BRASIL TEM MAIOR INCIDÊNCIA DE HANSENÍASE

Segundo a OMS, País supera a Índia. Mas autoridades contestam metodologia

BRASÍLIA/DF - O Brasil superou a Índia e se transformou no País com maior prevalência de hanseníase no mundo. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial de Saúde, a média no Brasil é de 4,1 casos para cada grupo de 10 mil habitantes. Na Índia, esse índice é de 3,2 pacientes por 10 mil habitantes. Embora reconheça que os índices sejam elevados, o Ministério da Saúde contesta a primeira colocação no ranking da doença.
O diretor do departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde, Expedito Nuna, atribui a péssima colocação do Brasil à metodologia usada para montar a lista. Nuna afirma que o País não segue dois critérios usados pela OMS. Um deles considera curado o paciente um ano depois do início do tratamento, independentemente de avaliação. O segundo considera também curadas pessoas que abandonaram a terapia. "Por julgarmos incorreto, não adotamos esse método", disse Nuna.
Critérios - Hoje, o diretor tem um encontro marcado com o representante da Organização Pan-Americana de Saúde no País para discutir os critérios da elaboração do ranking. A secretaria deve finalizar nos próximos dias um levantamento com critérios adotados pela OMS.
"Assim ficará claro que nossa situação não é tão grave." A utilização de critérios diferentes para a avaliação da epidemia, porém, não surgiu agora. O presidente do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas por Hanseníase (Morhan), Artur Custódio de Sousa, tem outra avaliação. "A Índia avançou no combate à doença e nós estamos estagnados", diz. Para ele, o tratamento da doença no País está longe de ser o ideal. "Tivemos o compromisso de que haveria uma ênfase tanto para o diagnóstico precoce quanto para o tratamento, mas muito pouca coisa mudou", afirma.
Como exemplo da estagnação, o presidente do Morhan cita o número de casos novos da doença: "Há tempos ele não sofre alterações significativas." No último ano, foram38,4 mil casos. "Somos os primeiros no mundo e responsáveis por 90% dos casos registrados nas Américas." Remédios - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio, o Instituto Pasteur, de Paris, e a ONG Médicos sem Fronteiras estão entre as instituições que constituíram ontem em Genebra a Drugs for Neglected Disease Initiative, organização sem fins lucrativos para desenvolver medicamentos contra doenças comuns em países pobres, como leishmaniose e mal de Chagas. A organização deve destinar US$ 20 milhões por ano, por 12 anos, para a pesquisa dos remédios. Lígia Formenti

Fonte: EFE - O Estado de S. Paulo 04/07/2003 - Rede Saci
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