Falar das dificuldades que um paulistano
passa para transitar em São Paulo
pode parecer chover no molhado. O ir e
vir na capital paulista é difícil para qualquer
transeunte, seja do transporte coletivo
ou particular. Vide a repercussão
da restrição dos fretados. Agora, pare e
imagine o quão complicado é para os 3
milhões de pessoas que possuem deficiência
ou limitação de mobilidade andar
na maior cidade da América Latina.
maior cidade da América Latina.
Primeiramente, pessoas com deficiência
não merecem “serviços especiais”.
O que devemos ter por direito é o transporte
acessível. Assim como qualquer
usuário de transporte público ou privado.
Foram criados veículos específicos para
o transporte das pessoas, certo? Partindo
desta informação, por que parece tão difícil
tornar esse veículo acessível ao cego,
ao cadeirante, ao surdo, e a qualquer outra
pessoa com deficiência? Se cada meio
de transporte possui especificidades para
atender seus usuários, aonde estão as particularidades
que a pessoa com deficiência
requer nos veículos que ela utiliza?
No metrô, por exemplo, o usuário é informado
em cada parada sobre o nome da
estação. Alguém já pensou como isto facilitaria
vida de um cego que usa ônibus? Este
serviço existe em Curitiba. Aqui em São
Paulo, eu criei um projeto de lei para a sua
implantação. Infelizmente, ele foi vetado.
Assim como o “aviso sonoro”, nossas vozes
não foram ouvidas. Embora existam leis que
garantam a gratuidade do transporte e a
implantação de veículos adaptados, a questão
do transporte público voltado para as
pessoas com deficiência ainda está aquém
do necessário.
necessário.
Há brechas que precisam ser fechadas
para que as coisas realmente funcionem
de forma plena. Para começar, basta ver a
acessibilidade (ou ausência dela) somente
para chegar a algum meio de transporte. As
calçadas da cidade não dão condições de
mobilidade com segurança e autonomia. Os
terminais, pontos de ônibus e estações de
trem, muitas vezes, não tem acesso. Falta
um piso plano, mapa tátil e funcionários
habilitados.
Hoje, serviços como o Atende, destinado
a pessoas com deficiência física ou em
reabilitação não atendem pessoas com deficiência
que não seja a física. Um grande
problema, porque muitas crianças autistas
ou cegos sem mobilidade, por exemplo, ficam
a margem do serviço. E o problema
não se limita aos veículos públicos. Carros
particulares, como muitos táxis, não aceitam
cegos acompanhados por cão-guia,
mesmo que a lei, diga-se de passagem de
1997, assegure a ele este “direito”. Ou
seja, são mais de dez anos de desrespeito
ao deficiente visual.
De um lado está a legislação, do outro
o desinteresse e a falta de informação
de quem não a cumpre. Agora, pare
novamente, como lhe pedi no início da
leitura deste artigo, e pense: aonde está
realmente a deficiência?
Mara Gabrilli é vereadora doMunicípio de São Paulo
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