Adaptar é mais barato que pagar multas
No último 2 de abril, comemoramos
o Dia da Sensibilização
sobre o Autismo. Uma data instituída
pela Organização das Nações
Unidas desde dezembro de
2007 com o objetivo de chamar
a atenção e informar a sociedade
sobre o assunto.
A Secretaria Municipal da Pessoa com
Deficiência e Mobilidade Reduzida tem
intensificado a fiscalização das condições
de acessibilidade para pessoas com
mobilidade reduzida em grandes centros
comerciais da cidade, como shoppings,
hipermercados e atacadistas.
Como parte do acordo firmado com o
Ministério Público Estadual (MPE) e diversos
Shopping Centers da Capital - para
fiscalização das vagas de estacionamento
reservadas às pessoas com deficiência -, a
SMPED vem promovendo uma série de vistorias
técnicas desde novembro de 2009.
Nessas inspeções, são verificados
pontos como quantidade de vagas de estacionamento
reservadas às pessoas com
deficiência, sinalização e dimensões destas
vagas; acessibilidade arquitetônica (rampas
de acesso, banheiros, bebedouros); sinalização
vertical e horizontal (piso tátil e placas
em braile) e elevadores.
As principais irregularidades encontradas
nos shoppings são: elevador sem sinalização
em Braille no batente e altura incorreta dos
botões externos e internos; sanitários isolados
e com problemas no comprimento e
altura da bacia sanitária e barras de apoio;
ausência de sinalização com piso tátil de segurança
junto a rampas, escada e elevadores;
corrimão com altura irregular em escadas
e rampas; não há rota acessível (livre de
obstáculos) no entorno/calçadas; e faltam
vagas reservadas de estacionamento.
Além disso, nos últimos anos, toda obra
de construção ou reforma de edifícios públicos
já é executada seguindo as normas
técnicas de acessibilidade.
Mais recentemente, a Secretaria iniciou
vistorias em padarias e bancas de jornal das
zonas Leste e Norte da cidade, resultando
na notificação de mais de 50 estabelecimentos.
Tais ações, entretanto, não bastam para
assegurar que, em pouco tempo, a cidade
possa ser considerada, de fato, adequada.
Acredito ser possível acelerar o processo
se houver o engajamento da iniciativa privada,
do pequeno comércio, prestadores de
serviço, condomínios e dos proprietários de
imóveis em geral.
Ações simples e baratas, como demarcar
vagas de estacionamento, transformar
um degrau de 15 cm em uma rampa com
no mínimo 1,20 m de largura nas entradas
dos estabelecimentos, tornar um sanitário
acessível, instalar piso tátil junto a degraus,
escadas e elevadores já podem garantir um
mínimo de acessibilidade a idosos, pessoas
com deficiência e mobilidade reduzida,
como gestantes ou com mães com carrinhos
de bebê.
Para colocar uma rampa ideal num estabelecimento,
por exemplo, basta prever uma
inclinação de até 8,33%, ou seja, para cada
centímetro de desnível, o comprimento deve
ser de 12 cm , com corrimãos em ambos os
lados com duas alturas (0,70m e 0,92m do
chão). E, caso haja estacionamento, é só
demarcar 3% das vagas, com o mínimo de
uma.
Tão importante quanto o acesso físico,
no entanto, é garantir que a pessoa desfrute
dos serviços oferecidos. Assim, numa
loja de roupas, o ideal é que haja ao menosum provador acessível, além de caixa de
pagamento mais baixo para usuários de
cadeiras de rodas e pessoas de baixa estatura.
No caso de um restaurante, além do
caixa, também deve haver 5% de mesas
acessíveis, inclusive para obesos.
São providências que, se tomadas
ainda na fase das obras, não encarecem
o projeto em mais que 1%. Mesmo quando
se tratar de reforma em edificação já
existente, adequar o espaço é melhor que
sofrer as penalidades cabíveis. Afinal,
quem desrespeita a legislação de acessibilidade
está sujeito a multa de R$ 3.800
por mês.
Profissionais de arquitetura e engenharia
e equipes das Subprefeituras estão
aptos a esclarecer eventuais dúvidas no
momento da adequação. Fiscalizar é nossa
obrigação, mas alguns preferem pagar a
multa e não adequar o estabelecimento,
porque pensam que a adaptação é cara.
Por isso, é muito mais eficaz conscientizar
os estabelecimentos para que respeitem a
diversidade de seus clientes.
(*) Marcos Belizário, advogado, é secretário
municipal da Pessoa com Deficiência
e Mobilidade Reduzida.
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