Vozes da Inclusão ? Derrubando Barreiras ? Deputada Federal Mara Gabrilli
Aline Fávaro saltou longe,
como exímia bailarina que é. Saltou
longe também por outro motivo:
ela tem síndrome de Down
e conseguiu se sobressair em
um ambiente rígido que é o da
dança, principalmente, do ballet.
Sua postura impecável reflete
o esforço de uma bailarina que
venceu obstáculos, inclusive, do
próprio corpo – a musculatura
flácida e a tendência para obesidade
propensos em pessoas com
a síndrome de Down perderam
espaço para a disciplina e esforço
da garota. Persistente, Aline
foi longe e se tornou a primeira
bailarina com síndrome de Down
a dançar com sapatilhas de ponta
no Brasil. Com sensibilidade e
garra ela superou o seu maior crítico,
o preconceito.
No anonimato dos palcos, mas
brilhando na vida, Edgar Epíscopo
faz parte da minha equipe de trabalho
há mais de um ano - tempo
que lhe rendeu vários aprendizados,
inclusive sobre a maneira
como se comunicava. O Didi, como
é conhecido por nós, sempre foi
super tímido: fala baixo, tinha vergonha
de se expressar no telefone,
entre outras coisas que o acanhava.
No entanto, para nossa alegria,
em um dos eventos promovidos
por mim para discutir a Síndrome
de Down, o Didi fez parte da mesa
de debates e superou todas as expectativas
que tínhamos sobre seu
discurso: falou com segurança,
português impecável e uma sensibilidade
que emocionou a todos
que o assistia. Concluí que a timidez
é seu charme. Por traz de todo
aquele jeitinho reside um prolixo
orador. Eloqüência da qual a potiguar
Débora Araújo de Moura tem
de sobra, afinal, ela foi a primeira
pessoa com síndrome de Down a
completar o magistério e se tornar
professora.
Aline, Ariel, Rita, Edgar, Débora
são retratos da inclusão. Todos eles
refletem a quebra de um paradigma
que há décadas teima em imperar
na nossa sociedade: a de que pessoas
com deficiência intelectual
seriam incapazes. No Brasil, dos
30 milhões de pessoas com deficiência,
apenas 323 mil estão no
mercado de trabalho. As pessoas
com deficiência intelectual estão
na base desta pirâmide, ainda
tímida, de empregados – são de
longe as menos contratadas. Na
maioria das vezes, esta contratação
acontece por empresas de
perfil mais arrojado e com uma
visão mais ampla sobre o que é
diversidade. O resultado dessas
admissões é positivo para os dois
lados: o contratado ganha autonomia
e responsabilidade e a empresa
passa a ganhar em capital
humano. Neste 21/03, Dia Internacional
da Síndrome de Down,
vamos refletir sobre o que consideramos,
de fato, capacidade.
*Deputada Federal
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