Feira alemã apresenta novidades em ajudas técnicas
Entre os dias 15 e 18 de outubro, a cidade de Düsseldorf, na Alemanha, sediou a 19ª Edição da REHACare Trade Fair, maior feira no mundo na área da reabilitação, prevenção, integração e cuidados para pessoas com deficiência. Foram mais de 52 mil visitantes para conhecer as maiores novidades em tecnologia de reabilitação e ajudas técnicas apresentadas por 758 expositores
de 29 países.
Houve espaço para projetos grandiosos,como cadeiras de rodas específicas para ambientes externos, com sistemas de suspensão e controle diferenciados e também sistemas para ambientes, como um lift com
sistema de trilhos, que permite à pessoa se movimentar por diversos ambientes com independência. Além disso, havia carros emotos adaptados para serem acionados apartir dos controles de cadeiras de rodas
motorizadas.
Entre as ajudas técnicas mais simples,mas não menos importantes, um virador de páginas japonês que consegue se adaptar a
diversos formatos e publicações. Os modelos mais antigos aceitam apenas um ou outro formato, limitando a leitura. Também estavam disponíveis tábuas de comunicação acionadas por toque ou olhar, que servem
a quem tem limitações cognitivas para indicar vontades básicas e, a quem não
apresenta limitação cognitiva, podem ser destinadas, ainda, para formar frases mais elaboradas e até mesmo acessar a Internet
e ver e-mails. Havia também diversos profissionais que trabalham com customização de ajudas técnicas, em equipamentos com
desenhos e cores diferenciados, para o público infantil.
INDEPENDÊNCIA
Todos os recursos apresentados na Feiratêm como principal objetivo fazer com que as pessoas com deficiência tenham maior independência em seu dia-a-dia, podendo executar tarefas tão simples como acender uma lâmpada, mas que seriam impossíveis sem essas ajudas técnicas.
Marco Antônio Pellegrini, um dos coordenadores da Secretaria de Estado dos
Direitos da Pessoa com Deficiência, que havia visitado a Feira em 1993 e voltou a visitá-la em 2008, ficou impressionado com os avanços. “Em 93 um pesquisador estava desenvolvendo um braço mecânico acoplado à cadeira. Esse braço é acionado por botões ou um joystick e serve para
movimentar e carregar objetos. Este ano havia três fabricantes deste produto, além de usuários do produto visitando a feira”.
Pellegrini destaca que “as tecnologias são colocadas em uso de fato, as ajudas técnicas são comuns para as pessoas”.
A maioria dos produtos em exposição na REHACare, porém, não deve ser encontrada no Brasil. Os produtos expostos na
Feira são voltados quase que exclusivamente ao mercado europeu, tanto que não havia expositores da América ou da Ásia.
“Os produtos criados lá e expostos são formatados para as condições mercadológicas da Europa, onde há financiamento e ajuda
do Estado para a aquisição de ajudas técnicas”, diz Pellegrini.
Pellegrini destaca ainda a existência de um prêmio de design de produtos voltados a pessoas com deficiência, como cadeiras
de rodas e veículos adaptados. Ele também ficou impressionado com o sistemade transporte público da cidade. “Todos os
ônibus, trens e metrôs são adaptados para atender a pessoas com deficiência, o que dá uma sensação de liberdade e independência
muito grande, pois é possível ir a qualquer lugar sem necessitar de ajuda”,
explica.
A grande lição da feira, segundo Marco Pellegrini, é que as soluções partem do
princípio que elas precisam atender a pessoae não têm como principal fator o preço dos produtos. “Os gestores brasileirosdeveriam levar isso em consideração para oferecer à população produtos de qualidade
acima de tudo”, observa.
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