísticas de desemprego no país. O Brasil tem hoje cerca 12
milhões de desempregados, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Em 1989, este número era equivalente a 1,8
milhão. A palavra concorrência virou sinônimo de maldição no vocabulário de
pessoas que estão nesta situação e a Internet aparece neste cenário como um
canal capaz de aumentar ainda mais esta concorrência.
A possibilidade
de disponibilizar currículos ou vagas de empregos para um grande número de
pessoas é possível através da Internet. Hoje há vários sites voltados para a
área de recursos humanos que têm como conteúdo bancos de dados com inúmeros
currículos de profissionais e anúncios de vagas oferecidas por empresas de
diversas áreas. Esta nova forma de procurar emprego e empregados diminui os
custos de ambas as partes envolvidas no processo e aumenta sua praticidade.
Mas, se por um lado a internet faz com que as empresas encontrem seus futuros
contratados com maior velocidade e com melhor expectativa em relação ao perfil
profissional, por outro, ela multiplica o número de concorrentes para quem
está procurando uma colocação.
O diretor do www.curriculum.com.br, Maurício
Abrireli, acumula no banco de dados de seu site cerca de 500 mil cadastros de
currísculos profissionais. O site Curriculum permite que as pessoas se
cadastrem gratuitamente cobrando das empresas/clientes o acesso ao banco de
dados de profissionais. "A grande vantagem para a empresa é que ela pode fazer
uma pré-seleção, filtrando no banco de currículos somente os perfis que lhe
interessam", afirma Abrireli. Se um empresário quiser contratar, por exemplo,
uma secretária bilíngüe, que tenha curso superior, com idade entre 21 e 35
anos, residente na cidade de São Paulo e que tenha noções de informática; ele
encontrará no site da Curriculum 218 opções. Este número pode ir diminuindo ao
passo que o empregador acrescente mais itens de qualificação durante a
pesquisa. Segundo Abrireli, a possibilidade de efetuar uma busca de
profissional pela Internet é uma grande evolução também para o setor de RH.
"Acabaram as pilhas enormes de currículos ou as filas de candidatos na porta
das empresas. Hoje a pessoa tem possibilidade de convocar apenas quem ela sabe
que está dentro do perfil procurado", explica.
Administre seu
currículo Disponibilizar o currículo profissional no maior número de
sites possível e buscar atualizar sempre os dados informados é uma boa forma
de aumentar as chances de ser visualizado meio às dezenas de opções que os
selecionadores encontram quando acessam os sites. O cuidado na hora de
preencher o cadastro também é importante, sendo que cada informação digitada
pode significar um critério positivo ou negativo durante as seleções.
Jordi Wiegerinck, vice-presidente da Gelre, empresa de recrutamento e
seleção de pessoal que disponibiliza o cadastro gratuito de profissionais em
seu site e que tem mais de 640 mil currículos cadastrados, dá uma dica para
quem já está com emprego garantido. "Mesmo empregado você deve estar sempre
atualizando seu currículo na internet, é uma forma de se valorizar no mercado,
pois, caso você receba convites de outras empresas, poderá negociar promoções
ou aceitar outras ofertas. Agora, se você não estiver sendo chamado para nada,
deve começar a se preocupar. Significa que se um dia você for mandado embora
será muito difícil uma recolocação", conta. O anúncio de vagas em jornais
também é utilizado pela Gelre. Wiegerinck explica que algumas áreas
profissionais não são alcançadas pela internet, devido ao problema da exclusão
digital "Estamos engatinhando em relação à internet, vários perfis precisam
ser anunciados em jornais por se tratar de pessoas que não têm acesso a rede.
No futuro, todo profissional, de qualquer área, terá seu currículo
disponibilizado".
Espaço para pessoas com deficiência Tanto
o Curriculum quanto a Gelre, têm uma área específica em seus sites para
portadores de deficiência. A regulamentação da popular ´Lei de Cotas`, que
estipula cotas mínimas de contratação de pessoas com deficiência nas empresas,
impulsionou o aumento de oferta de empregos para este público. No entanto,
além da exclusão social que sofrem estas pessoas, números comprovam que elas
também fazem parte de um grande número de brasileiros que não têm acesso a
internet. No site da Catho para portadores de deficiência, por exemplo,
existem 602 vagas anunciadas para apenas 74 cadastrados, o que não significa
que estas pessoas tenham emprego garantido, pois outro problema dificulta a
contratação: a falta de qualificação profissional.
A Catho cobra 20
reais mensais para que o portador de deficiência possa disponibilizar seu
currículo no site, sendo que para outros perfis de profissionais este valor
chega a 40 reias. Adriana Fernandes, gerente do site Catho para PPDs, garante
que "quem não utiliza a internet hoje como forma de colocação no mercado pode
estar perdendo grandes oportunidades". Sobre o aumento da procura por
profissionais portadores de deficiência, Fernandes afirma que as ofertas de
vagas estão crescendo dia a dia no ambiente empresarial, o que também
demonstra o amadurecimento da noção sobre responsabilidade social."Por outro
lado, encontramos também empresas que padecem de falta de vontade e que,
quando contratam um portador de deficiência, o fazem apenas para cumprir o que
a lei as obriga, não pensando em possíveis adaptações dentro da empresa".
O que pensam as empresas É unânime a opinião sobre as
vantagens da internet: diminuição de custos, agilidade no processo e captação
de profissionais com um perfil mais adequado. Paulo Vicente Grupe,
selecionador de pessoal do CPQD (Centro de Pesquisas de Desenvolvimento em
Telecomunicações) de Campinas, acrescenta ainda que a Internet se tornou uma
ferramenta indispensável de seleção para as empresas. Tendo atualmente 1000
funcionários contratados e mais 1000 terceirizados, o CPQD ainda conta com um
banco de currículos particular de 10.000 candidatos a uma possível vaga dentro
da empresa. "Quando abre uma vaga, procuramos o profissional entre as pessoas
que se cadastraram no site do CPQD e também disponibilizamos a vaga em sites
de seleção profissional que oferecem serviço gratuito para a empresa", explica
Grupe.
A consultora interna de recursos humanos da 3M do Brasil,
multinacional que atua em diversas áreas e fabrica produtos como o Post-it e a
esponja Scotch-Brite, Márcia Oliveira Lopez, conta que este ano a empresa já
contratou 74 funcionários utilizando sempre a internet. No site da 3M também
existe um banco de dados onde os candidatos podem se cadastrar, sendo que este
banco já acumula 35.600 cadastros profissionais. "Fazemos a busca em nosso
próprio banco de dados, se não encontramos, anunciamos a vaga em sites que
disponibilizam a pesquisa gratuita de currículos para as empresas".
Selecionados os currículos que correspondam ao perfil da vaga, as
empresas têm ainda a possibilidade de fazer uma primeira entrevista via
e-mail. Desta forma, na hora da convocação para a entrevista pessoal, que é a
única etapa do processo que a internet não pode substituir, os candidatos
serão mais seletos e de maior qualidade profissional.
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