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Cirurgia
inédita em feto no Brasil quer evitar hidrocefalia
Raquel ainda nem nasceu e já faz parte da história da medicina brasileira.
Sua mãe, a faxineira Ednei Jesus dos Santos, 26 anos, havia decidido
interromper sua gravidez, pois sabia que seu bebê tinha meningomielocele,
que é um defeito no fechamento da coluna vertebral e que tem como
principal seqüela a hidrocefalia (acúmulo de água no cérebro, que
causa distúrbios mentais e motores). Os médicos do Hospital São
Paulo mudaram o destino de Raquel quando ofereceram a Ednei a oportunidade
de passar por uma intervenção cirúrgica que daria 90% de chances
de seu bebê nascer sem as seqüelas da meningomielocele. O grande
desafio é que esta seria a primeira vez que uma cirurgia desse porte
seria realizada no Brasil e que o feto correria vários riscos, inclusive
o de sofrer um parto pré-maturo com apenas 28 semanas de gestação.
Estima-se que no mundo todo uma em cada mil crianças possam desenvolver
a hidrocefalia. Este dado não considera as várias crianças que nem
chegam a nascer, pois seus pais são aconselhados a praticar o aborto.
Cerca de 200 cirurgias desse tipo foram realizadas até agora, todas
nos EUA, por profissionais da Vanderbilt University. No Brasil a
1ª cirurgia fetal a "céu aberto", como é chamada, foi realizada
no dia 24 de agosto, por uma equipe multiprofissional do Hospital
São Paulo, ligado a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A cirurgia
Obstetras, neurocirurgiões, pediatras, enfermeiros, anestesistas
entre outros profissionais se uniram em uma experiência que só foi
possível devido a grande dedicação e interatividade desses profissionais,
segundo Antonio Fernandes Moron - Chefe da Disciplina Medicina Fetal
da Unifesp. "Realizamos um verdadeiro balé durante a cirurgia, pois
havia cerca de 30 pessoas na sala e a participação de todos era
extremamente importante", afirmou Moron à reportagem da Sentidos.
Uma incisão de 17 cm foi feita no abdômen da paciente e o seu útero
foi exteriorizado. Mãe e feto foram anestesiados e o líquido aminoático
foi retirado e guardado em uma incubadora a 37° C. Uma abertura
de 9 cm foi feita no útero e o feto foi posicionado para que se
pudesse corrigir a má formação. "Toda a cirurgia foi monitorada
pelo ultrasom. Precisávamos saber exatamente a posição do feto antes
de realizar a incisão do útero para não atingir a placenta e nem
o corpo fetal", explicou Moron. Corrigido o defeito na coluna o
útero foi fechado e o líquido aminoático devolvido para a continuação
da gestação.
A cirurgia foi considerada um verdadeiro sucesso e o parto de Raquel
deverá ocorrer em novembro. Mãe e filha passam bem e estão sendo
constantemente monitoradas. Para Moron esta poderá ser a primeira
de várias cirurgias fetais a "céu aberto" realizadas no Hospital
São Paulo. "Segurança para realização da cirurgia nós temos. Precisamos
de suporte e recursos", afirmou. O material importado para realização
da cirurgia custou R$12 mil (sem os impostos o valor cairia para
a metade). Este tipo de técnica pode ser utilizado para várias outras
situações clínicas, corrigindo problemas no coração, pulmão, cérebro,
entre outros.
Prevenção
A meningomielocele é causada por fatores genéticos ou ambientais,
que correspondem a falta de ácido fólico no organismo. A ingestão
desta substância é extremamente importante, principalmente para
gestantes. Uma dieta rica em verduras, carnes e grãos pode ser suficiente
para evitar a falta de ácido fólico no organismo. A Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou uma medida de suplementação
desse nutriente. De acordo com a decisão, até junho de 2004 todas
as marcas de farinha de trigo e de milho deverão ser enriquecidas
com ácido fólico e ferro.
Fonte:
Site Sentidos
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