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Brasil tem poucos especialistas no treinamento de cães-guia
Muito
mais do que um companheiro de todas as horas, o cão-guia
é para o deficiente visual um instrumento de locomoção.
Assim como a bengala, auxilia o cego a realizar atividades do dia-a-dia,
como passear na calçada, andar de metrô e ônibus,
entre outras. O cachorro mais utilizado para esta função
é o labrador, mas outras vinte raças também
são treinadas, sendo que existe uma linhagem específica
de cães-guia, ou seja: nem todo cão pode se tornar
um acompanhante de deficientes.
A advogada Thays Martinez conta que sua vida mudou desde que passou
a andar acompanhada de seu cão Boris. "Ele me trouxe
independência, vou a todos os lugares. Boris substitui a bengala
totalmente", diz. Thays é presidente do Íris
(Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social), que leva
gratuitamente, todo ano, oito pessoas para a Leader Dogs for the
Blind, em Michigan, nos Estados Unidos. Lá, os deficientes
recebem um treinamento para lidar com cães-guia e voltam
ao Brasil com o animal, a custo zero.
Treinamento no Brasil
O Brasil ainda está engatinhando quando o assunto é
o treinamento de cães-guia. O Íris está programando
a inauguração de um espaço adequado no próximo
semestre, em São Paulo. Um instrutor com quatro anos de especialização
na Nova Zelândia em treinamento de cães-guia será
responsável por ensinar novos instrutores e também
usuários. Uma parceria com a prefeitura da cidade vai permitir
a criação de um espaço para o funcionamento
do centro.
Outra instituição responsável pela instrução
destes animais é o Integra (Instituto de Integração
Social e de Promoção da Cidadania), em Brasília.
O treinamento de cães-guia é ainda recente (cerca
de três anos), mas um convênio com Fundação
MIRA, do Canadá, que há mais de 20 anos atua no ramo,
vai permitir a entrega de 15 a 18 cães-guia por ano, segundo
meta apresentada no site oficial da Integra.
Livre acesso dos cães é polêmico
Thays diz que já enfrentou dificuldade de entrar em alguns
lugares por estar com Boris ao lado. "O mais complicado é
entrar em restaurantes, pois os donos têm medo de que isso
vá espantar os clientes. Mas hoje, os próprios clientes
vêm em defesa do cão, graças à boa repercussão
da novela", avalia.
Assim como Thays, a professora Ethel Rosenfeld sabe bem como é
essa barreira inicial ao cachorro. Logo que trouxe dos EUA o labrador
Gem, foi tentar assistir a uma atração no Teatro Municipal
do Rio de Janeiro e foi barrada de entrar com seu cão-guia,
em março de 1998. Na época, Gem era o único
cão-guia do Rio. Foi preciso o programa "Fantástico"
fazer uma matéria sobre o problema para que as autoridades
começassem a considerar a questão.
Nem demorou tanto para ela conseguir que a Secretaria Municipal
de Saúde lhe concedesse uma autorização provisória
garantindo o ingresso de Gem em locais públicos. Logo em
seguida, a prefeitura baixou um decreto que estendeu esse direito
a todos os cegos que tivessem cães-guia na cidade. Mas às
vezes é mais difícil fazer cumprir uma lei do que
aprová-la. "Só saio de casa com cópias
plastificadas das leis que me garantem, já sabendo que eventualmente
terei que mostrá-las e enfrentar a ignorância de pessoas
que não gostariam que eu entrasse com o Gem em locais públicos.
Às vezes, isso desanima. Mas, felizmente, eu não sou
do tipo que se deixa abater", ela conta. Hoje, ela comemora.
"Não posso dizer que o problema acabou, mas fico feliz
em dizer que melhorou 90%. O Gem nunca mais foi barrado no teatro.
E agora, com a novela, eu sinto que as pessoas estão se conscientizando
ainda mais", diz ela.
O direito do cego de andar livremente com seu guia é uma
conquista recente. Somente este ano, no dia 27 de junho, foi sancionada
uma lei federal que permite o livre acesso de cães-guia em
locais públicos. A lei que permite o livre acesso de cães-guia
em locais públicos foi sancionada com dois artigos vetados.
Um deles é o que garante aos treinadores dos cães
os mesmos direitos do usuário. O segundo é o que determina
que as escolas brasileiras de cães-guia sejam reconhecidas
pela Federação Internacional de Cães-guia.
Treinamento indiscriminado é perigoso
Uma grande preocupação atualmente é que amadores
comecem a treinar cães. Somente instrutores especializados
podem fazer o trabalho. "Um treinamento mal-feito pode colocar
em risco a vida do deficiente, do animal e das outras pessoas",
explica Thays.
A advogada também faz questão de frisar que, apesar
de cão-guia, o animal também deve ter seus momentos
de lazer. "Dentro de casa, quando eu tiro os equipamentos (coleira
e colete), Boris se transforma em um cachorro normal. Brinca, pula,
faz gracinhas. Mas quando põe o equipamento, ele fica todo
sério, pronto para o trabalho".
Links úteis
Para saber mais,
entre em contato com as instituições que fazem esse
tipo de trabalho no Brasil. Lá, você vai ter todas
as informações que precisa.
Íris
Tel.: (11) 7398-8776
http://www.iris.org.br
Integra
Tel.: (61) 3442-7900
http://www.integradf.org.br/
Fonte: Globo.com
– Site Sentidos: www.sentidos.com.br
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