MEC aposta no fim das classes especiais para promover a inclusão
Qual foi sua maior dificuldade no colégio? As pessoas podem lembrar das equações matemáticas, das conjugações dos verbos irregulares, da complexidade de relacionar os acontecimentos históricos ou mesmo das fórmulas de física ou química. Mas, para cerca de 800 alunos matriculados nas escolas de Santa Maria, os problemas relacionados à educação começaram bem antes de a lição do dia ser escrita com giz no quadro.
Esse é o número de pessoas com deficiência que estudam nas escolas públicas de ensinos Médio e Fundamental da cidade. Para eles, o colégio está em transformação. E nem todas as mudanças estão sendo bem-vistas por alunos, pais e educadores.
O que está causando uma série de discussões na área da Educação Especial é a Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela foi criada em 2006 e assinada pelo Brasil e por mais 196 países, em março de 2007. O documento prevê que as pessoas com deficiência sejam matriculadas no ensino regular. Em resumo, ela decreta o fim das classes especiais.
Apesar de sua importância, a convenção não é uma lei. Mas, em 2 de julho deste ano, o Senado formalizou o comprometimento do país com a proposta. O Ministério da Educação (MEC) está determinado a seguir na direção da inclusão das pessoas com deficiência na escola regular. Para dar suporte ao ensino delas, haveria o apoio pedagógico em turno inverso ao das aulas por um educador especial.
Em Santa Maria, o comprometimento do MEC assumiu caminhos diferentes: o Estado manteve as classes especiais, e o município fechou todas no começo deste ano letivo. O fechamento criou polêmica. Muitos pais e até professores estão descontentes porque não existiriam educadores especiais suficientes para todas as escolas. Também faltam rampas de acesso e material didático especializado em alguns locais.
Vida real - No meio dessa confusão, estão alunos como Jonathas de Oliveira, 9 anos, que tem paralisia cerebral. O garoto e a mãe dele, Ana Paula Kuplich de Oliveira, vieram morar em Santa Maria só para que ele pudesse estudar já que, por ter deficiência, ele perdeu a vaga em uma escola de Erechim.
Ao procurar a Secretaria de Educação de Santa Maria, Ana Paula descobriu que, nas escolas municipais, o filho poderia ser incluído no ensino regular. Na prática, nem tudo foi tão bom como parecia. A primeira professora que atendeu o menino não teria conseguido superar a dificuldade de ensiná-lo. De acordo com Ana Paula, ela ficava muito nervosa e chorava na frente dele.
Jonathas trocou de escola. O garoto, que há três anos não conseguia dizer uma palavra, agora está se alfabetizando. Para Ana Paula, a conquista do filho é uma vitória:
- Estou cursando Pedagogia e quero fazer Educação Especial para ajudar meu filho e outras crianças.
A mãe, que se diz uma defensora da inclusão, acha que ainda há muito a ser feito para que a modalidade dê certo. As mudanças, segundo ela, não dependem só dos governos, mas de pais e professores, que estão em contato mais direto com as pessoas com deficiência.
- Passei quase um mês indo todos os dias com ele à aula. Os pais não podem pensar que vão abandonar os filhos na aula, e o professor vai fazer tudo sozinho. Para uma criança como o Jonathas, é fundamental ter pais participativos - afima Ana Paula.
Nesta e nas próximas três páginas, você verá como a inclusão está acontecendo na cidade e conhecerá exemplos que deram ou não certo.
Fonte: Diário de Santa Maria http://www.clicrbs.com.br/jornais/dsm/jsp/default2.jsp?
Com o objetivo de debater a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência através do uso das novas tecnologias, o Recife sediará o I Congresso Muito Especial de Tecnologias Assistivas e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência de Pernambuco, de 4 a 7 de novembro. São esperados cerca de 500 profissionais entre acadêmicos, empresários, políticos, pesquisadores, pessoas com deficiência e demais interessados. As inscrições para o evento, promovido pelo Instituto Muito Especial com o Ministério da Ciência e Tecnologia, são gratuitas, e podem ser feitas no site do congresso.
Nos quatro dias de programação, serão debatidos temas como Tecnologia e Inclusão Social e Tecnologia Assistiva, que consiste em recursos e serviços que proporcionem a ampliação das habilidades funcionais das pessoas com deficiência, como os softwares que lêem a tela do computador para os deficientes visuais, o mouse ocular para tetraplégicos e a bengala eletrônica, entre outros equipamentos que proporcionam mais acessibilidade, independência e inclusão.
Fonte: JC On Line: http://jc.uol.com.br/2008/10/20/not_182748.php
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