Chegou a hora de profissionalizar o movimento social de pessoas com deficiência
Marco Antônio Pellegrini*
O ano de 2008 certamente deixou saudades. Será difícil superar tantas ações
sucessivas. A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo foi criada no mesmo momento da Consolidação de Leis que envolvem este mesmo seguimento social. Foi delicado e necessário conseguir o Veto Parcial à Consolidação e ter o compromisso de participação de todos na revisão. Foi um voto de confiança que os representantes da sociedade civil depositaram em nós, recém empossados interlocutores governamentais.
Em seguida liderei uma missão do Estado de São Paulo que se somou a outras forças no Congresso Nacional em prol da aprovação da Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Vibrei com o resultado, pois embora tenha sido um processo tenso e exaustivo, foi gratificante. A aprovação com status Constitucional municiou a busca pela inclusão com “chumbo grosso”. Meta atingida, mergulhei na coordenação, dividida
com a Flavia Vital, do Encontro dos Países de Língua Portuguesa pela Implementação da Convenção. Reunimos atores que se destacaram no processo de construção da Convenção. O time deu uma aula histórica, e a troca, principalmente com os pares que vieram do Continente Africano, provocou uma reflexão profunda. Um encontro com avaliações muito positivas, acima da média. Outro acontecimento com riqueza de trocas e conhecimento foi a Reunião das Altas Autoridades em Direitos Humanos do Mercosul, que aconteceu em Porto Alegre (RS). Também estive em Dusseldorf, Alemanha,
na RehaCare, uma Feira de produtos e serviços para pessoas com deficiência.
Integrei a Missão brasileira na ONU, em Nova Iorque, que atuou na eleição do Comitê de Monitoramento da Convenção. Foram muitos encontros com Missões de outros países, relações interessantes. Fechando o ano participei da Conferência Nacional das Pessoas com Deficiência. Mediei uma mesa e observei a eleição dos Conselhos Estaduais para a representação no CONADE. Um show de democracia. Os habilitados atenderam
a solicitação da presidente, Márcia Gori, do Conselho de São Paulo e a eleição
aconteceu com transparência, voto aberto e com a participação dos 17 representantes presentes.
Nesta imersão no dia-a-dia do movimento das pessoas com deficiência conversei com muita gente, um privilégio ímpar. A impressão inicial foi crescendo e trouxe-me uma forte convicção: o movimento social das pessoas com deficiência tem a urgente necessidade de profissionalizar-se.
O avanço na legislação e conseqüente progressão na qualidade de vida das pessoas com deficiência, implicou na migração das lideranças rumo a importantes postos nas empresas e no governo. Os Conselhos Municipais e Estaduais são pilares na estrutura democrática, concentram grande responsabilidade e trabalham em complemento a atuação do Ministério Público. É mais que justo, é fundamental uma reforma estrutural que permita a remuneração dos dirigentes e conselheiros.
Crer no impossível e garantir a inovação é a única forma de progredir.
*Coordenador da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Diretor da AME
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