A Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT) introduziu, em agosto de
2008, a norma NBR 15.599:2008 (Acessibilidade
– Comunicação na Prestação de
Serviços), que fornece diretrizes gerais
para acessibilidade em comunicação na
prestação de serviços. A norma considera
diferentes graus de percepção e cognição
e a presença ou ausência de ajudas técnicas
para a pessoa com deficiência. Seu
uso se destina aos prestadores de serviços
que buscam atender as demandas das pessoas
com dificuldades de comunicação.
As normas técnicas têm entre seus
objetivos prover a sociedade de meios
eficazes para aferir a qualidade de
produtos e eliminar barreiras técnicas
e comerciais. Os fabricantes de produtos
e prestadores de serviços não são
obrigados a seguir as normas técnicas
estabelecidas pela ABNT, porém ao
seguí-las o fornecedor pode abranger um
público maior, além de oferecer produtos
de melhor qualidade para a sociedade.
A elaboração da Norma foi precedida
da realização de 18 planárias, entre abril
de 2002 e fevereiro de 2007. Durante esse
período foram discutidos e elaborados
outros dois projetos que deram origem
às normas NBR 15250:2005 – Acessibilidade
nos caixas de auto-atendimento
bancário – e 15290:2005 – Acessibilidade
em comunicação na televisão. Ambas
atendem principalmente as necessidades
das pessoas com deficiência sensorial.
A NBR DA COMUNICAÇÃO
Entre os temas abordados na NBR 15.599
está a forma como se atender o público diretamente
ou por meio de formulários ou
equipamentos, as adaptações e ajudas técnicas
necessárias para estabelecimentos
culturais, bancários, comerciais, de saúde,
hospedagem, lazer e esporte, entre outros.
A norma foi estabelecida levando em
consideração que a comunicação permeia
a prestação de serviços e que, assim como
na prestação de serviço, na comunicação há
pelo menos um prestador, ou emissor, e um
usuário, ou receptor. A ABNT também leva em
consideração, para estabelecer a NBR 15.599,
a Declaração Universal dos Direitos Humanos,
de 1948, a Constituição Federal Brasileira, de
1988, o Programa Nacional dos Direitos Humanos,
de 1996, e a Lei da Acessibilidade,
de 2000, que impõem que haja eqüidade de
direitos e acessibilidade a todas as pessoas.
Para desenvolver a Norma, a ABNT levou
em consideração os preceitos do Desenho
Universal, que se propõe a atender a maior
parte da população que apresente alguma
dificuldade de comunicação ou limitação de
mobilidade ou sensorial. Os prestadores de
serviço que seguem os padrões estabelecidos
atendem não apenas a pessoas com
deficiência, mas também idosos que têm
limitação de visão, audição e movimento,
bem como pessoas que não dominam o português,
como estrangeiros ou analfabetos.
De acordo com as arquitetas e urbanistas
Maria Beatriz Barbosa e Roberta de
M. A. Albuquerque, ao atender a população,
com ou sem deficiência, e contemplar
preferências e facilidades para a captação
da informação, não restringindo a emissão
da mensagem a um único tipo de comunicação,
a forma de conceber serviços e ambientes
está em consonância com o conceito
de Desenho Universal, beneficiando pessoas
de todas as idades. “A adoção do princípio
da redundância, na combinação das diferentes
formas de comunicação – tátil, visual e
sonora, é fundamental para que aconteça a
acessibilidade na comunicação”, destaca.
As arquitetas concluem que a NBR
15599:2008 cumpre seu papel de “subsidiar
os prestadores de serviços no cumprimento da
legislação federal, em vigor e demonstra como
a prestação de serviços pode vir a ser concretizada,
pela acessibilidade na comunicação”.
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