O universo do autismo - uma metáfora sobre o comportamento

No último 2 de abril, comemoramos o Dia da Sensibilização sobre o Autismo. Uma data instituída pela Organização das Nações Unidas desde dezembro de 2007 com o objetivo de chamar a atenção e informar a sociedade sobre o assunto.

Compreender alguém com autismo é ter em mente que, antes de qualquer coisa, somos todos diferentes. Esta diferença pode ser vista não só por nossas características físicas, mas também por nossas escolhas. Você vai perceber que desde crianças almejamos a singularidade. Se você buscar na memória vai perceber que sempre foi atraído pelo exclusivo. Por que achar que todos devemos nos comunicar de uma maneira igual?

O autismo é um distúrbio caracterizado por alterações na interação social e no uso da imaginação. Um exemplo disso está na capacidade de fazer abstrações que uma pessoa com autismo tem. Você sabia que elas pensam de forma concreta? Por exemplo, expressões que fazem parte do nosso cotidiano, como “mamão com açúcar” ganham o sentido literário para um autista. No entanto, isso não quer dizer que você não possa levar um papo, aliás, ter uma conversa com uma pessoa com autismo. O fato de não compreenderem a linguagem usual da sociedade não deve excluí-lo da mesma.

Muito além do pensamento abstrato, existe um local em nossa mente onde reside todas as nossas vontades. Trata-se do sistema límbico, uma região do nosso cérebro onde localizam-se várias estruturas que possuem, entre outras funções, controlar nossas emoções e desejos. Essa característica é inerente ao ser humano. Tenha ele uma deficiência ou não. Seja ele uma pessoa com ou sem autismo.

O que realmente nos difere está em nossa cultura, no idioma e uso da linguagem. A língua é um código que requer aprendizado intelectual. Com livros, professor e suporte técnico. Já a linguagem está muito além disso. Ela depende da convivência, de fatores culturais e da capacidade imaginativa de cada um. Além disso, não podemos esquecer de uma linguagem universal, que independe da educação e vivência de cada um, o respeito.

Mara Gabrilli é vereadora do Município de São Paulo

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