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Exame
ajuda a evitar a cegueira na infância
Boa parte das causas da cegueira infantil e do comprometimento
da visão pode ser evitada através da realização da triagem visual
quando o bebê ainda está na maternidade.
Segundo
dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 500 mil crianças
ficam cegas, anualmente, em todo o mundo. Contudo, a maior parte
- pelo menos 60% - das causas de cegueira e grave comprometimento
visual infantil pode ser prevenida ou tratada. Para isso, basta
que se faça a triagem visual dos recém-nascidos, método que identifica
anormalidades oculares que podem ser tratadas imediatamente, e que
se conheçam as doenças oculares mais comuns de cada localidade.
É o que mostra artigo publicado por pesquisadores da fundação Altino
Ventura na edição de nov./dez. de 2002 da revista Arquivos Brasileiros
de Oftalmologia.
Segundo eles, "a cegueira infantil é um problema de saúde pública
importante". Contudo, afirmam que, no Brasil, são poucas as publicações
existentes que dizem respeito às doenças oculares mais prevalentes.
Dessa forma, explicam que o estudo buscou obter dados a respeito
dos acometimentos visuais em recém-nascidos, no período de fevereiro
a outubro de 2000, através do exame da visão dos bebês de três maternidades
públicas de referência do estado de Pernambuco: Maternidade do Hospital
Barão de Lucena (MHBL), Maternidade do Hospital Agamenon Magalhães
(MHAM) e Maternidade da Encruzilhada (CISAM).
Os pesquisadores afirmam que o projeto contou com a participação
de uma equipe multidisciplinar de 37 profissionais devidamente treinados.
Foi feita a triagem visual dos recém-nascidos e selecionaram-se
aqueles que apresentaram alguma doença ocular ou fatores de risco
(alguma chance de vir a ter a doença) para o seu desenvolvimento
como, por exemplo, antecedentes maternos de doenças infecciosas
na gestação, baixo peso ao nascer e prematuridade.
De acordo com a equipe, dos 3.280 casos triados, 325 apresentavam
fatores de risco para a retinopatia da prematuridade - doença degenerativa
não-inflamatória da retina - e 255 estavam com hemorragia retiniana,
que pode ser provocada, entre outros, por trauma no parto, distúrbios
na coagulação sangüínea e utilização de vitamina E no período neonatal.
A doença externa ocular mais comum foi a conjuntivite neonatal enquanto
a catarata congênita foi detectada apenas em cinco olhos.
A equipe alerta para importância de ser feita orientação, aos pais
e pediatras, de forma mais agressiva, quanto à necessidade de se
detectar a doença ocular quando o bebê ainda está na maternidade,
no intuito de se evitar casos de cegueira irreversível. E acrescenta
que estudos como esse possibilitam uma avaliação ampla sobre a situação
da saúde ocular em determinada região, "viabilizando uma melhor
estratégia para o planejamento de programas e ações futuras, focalizadas
nos recém-nascidos com maiores fatores de risco, atingindo nível
de projetos mais organizados, regidos pela demanda".
Agência Notisa - Fonte: www.saci.org.br
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