|
Célula-tronco provoca reflexos em cérebro de lesado medular
Um estudo com células-tronco em andamento no Instituto de Ortopedia
e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São
Paulo vem apresentando resultados que, no futuro, poderão significar
uma esperança para quem sofreu lesão na medula espinhal.
Trata-se da injeção de células-tronco, retiradas da medula óssea
da própria pessoa, no local onde houve a lesão.
Em 15 dos 32 pacientes (tetraplégicos e paraplégicos) cuja evolução
vem sendo acompanhada há dois anos pelos médicos do HC, verificou-se
uma reação inesperada: ao receberem estímulos elétricos nas pernas,
eles tiveram reflexos no cérebro. Ou seja, o impulso passou pelo
ponto onde ocorreu a ruptura e conseguiu chegar até o órgão. Os
15 também relataram uma melhora na sensibilidade dos membros afetados
pela paralisia - disseram que passaram a "senti-los melhor."
Os estudiosos ainda não sabem se as células-tronco provocaram a
regeneração do ponto lesionado e continuam a investigação. O fato
de o impulso ter atingido o cérebro foi considerado animador.
Evolução
Um dos integrantes da equipe, o ortopedista Raphael Marcon, especializado
em coluna vertebral, apresentou os resultados parciais do trabalho
na quinta-feira, durante o seminário Células-tronco e terapia celular,
promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Marcon alerta:
é preciso ter cautela. "O leigo acha que a pessoa vai sair andando,
mas não é assim", avisa."O estudo nos dá esperança para o futuro.
É preciso começar de algum jeito."
Marcon lembra que ainda é preciso refinar a técnica utilizada e
entender como as células-tronco agem exatamente. O estudo, coordenado
pelo ortopedista Tarcísio Barros Filho, envolve pesquisadores do
Hemocentro e do Instituto de Radiologia do HC, além do Instituto
de Ortopedia e Traumatologia.
As lesões medulares, que podem ser provocados por tiros, golpes
de faca, traumas no trânsito, mergulhos ou outros acidentes, são
gravíssimas e levam à morte instantânea na maior parte dos casos.
Entre 4% e 16% das pessoas morrem depois de serem hospitalizadas.
As pessoas que participam da pesquisa ficaram paraplégicos ou tetraplégicos
entre dois e doze anos antes (em até dois anos, é possível que haja
uma melhora espontânea do quadro).
Fonte: O Estado de São Paulo - Rede Saci: www.saci.org.br
Voltar
- Topo
|